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Geraldo Alckmin vereador?

A ideia de lançar Geraldo Alckmin a vereador na chapa de 2020 é um movimento pragmático de alguns tucanos da capital, mas que merece ser lido também programaticamente.

Na principal eleição de 2020, notadamente a para prefeito de São Paulo, maior cidade que gera 11% do PIB do país, o partido aqui nascido está em baixa com o eleitorado. Em 2016 venceu por pouco a eleição estadual, mas no segundo turno governador João Doria levou uma surra de 60% a 40% de seu adversário.

Seu sucessor, o prefeito Bruno Covas, foi diagnosticado com um câncer seríssimo. É jovem e toda nossa torcida é por sua pronta recuperação. Mas a gestão é mal avaliada pela população, muito por conta da herança doriana.

No legislativo a popularidade dos tucanos na cidade onde o partido nasceu vai de mal a pior. Não há sequer um deputado federal paulistano eleito pelo PSDB. Na bancada estadual só um, e com voto de nicho, a saber, evangélico, e não partidário.

Na Câmara Municipal o que resta com votação minimamente expressiva é o atual presidente Eduardo Tuma, também eleito com voto de nicho evangélico e não partidário, e cujo histórico de corar malufista antes atrapalha do que ajuda.

Como em 2020 não haverá coligações proporcionais, isto é, na chapa para vereança, os tucanos precisam desesperadamente de um nome forte para puxar voto, e o ex-governador Alckmin, em que pese a má fase da política tradicional, tem força para incorporar o papel.

Este é o quadro pragmático, que não é novo. Surgiu em 2008 como alternativa para evitar o racha que acabou elegendo Gilberto Kassab, curiosamente também com Alckmin no centro do palco. Porém não vingou e o ex-governador acabou não chegando ao segundo turno.

Ainda pragmaticamente falando, o ex-senador petista Eduardo Suplicy concorreu a vereador em 2016, fermentando o bolo a ser repartido entre os companheiros de chapa.

Mas programaticamente a ideia é muito melhor. Enquanto fui filiado ao PSDB defendi que ela fosse estatutária, ainda que como principio e não imposição. Que um político experimentado, tendo alcançado altos voos, admitisse que “casa fechada pega morrinha de convento” e, abrindo espaço para novos quadros no Executivo, voltasse à sua cidade natal ou domicílio eleitoral para puxar votos para novos quadros no Legislativo, e de quebra emprestasse sua experiência e autoridade aos trabalhos das câmaras municipais.

Considerando que o PSDB é por princípio um partido parlamentarista e municipalista, faz todo sentido que seus filiados se entusiasmassem com a ideia na teoria. Na prática é meio evidente que funciona. E melhor: é comum ouvir de políticos que passaram por cargos eletivos diversos, especialmente daqueles admiráveis, que as saudades mais sentidas são a dos idílicos tempos edílicos.

 
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