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Veja: Assassinato de mulher grávida de oito meses foi determinante para a aliança entre Bolsonaro e Bivar

Quando a capacidade de indignação parece esgotada, toca o interfone e o porteiro avisa que chegou mais.

Destacado pelo repórter Nonato Viegas como o capítulo mais baixo do racha no PSL, o caso dos aliados de Jair Bolsonaro que acusam Luciano Bivar de envolvimento em um assassinato em 1982 deveria ter sido a capa da Veja.

Pano rápido: o ano é 2018 e Bolsonaro precisa de legenda para disputar a Presidência da República. Bivar oferece seu PSL com prejuízo familiar: o partido abrigava o movimento Livres, liderado por um filho de Bivar que, liberal convicto, não aceita ter um reacionário populista como aliado. E Bivar pretere o filho para ter Bolsonaro.

Perto da data limite para registro das chapas, Bolsonaro quer o controle do PSL nas mãos do então aliado e hoje inimigo Gustavo Bebianno. Bivar topa mas a contrapartida é seu nome na vice. Impasse. Há prazo. E curto.

Então o empresário Gilson Machado, atual presidente da Embratur, que se aproximou de Bolsonaro em 2018 para surfar a onda promissora, leva ao pré-candidato uma história obscura envolvendo Bivar.

O caso: em 1982 surge no rio Capiberibe, no Recife, cidade de Bivar, o corpo de Claudete Maria da Silva, massagista de trinta anos e grávida de oito meses, com sinais de estrangulamento e afogamento. Ela seria amante de Bivar que, já casado e com filhos, teria apelado ao horror para evitar um drama conjugal. Diz Machado: “Todo mundo com idade sabe que as suspeitas recaíam sobre o Bivar.”

Como o dossiê era magro, Bolsonaro escalou um aliado pernambucano para fortalece-lo. E o coronel de Polícia Militar Luiz de França Silva e Meira foi convocado para o trabalho. “Procurou policiais e promotores da época e concluiu que interferências políticas teriam impedido a elucidação do crime.” Vale lembrar que era ditadura militar e que a família Bivar tem poder em Pernambuco. Também falou com pessoas próximas da vítima, incluindo mãe e irmã, que confirmou o relacionamento de Claudete e Bivar, acrescentando que na véspera do aparecimento do corpo ele a chamara para um encontro.

Tais informações deram musculatura ao dossiê, que então circulou entre a coordenação da pré-campanha de Bolsonaro, incluindo Bivar, que achou por bem desistir da vice.

A trégua durou aproximadamente um ano, com todos os envolvidos mantendo segredo. Mas com o racha no PSL, que culminou na desfiliação de Bolsonaro e alguns aliados para a criação da Aliança pelo Brasil, que se pretende partido político, o presidente da Embratur Gilson Machado e o coronel Luiz Meira resolveram dar publicidade ao caso.

É o horror mas não é novidade assassinato em disputas pelo poder. Vide Marielle Franco, Celso Daniel e tantos outros casos.

Mas o reconhecimento público de que o presidente da República usou de chantagem para se aliar a alguém tido como culpado pelo assassinato de uma mulher grávida de oito meses para garantir legenda para disputar a eleição, para mim é novidade.

O crime de assassinato está prescrito. Já o reconhecimento da chantagem e a naturalização da aliança com um suspeito de matar uma mulher e o próprio filho, que contava oito meses em seu ventre, merece investigação mais aprofundada.

Urge que o Ministério Público abra inquérito para ouvir toda a coordenação da campanha de Bolsonaro, incluindo Hamilton Mourão, Paulo Guedes, Augusto Heleno, Onyx Lorenzoni, Gustavo Bebianno, Paulo Marinho, Joice Hasselman, 01, 02, 03, Delegado Francischini, Julian Lemos, Gilson Lemos, Luiz Meira etc.

 
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