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Eu choro

Paulistano, emocionado amanheço sempre que garoa. Notadamente em véspera de feriado. Dia da República. 130 anos. Ou trinta da primeira eleição direta para presidente depois de 21 anos de ditadura militar. Pois é. Elegemos o Collor naquele então. E depois de tanto tempo, isso que aí está.

Velho, cansado, minha ideia para hoje era um copia e cola nesta página. Mas a juíza Hardt de Curitiba (oh vida, oh céus)  ensina que essas coisas não acabam bem. Cá entre nós, freguesa: quanta irresponsabilidade desse pessoal da Lava Jato. Segurança jurídica nunca foi o nosso forte. Mas ao condenarem uma figura pública do tamanho de Lula, passam a mensagem, aqui e alhures,  que ninguém está livre do justiçamento. Quem quer existir ou investir em um país assim, fora os espertos de sempre?

De qualquer maneira, um chorinho de copia e cola não vai matar, sobretudo pela sintonia com este dia. Salve, Vanzolini!

Longe de casa eu choro e não quero nada
Pois fora do chão ninguém quer e não pode nada
Sinto falta de São Paulo
De escutar na madrugada
Uns bordões de violões
E uma flauta a chorar prata

Dor de amor não me magoa
A saudade da garoa é que me mata
E eu saio pra rua
Assobiando comprido
Um samba comovido
Que Silvio Caldas cantasse
E me iludo que a garoa
Vem molhar a minha face

Mas é pranto e eu choro tanto
Quem me dera que hoje mesmo
Eu voltasse pro chão que eu adoro
Pois longe de casa eu choro e não quero nada

Sim, eu choro. Mesmo estando em casa, eu choro. Ou antes: sobretudo por estar em casa. O que fizemos da nossa casa?

Abro o jornal e leio que o ministro da Economia PaGue quer se livrar da obrigação de investir em Educação. E diz com todas as letras que a ideia é privatizar, para dar ao interessado em estudar a possibilidade de optar pela escola pública ou a privada – emendando com todas as letras: sempre que tiver opção.

Mas curiosamente ele não se lembra de privatizar o mais fácil e óbvio. Por exemplo: o Banco do Brasil tem 49,9% do Banco Votorantim. Lula mandou comprar para não deixar quebrar. E vale lembrar que à época o economista chefe era Abraham Weintraub, atual ministro da… Educação. (Ganhou bônus naquele ano?) Por que não vendem as ações?

Como se não bastasse, hoje soubemos pelo Valor Econômico que o executivo Guilherme Horn deixou esta semana o conselho BB para ser diretor do BV. Assim, sem quarentena, sem nada. Tudo na boa. Não deve ser ilegal. Mas eu choro.

 
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