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Passamos dos limites

Na semana de véspera 15 de Novembro muito se falou em monarquia. Quem puxou o cordão foi o presidente da República,  em ataque gratuito ao vice general Hamilton Mourão, dizendo-se arrependido por não ter feito Luiz Philippe de Orleans e Bragança seu companheiro de chapa.

O motivo da troca na última hora seria um dossiê envolvendo o príncipe em suruba gay e excursões noturnas para espancamento de mendigos. Assombração bastante comentada mas que ninguém afirma ter visto.

Numa sequência incrível, tão própria da atualidade, o deputado príncipe sentiu-se obrigado a dar explicações públicas e assim foi feito.

Pasmo, comentei no tuíter que, em 130 anos de República, onde não faltaram esforços para ridicularizar a Casa de Bragança – dom João VI bobo, Carlota safada, Pedro I tarado, Pedro II lento etc. – a atuação parlamentar do príncipe, aliado ao que de mais baixo a República já produziu, há de prejudicar a imagem da família imperial mais do que os “republicanos” um dia desejaram. E me solidarizei com o ramo de Petrópolis, cujo expoente maior é dom Joãozinho, e que preserva comportamento de alteza.

E então chegamos onde eu gostaria. Alguém comentou logo abaixo: “solidariedade ao fio da guilhotina”. Pode? Estamos em 2019 e alguém que provavelmente almoçou peito de frango com purê de batatas, sugere guilhotina. Teve várias curtidas.

Quem por algum momento preferir imaginar que trata-se se figura de linguagem, sugiro que pense de novo. Nas rebeliões dentro dos nossos presídios o comum é ver gente degolada, estripada, corações humanos usados como bola de futebol.

Dizer que são marginais que perderam o elo com a civilização é uma resposta fácil e até confortável. Pois vá ao cinema assistir Bacurau. Compre dois ingressos e use o primeiro para ver o filme e o segundo para assistir à plateia. É assustador ver gente tida como esclarecida, que frequenta cinema de rua e circuito cultural, vibrando e aplaudindo a barbárie contra a barbárie.

Ou ver o engajamento de quase quinze mil pessoas em torno de um post absurdo do deputado federal tucano Alexandre Frota, perguntando se no dia do atentado contra Jair Bolsonaro Adélio Bispo foi incompetente ou distraído.

E ainda ver o jornalista Augusto Nunes usando familiares mortos de Lula, inclusive o neto falecido do ex-presidente, uma criança falecida!, para ataca-lo nas redes sociais.

Pro meu gosto a baixeza e a agressividade passaram dos limites. Não tem como continuar assim.

 
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