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Meengo

Mussum está vestido de bombeiro, interpretando o burocrata responsável por atender às chamadas de emergência no quartel. Toca o telefone e a voz do outro lado clama: Fogo! Fogo! Contrariado, Mussum devolve: Meeengo! E bate na cara do cidadão que só não morreu queimado porque era uma esquete do humor vigente na minha infância.

Apesar de adorar o Mussum por seu talento e militância etílica, no Rio sou Botafogo. Não por dar pelota ao futebol, mas para prestigiar outro bravo e genial militante etílico, nosso querido Garrincha. Sim, ao contrário da maioria desta classe tão desunida, que são os bêbados, sou solidário.

Outro motivo para escolher o Botafogo foi não magoar dois caras lindos, elegantes e irresistíveis, cada qual à sua maneira, que se chamavam Romeu Montoro e Francisco de Moura Coutinho Filho, respectivamente meus avós materno e paterno.

Ambos torciam para clubes da Guanabara. Curiosamente o Romeu, que era burguês, vestia tricolor, time que encarna o que há de mais aristocrático no Brasil. Curioso porém não contraditório. Sem tostão, Romeu viveu como aristocrata. Talvez nunca tenha tido carteira. Nem precisou. Valendo-se do charme próprio e de títulos alheios, viveu com acesso a tudo que o dinheiro pode comprar e inclusive com o que sequer tem preço.

Chico, que tinha o sangue nobre do Magriço de Moura Coutinho, por sua vez era rubro-negro, time preferido da maior e mais popular torcida do mundo, algo que nunca entendi. Torcedor fanático, escrevia aos cartolas para reclamar e sugerir medidas. Elogios, que eu saiba, só em privado. E contraditoriamente detestava outra torcida popular, a lindíssima fiel corintiana, a ponto de me censurar quando apareci de bermuda preta e camiseta branca, porque lembrava “o uniforme daquele clube cafajeste”.

Hoje, porém, mais que tudo, mais que brasileiro, sou Flamengo. A América Latina pode estar em chamas a ponto do endereço da final ter que ser mudado. Quero que os cartolas responsáveis pelos meninos mortos no Ninho do Urubu se explodam. Mas mais que tudo quero ver o show vermelho e preto no Peru. E gritar, qual o Mussum: meeengo.

 

 

 
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