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Paulo Guedes assume a canalhice antidemocrática

O que foi a reação da polícia fluminense para dispersar a comemoração rubro-negra nas ruas? Armas de fogo em punho mirando civis desarmados, alguns acompanhados por crianças.

A resposta clássica é atribuída a Pedro Aleixo, vice-presidente do marechal Costa e Silva, único membro do gabinete que se recusou a assinar o famigerado AI-5. Interpelado pelo ditador sobre o que receava de sua parte, Aleixo teria respondido politicamente: de vossa excelência, nada; receio o efeito no guarda da esquina.

Se não ficou claro, vou desenhar: o esculacho da polícia, primeiríssima instância do Judiciário, costumava ser exceção para quem é branco e pelo menos remediado economicamente. Com os exemplos que ora vêm das autoridades mais altas, passou a ser regra e, não demora, vai te pegar, freguesa.

Mais explicitamente: calçada de boteco lánamariantônia. Este que vos fala, com a tez ainda mais rosada pelo circular do uísque no sangue, brinca com os oficiais do tribunal de Polícia Militar que fica do outro lado da rua: daqui pra lá vocês não passem, caso contrário terão que prender algumas centenas de jovens ricos que estão fazendo a cabeça. Os PMs riem e devolvem: não, não, claro que não; atravessamos só para um cafezinho. Já em Cidade Tiradentes, conjuntivite no branco dos olhos de um jovem preto dá flagrante – e esculacho.

Hoje amanhecemos com tendência de piora acelerada. Em viagem à Washington, o ministro da Economia, figura com popularidade em alta no governo Bolsonaro, disse sem qualquer pudor: “Não se assustem se alguém pedir o AI-5.” E insistiu obsessivamente, como quem revela um desejo profundo, que receia manifestações de rua contra o governo a que serve.

Ato contínuo, ao se dar conta que, da sandice costumeira, tinha entrado no campo da canalhice antidemocrática, pediu off aos jornalistas. Isto é, que sua fala não fosse publicada. Porém era morta a Inês: a coletiva era oficial, estava na agenda e as agências internacionais transmitiam a entrevista ao vivo.

Pois é. Achamos que tínhamos nos livrado do vexame internacional de ter na capital dos Estados Unidos um filho do presidente da República como embaixador e exportamos Beato Salú. Alô, Faria Lima! Um brinde à vossa prudência.

Sérgio Moro fala em excludente de ilicitude desde a transição. Bolsonaro agora fala em GLO rural. E Paulo Guedes, que serviu à sanguinária ditadura de Augusto Pinochet até o dia em que encontrou os meganhas do general revistando seu gabinete dentro da Universidade e achou por bem dar no pé, agora flerta com o pior período da ditadura militar brasileira.

Suas sandices costumavam ficar no plano econômico, escalaram para o filosófico naquela salada que fez com Hobbes e Rosseau, e a fronteira cafajestagem só rompeu atacando a primeira-dama da França. Agora, ao falar em AI-5, assumiu o campo da canalhice antidemocrática. PaGue é um canalha. E daqui pra frente, quem o apoia em qualquer atividade pública também é.

 
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