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A terceira guerra mundial pode ser um imenso Vietnã

Donald Trump é um irresponsável, inconsequente e mentiroso, não necessariamente nesta ordem.

Sei pouco ou quase nada de Oriente Médio, tenho inclusive que recorrer ao mapa para lembrar a disposição política das fronteiras por lá, mas sou bem dotado de raciocínio lógico e por isso posso identificar um mentiroso com certa facilidade, notadamente um tão vulgar como Trump.

Ao anunciar o assassinato do general iraniano Qassim Suleimani – a quem eu mal conhecia até este ano –, o presidente dos Estados Unidos disse que foi uma antecipação ante a descoberta de planos de ataques a alvos estadunidenses e seus aliados. Papo, claro.

Ora, se há inteligência para prever atentados e tecnologia para matar líderes de forças bélicas tão protegidos via drone em pleno aeroporto de Bagdá, há inteligência para neutralizar os executores escalados para os tais ataques sem causar um problema tão grande e de consequências imprevisíveis.

Em seguida Trump disse que o ataque encerrava uma guerra, não começava uma. Essa é de zombar de qualquer inteligência. Até porque logo em seguida mais tropas dos EUA seguiram para a região do Golfo Pérsico, e há notícia de que os próprios EUA fizeram novo bombardeio contra uma milícia numa estrada ao norte de Bagdá.

Não contente, falando na Florida a milhares de apoiadores de origem hispânica ligados a igrejas evangélicas, Trump disse que, se os terroristas têm amor à própria vida, deveriam temer os Estados Unidos. Pode? O mundo inteiro sabe que o pior ataque sofrido pelos estadunidenses foi realizado por terroristas suicidas, que creem merecer o Paraíso se morrerem como mártires. Mas a plateia, formada por estadunidenses, fingiu que não sabia.

Sobre os riscos econômicos e comerciais para o Brasil e o mundo, ou os erros políticos e jurídicos dos EUA contidos na ação, gente muito boa já falou e vem nos atualizando.

Meu palpite é sobre como o Irã vai se vingar. Esses dias soubemos que Suleimani era considerado um herói para muitos não só no Irã e no Iraque, mas em diversos países pelos quais espalhou e apoiou milícias e sobre elas manteve poder e organização. Se Trump reconhecesse a história, saberia que seu país perdeu a guerra do Vietnã para o general Vo Nuguyen Giap, uma mente militar brilhante que, dispondo de milicianos calçados com chinelos de dedo, botaram pra correr os exércitos da França e dos Estados Unidos.

Meu palpite e receio é que a vingança será parecida, só que em escala mundial. E quem imagina que os devotos de Suleimani estão concentrados no Oriente Médio, pense de novo, principalmente se for brasileiro. Aqui ao lado, na Argentina, já houve dois atentados atribuídos a grupos aliados de Suleimani, como o Hezbollah.

Também acredita-se que até hoje haja presença desses grupos na região, notadamente na tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai, que sequer contrabando de cigarro consegue conter.

E enquanto isso o que faz o governo brasileiro? Tão irresponsável, inconsequente e mentiroso quanto o estadunidense, além de bajulador, emite nota de apoio aos Estados Unidos.

Por outro lado, talvez seja essa a intenção de Bolsonaro. Digo provocar um ataque em solo brasileiro. Vale lembrar que seu filho Zero Um, estando em Israel, tuitou que desejaria que o Hezbollah se explodisse. Se eles vierem se explodir por aqui, Bolsonaro pode ter a senha para o “AI-5” que o filho Zero Três e seus ministros Paulo Guedes e gal Heleno gostam de lembrar.

Oremos.

 
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