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Calma (?!) que não acabou

O alívio durou pouco. Na noite de terça-feira Nessum Dorma ficou tocando na minha cabeça. Como alguém poderia dormir com a escalada da tensão entre EUA e Irã? Mas a quarta-feira amanheceu mais leve, com o desvanecer das estrelas apontando a alvorada.

Assim eu quis acreditar, apesar do sussurro interno que soprava “nem tanto, nem tanto”, sugerindo que os pontos de luz se apagando no céu não eram outra coisa se não mísseis caindo por terra, e o clarão consequente explosões, não a alvorada.

Pessimismo? Não. Racionalidade contra a torcida. Ora, como comprar de barato um cessar fogo capenga, sugerido por notas, declarações e tuítes, quando sequer o que está escrito em tratado é cumprido entre dois países?

Mais: como acreditar que o governo do Irã teria controle sobre as milícias criadas e coordenadas pelo general Suleimani ao redor do planeta, notadamente depois de assistir ao seu funeral, com milhões de pessoas pelas ruas queimando bandeiras dos EUA e de Israel? Funeral com direito a pausa para recolher cinquenta mortos pisoteados. Dá pra sentir o clima?

Se não, tome-se pelas redes sociais no Brasil. Incrivelmente assistimos a uma polarização cretina entre EUA e Irã, como se lado certo houvesse, ou como se um imbecil anulasse o outro, tornando a soma de dois erros algum acerto. Agora imagina lá no Oriente Médio, onde a paixão está no sangue.

Pensando assim concluí que era improvável que o sentimento das pessoas acompanhasse o arrefecimento da bravataria entre os governantes. Atacar uma estrutura física marginal do país mais rico do mundo equivale a riscar o carro do sujeito que matou seu pai. É quase óbvio que a coisa não vai parar por aí.

Muito bem. Hoje o comandante da força aérea da Guarda Revolucionária do Irã Amirali Hajizadeh, que era subordinado ao general Suleimani, declarou que os ataques de terça-feira foram só os primeiros de uma série e que a sofisticada divisão cibernética iraniana já realizou ataques contra a infraestrutura militar dos EUA.

Igual a tudo numa ditadura, não está claro se o governo iraniano apoia Hajizadeh. Mas quem se importa? Se nem nas democracias as Forças Armadas conseguem manter o controle sobre seus subordinados, imaginem grupos paramilitares cevados por ditaduras sanguinárias.

Infelizmente não acabou. Pior: aparentemente ninguém tem controle sobre os desdobramentos. Durma quem for capaz.

Oremos.

 
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