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A culpa é da mandioca

Com bronzeado de humilhar garota de Ipanema, o banqueiro do Leblon desembarcou no gelo de Davos. Mas obviamente o que chamou a atenção dos consócios do clube dos ricos do mundo foi a sagacidade, a originalidade, o tirocínio de Beato Salú. Aquele ringue de patinação jamais será o mesmo.

Nos últimos anos as conversas em Davos giravam em torno da preocupação com a desigualdade econômica. Tão rico convescote se encontrava preocupado com a distância entre o 1% mais rico e a metade mais pobre da sociedade, em como equilibrar a balança, mitigar prováveis convulsões políticas e sociais, amenizar o gasto absurdo que a pobreza acaba criando (ser pobre é o que há de mais caro) e, como ninguém lá é bobo, manter a economia girando.

Na rodada atual o meio-ambiente entrou na pauta, como diferente não poderia ser. A riqueza criada no último século foi parar nas mãos de poucos, mas seu custo é de toda a humanidade. De novo, para além das melhores intenções que existem em toda pessoa, há uma preocupação com o custo econômico das mudanças climáticas e seu impacto sobre a própria sobrevivência do planeta – até porque sem planeta é improvável que alguém continue rico.

Primeiro porque o Paraíso é o único lugar onde o Comunismo foi implementado. Lá ninguém é rico nem pobre. Depois porque pode ser que esteja certo o Lucas (18:24-25): “Mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.” Oh, que inferno!

Ante a possibilidade de haver algum constrangimento debaixo de tanto ouro, para aproveitar o convescote sem peso na consciência era necessário arranjar um culpado para o caos climático. Tomar pito de uma menina de dezessete anos depois de enfrentar congestionamento de jato particular deve atrapalhar a digestão.

Mas eles não contavam com a astúcia do nosso Chapolin Coloradíssimo, que resolveu o problema, liberando os blinis, o caviar e o creme azedo, fazendo a vida doce de novo.

Ora, segundo PaGue, a culpa pela destruição do meio ambiente é dos pobres, que desmatam para comer. Não é um gênio? Combustíveis fósseis, transporte, indústria, pecuária, produção e consumo desenfreado? Qual o quê! O que destrói o meio ambiente é a roça de mandioca. Simples assim, saúde, tim-tim.

 

 

 
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