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A guerra da água e o Coringa corporativo

Há algum tempo falam que a próxima guerra será pela água. Já vi muita gente de ressaca se estapeando pelo último gole de Prata gasosa, mas guerra, guerra mesmo, só nos lugares de sempre, onde com ou sem água, tem dinheiro.

Recentemente quase armaram uma terceira guerra mundial lá na casa do petróleo, que significa dinheiro, que significa poder, que significa sexo. As três barras de sempre continuam regendo a guerra: barra de rio, barra de ouro, barra de saia.

A guerra pela água seguia como que uma previsão intelectual, daqueles adoráveis que não vão à praia, ficam na banheira lendo opinião alheia, bebendo gim-tônica e telefonando aos amigos, até porque de outra forma seria impossível suportar a consciência das vidas secas, de tanta gente oprimida, morrendo banguela, de fome e de sede.

Porém a guerra pela água começa a despontar na avenida. Como sabemos? Como diria o Garganta Profunda, “siga o dinheiro”. E estão gastando dinheiro para defender a propriedade da água. Estado botou Exército para proteger reservatórios e canais, iniciativa privada contratou jagunços para o mesmo fim. Tem rio murado por aí. O país com a maior reserva de água potável do mundo conta 63 mil ocorrências policiais por disputa de água.

Porém de novo, tudo isso é lá no sertão e, de novo mais uma vez, ninguém está preocupado com o sertão. Nem a turma que viu Bacurau e vibrou com as cabeças rolando está. Tampouco a turma que viu Coringa está se lixando para o oprimido morrendo de sede. Querem vingança, não solução.

A novidade é que o Rio de Janeiro está sem água. Quer dizer, água não falta, tem muita, mas não pode ser consumida. Talvez nem para banho de banheira sirva a água carioca. São Paulo passou por algo parecido e resolveu com umas gambiarras. O Rio, nem gambiarra consegue.

Como chegamos a tal situação? Só incompetência não explica. Primeiro algas, depois detergente. Tem cara de jabuti em poste: enchente ou mão de gente. Como a primeira possibilidade entra no campo dos trocadilhos que convém evitar, resta a segunda.

Sabemos todos que há uma batalha política entre o paranoico presidente da República e o governador maluco do Rio de Janeiro. É guerra declarada, zero de suposição. Hoje o primeiro disse o seguinte: “Em vez de mostrar o serviço deles… pergunta para o Witzel como é que está a água do Rio de Janeiro. Alguém quer tomar um copo de água do Rio de Janeiro aí? Agora botaram detergente na água, olha que coisa linda. Agora, problema dele, eu não vou dar pancada nele. Ele que tem que resolver (…) Parece que tem uma CPI tomando forma lá na Assembleia Legislativa. A CPI não tem que ser para perseguir governador, tem que perseguir a verdade. O que aconteceu com a CEDAE? Houve loteamento? Houve negligenciamento?”

Qualquer pessoa que já fez ou ouviu fofoca ou maledicência pode interpretar as declarações do presidente. Mas tem um dado que pode ajudar os candidatos a Sherlock Holmes.

Há trinta anos um militar insatisfeito com o soldo se levantava contra o Exército. Um tipo de palhaço Coringa, só que corporativista. Assinou artigo na Veja e foi preso e processado internamente por conta de um rabisco-plano que previa um atentado terrorista contra o Rio de Janeiro. Qual era o alvo do plano? Justamente a adutora do rio Guandu, que abastece a cidade e hoje está cheio de detergente.

 
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