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RBU: Renda Básica de Urgência

No começo de 2017 meu amigo Tomas Biagi Carvalho, que edita a revista Amarello, enviou mensagem com o tema de orientação para a próxima edição: perspectiva.

Sem nenhuma, seja pela depressão que me acometia, ou por racionalizar a impossibilidade do mundo continuar sob o modelo vigente, fui procurar um norte – taí um lado bom das obrigações.

Rolava naquele então nos estados Unidos uma edição da Conferência Brasil, organizada por Harvard e MIT. E uma das mesas improváveis reuniu o vereador paulistano Eduardo Suplicy e o ideólogo reacionário Olavo de Carvalho.

Decidi acompanhar porque uma das minhas preocupações essa o binarismo político-social. E para minha alegria aconteceu o improvável: convergência. Obviamente não integral, mas num tema específico: Renda Básica Universal.

Foi um sopro de esperança que me deu fôlego. Passei a estudar a ideia com entusiasmo. Arranjei uma audiência com o Suplicy, defensor histórico e quase temático da Renda Básica de Cidadania – como ele prefere, ganhei uma aula e seu livro autografado.

Convencido e apaixonado, passei a defender a ideia. Escrevi muito nesta página – o conteúdo está nas tags. Amolei dirigentes de think tanks por uma conferência. Não rolou. Mas tampouco foi em vão, porque com ou sem minha ajuda a ideia brotava aqui e acola em declarações de gente destacada.

A estrutura para o meu convencimento tinha quatro pés: com as novas tecnologias viveremos mais e trabalharemos menos – que fazer?; a concentração de renda acabaria matando os consumidores e, com efeito, o capitalismo; o modelo chinês ou americano de produção e consumo, se escalado de 1,5 bilhão de pessoas para sete bilhões, explodiria o planeta; tudo isso somado à ao binarismo político poderia acabar com a democracia.

Quatro anos depois surge um quinto e trágico motivo: coronavírus ou COVID-19. E de desejável a Renda Básica passou a ser urgente. É o debate econômico global. Seja por perdão fiscal como na França, ou pela determinação do governo Trump de fazer um cheque de mil dólares para cada cidadão americano.

Aqui no Brasil quem capitaneia o debate é a economista Monica de Bolle. Hoje no Estadão vai um artigo seu com os cálculos necessários para a implementação. Leitura fundamental. E acalantadora ante o pavor de ver morrer tanta gente de gripe ou de fome.

Leigo, meu argumento sobre o custo da renda Básica era inverso: a pobreza é o que há de mais caro. E as condições brasileiras amargamente provam isso. Se os hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês já não dão conta de atender suspeitos de infecção, imaginem os demais. Imaginem a situação de uma população onde metade das casas não tem saneamento básico. Imaginem como farão para comprar comida os milhões de subempregados. Não por acaso, os dois primeiros óbitos (um ainda dependente de confirmação da causa) são de um porteiro e de uma empregada doméstica.

Mas a professora De Bolle fez as contas: As medidas de caráter imediato – saúde, proteção social e setorial – somam cerca de R$ 310 bilhões ao longo de 12 meses, ou uns 4% do PIB. Isso é metade dos cerca de 8% do PIB que gastávamos com os juros altos de 14% há poucos anos.

Vamos em frente. O caminho é claro e cada segundo pode custar uma vida.

 
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