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Tarado, psicopata, facínora – país nenhum aguenta isso

A novidade no pronunciamento de ontem de Jair Bolsonaro é o meio. O ódio escancarado, misturado a cinismo e deboche são uma constante em sua trajetória, assim como sinais trocados que alimentam e confundem apoiadores cegos que mimetizam o discurso tornando impossível qualquer debate consequente. Disseminação de fakenews e guinadas irresponsáveis a la Jânio Quadros, que por sinal usava e abusava da mesma estética populista idem. De novo, nada de novo.

Anda assim, nunca um presidente da República valeu-se de cadeia nacional de rádio e televisão para tamanha irresponsabilidade. Trata-se de um tarado, psicopata, facínora.

Se o que deseja vai dar certo a prazo é outro assunto, impossível de responder agora. O fato é que até aqui o ajudou, o elegeu, e mantém acesa a brasa em sua base muscular, que é a seita que segue o mito, não importa o que ele faça ou diga.

Esse músculo, calculo, significa aproximadamente 18% do eleitorado, índice de intenção de votos à véspera do atentado à faca em Juiz de Fora. A ele somam-se mais uns dez, quinze por cento de enrustidos que o seguem à distância. Trata-se no total de um terço do eleitorado, ou o bastante para estar no segundo turno e vencer o inimigo da vez, seja lá quem for desde que seja “de esquerda”, pecha que vale para a maioria de seus opositores.

Porém há os xaropes reacionários como ele correndo na mesma raia. E receio de perder apoio nesse campo é um dos motivos da fala improvisada de ontem, elaborada com ajuda do filho ZeroDois, o Cartuxo, e seu aparelho palaciano conhecido como gabinete do ódio.

Explico: desde o começo da crise do coronavírus o descompasso entre União e entes federativos ficou evidente. Pelo menos 22 governadores se afastaram da Presidência, assim como Legislativo e Judiciário.

Para compensar e tentar reestabelecer a harmonia, o capitão foi aconselhado a abrir diálogo com os governadores via teleconferência. Fez com todos, e ontem só faltava a do Sudeste, incluindo os governadores Doria PSDB-SP, Witzel (PSC-Rj), Zema (nOVO-MG) , Casagrande (PSB-ES). Deu ruim.

Como Doria e Witzel se movimentam para disputar a Presidência em 2022, e por terem ligações eleitorais e ideológicas com o bolsonarismo, o capitão sabe que o maior risco para sua reeleição está dentro de casa, a chamada direita reacionária, não no que é tido por esquerda progressista. A leitura é recíproca, daí os ataques continuados de parte a parte.

O Br Político do estadão, da brava jornalista Vera Magalhães, conta que a teleconferência do Sudeste nesta manhã foi tensa. Doria teria feito críticas, às quais Bolsonaro respondeu com adjetivos pra baixo de oportunista, traidor, demagogo.

Outro motivo foi levantar poeira em torno de Paulo Guedes, fiador e interface do bolsonarismo com o grande capital. Completamente perdido e fora de sintonia com a própria equipe, PaGue se mandou de Brasília para Ipanema e segue em quarentena trabalhando de casa.

Porém, a escalada das falas do ministro, cada vez mais malcriadas e indiscretas, são lidas por velhos conhecidos como pavio aceso – vasto e manjado é o histórico de explosão do distinto.

PaGue tem falado o que quer e demonstra desprezo crescente pela coerência, revela dados sigilosos, imprecisos e incompletos do Banco Central sobre o coronavírus sem compromisso com as consequências, torna público diálogos de articulação com o chefe, como no caso da MP da fome, que permitiria suspensão de contratos de trabalho, encaminhada e depois retirada pelo ministro, que invés de assumir responsabilidade culpou o estagiário pela redação e botou a suspensão no colo do populismo do chefe.

Para completar, o celebrado Dr. Mandetta se encontra em conflito escancarado com o chefe. Não aceita a maluquice do confinamento vertical, que guardaria idosos e deixaria jovens soltos criando defesa imunológica contra a pandemia. O ministro da Saúde segue com a orientação de isolamento horizontal, válido para todos.

País nenhum tem como aguentar essa loucura. Não há governo mas há apoio messiânico ao desgoverno. O que se há de fazer com a Nação prudentemente confinada, ainda que batendo panela diariamente, não se sabe.

A coisa boa é que talvez o Jornal da Globo tenha encontrado a forma de combater a loucura. Ainda ontem, após o pronunciamento, Renata Lo Prete ancorou os fatos tim-tim por tim-tim, contrapondo a fala do presidente com as falas de seus subordinados. Que o exemplo se esparrame por toda a imprensa.

 

 

 
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