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Pais e filhos ou Piu!

Não quero ouvir mais nem um pio, Piu!

Quem não teve pelo menos uma passagem dessas com os pais não foi suficientemente criança e provavelmente acabou graduado na Fundação Getúlio Vargas.

Parênteses: o estilo na primeira frase foi roubado do Ensaio sobre a cegueira do xará Saramago. Tinha cá na estante e admito sem vergonha que é minha primeira vez. Estava lendo dois livros ótimos porém graves, Escravidão do Laurentino e Tormenta da Oyama, que por sanidade mental tive que adiar a conclusão. Sigamos.

Das piadas correntes nesta quarentena está a dos filhos e netos que não conseguem segurar seus velhos em casa. Neste aspecto mais uma vez sou privilegiado. Meus pais estão trancados e mesmo os tios bolsonaristas-negacionistas que emigraram para a terra plana nas redes sociais, cá, na esférica, estão cada vez mais em casa e obedientes ao isolamento. Quem tem bofe, tem medo.

Uma das piadas boas é a da filha que proíbe a saidinha da mãe e ouve, Mas todo mundo está saindo, Você não é todo mundo. Vingança!

Inacreditável é ver as piadas, que na vida privada têm graça, acontecendo oficialmente e justo na Presidência da República.

Na semana passada houve uma reunião ministerial. Dois dos ministros mais populares, trabalhando horizontal e harmonicamente pelo isolamento social a fim de arrefecer a curva de contaminação da Covid-19, Mandetta da Saúde e Moro da Justiça, estavam presentes.

Mandetta disse ao chefe, que em uma entrevista ameaçara o Brasil de estar presente no transporte público em São Paulo, Se o senhor for a ônibus ou metrô, serei obrigado a criticá-lo, E eu vou ter que te demitir.

Sem poder vir a São Paulo, Bolsonaro foi ao comércio da Ceilândia, onde vivem os velhos da família da primeira-dama, que ele não visita nem recebe, e abraçou a gente que estava pelas ruas.

Traduzindo para a vida doméstica, Não quero ouvir mais um pio, Piu!

Doutor Mandetta, um técnico diligente que vem fazendo um esforço tremendo trabalho político para equilibrar a relação com a chefia, quando por ela deveria ser obedecido numa pandemia, enviou à sua equipe, bastante insatisfeita e desestimulada pelos desmandos e desatinos, Carlos Drummond de Andrade, No meio do caminho havia uma pedra.

Se Bolsonaro é uma toupeira que estaciona diante da pedra, Mandetta tem sabido contorna-la. Mas até quando? E quanto tais contornos, que de alguma maneira endossam as sandices planaltinas para o grande público, podem ser letais?

O mesmo vale para o subjugado super-ministro Moro, que baixou portaria avisando que os desobedientes poderiam sofrer sanções que chegam a pena de até dois anos de quarentena no xadrez.

Enquanto isso, ZeroUm apresentou como curado por um remédio que ainda está em teste um idoso que não contraiu o novo coronavírus, ZeroDois afirma que o artista Daniel Azulay morreu de leucemia e não da Covid-19, ZeroTrês festeja a ida do pai às multidões.

A formação de caráter dessa família mostra o que Jair, como messias, criminosamente pode fazer do Brasil. Pela vida de milhares, urge que seja impedido de continuar.

 
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