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Samba-crônica da (minha) quarentena

Longe de casa eu choro e não quero nada. Como é que pode? Trancado em casa e com saudades de casa? Pois longe do chão ninguém quer e não pode nada. Assim estou, quiçá você também, freguesa. Sinto falta de São Paulo, de escutar na madrugada, uns bordões e violões, e uma flauta a chorar prata.

Dor de amor não me magoa. Para mim o amor é essencialmente livre, ao contrário de mim, que estou preso. A saudade da garoa é que me mata. (Pois não) saio pra rua. Assobiando cumprido, um samba comovido, que Silvio Caldas cantasse. E me iludo que a garoa vem molhar a minha face.

Cada vez mais sinto que moro na rua. Mas é pranto e eu choro tanto. Não devia, não sou desabrigado, tenho todo conforto material. Quem me dera hoje mesmo eu voltasse pro chão que eu adoro. Calçadas, esquinas, botequins. Pois longe de casa eu choro e não quero nada. Mentira: daria uma falange, ou até duas, de qualquer dedo, por uma gafieira, um cordão com dez metais.

 

 
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