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Acorda, amor

Acorda, amor

Impossível não ouvir Acorda, amor, do Chico Buarque, com aquela sirene na abertura. Era a dura, numa escura estranha viatura. Dá pra ver a Veraneio na porta. Chico cantava a repressão da ditadura-militar contra gente que criminosa não era. E clamava: chame ladrão!

Que fazer quando o mocinho vira bandido? Recorrer a quem? Chame ladrão? Confusão. Aflição.

Nesta manhã a Polícia Federal visitou um dos seus. O deputado federal Delegado Pablo (PSL-AM), bolsonarista de carteirinha, licenciado da PF, é suspeito de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A notícia é do Painel da Folha.

Não conheço Pablito, mas conheço o tipo. Moralista eleito com discurso contra tudo que está aí. Se é criminoso, dirá a Justiça. E depois tem que ver como fica politicamente. O eleitorado que acreditou no discurso e foi dormir em paz, como fica? Será que acorda?

ZeroQuatro e os vizinhos

Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz só existem dois: o de verdade e o de um dos exames do presidente da República. O primeiro é um moço que mora em Brasília, em apartamento vizinho ao de Jair Bolsonaro, onde hoje vive seu filho ZeroQuatro, Jair Renan, contemporâneo de Rafael Augusto.

ZeroQuatro não tem sorte com vizinhos. Muito descuidado. Descuidado a ponto de ter namorado até a filha do ex-PM Ronnie Lessa, estrela miliciana e traficante bélico que tinha 117 fuzis e está preso suspeito de matar Marielle e Anderson.

Sobre o namoro com a filha do miliciano, Bolsonaro disse que o filho namorou metade do condomínio. Será que mantém a prática na zona residencial brasiliense? A ver com o pai, nada descuidado, sabedor das intimidades da prole por escutar o que dizem atrás da porta.

PF

Previsivelmente, Bolsonaro disse hoje de manhã que não mentiu sobre o vídeo da reunião quando afirmou não haver no áudio as palavras “Polícia Federal”. Daí apareceu “PF”. E ele: “São duas letras.” Que serão? Palpite: Prole Fodida.

PF 2

A Polícia Federal segue zelosa de seu papel institucional. Não quer saber de interferência de quem quer que seja. Pode ser família, amigo, correligionário, um dos seus. Se deve, paga.

Por dentro ou por fora – antes por dentro, o Exército deveria aprender com a PF. Acorda, amor.

 

ATUALIZAÇÃO: fui injusto com o Exército, que está quieto como deve estar e, em que pese a associação previsível da instituição com o governo pela presença de tantos de seus quadros reformados, a rigor nada tem a ver com o que vem acontecendo, tampouco deve interferir.

 
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