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Enem, o exame do Brasil

Nascido no Senado, que é a casa de representação dos estados, o adiamento do Enem 2020 teve 75 votos favoráveis e um contrário. Quem votou sozinho contra? Flávio Bolsonaro. O Zero Um.

Na Câmara, casa que representa a população, a ideia foi recebida e encaminhada para votação com urgência, com previsível derrota do governo, que se antecipou e adiou oficialmente o exame.

O ministro da Educação, analfabeto funcional, que marca em seu currículo ter dormido na casa de Olavo de Carvalho, foi contrariado. Por ele, o exame seria mantido, alheio à realidade de grande parte dos estudantes brasileiros, vítimas da pandemia aguda que escancara nossa desigualdade crônica.

A vitória, contudo, foi concebida na sociedade. Pressão, participação, comprometimento, solidariedade que sacudiu o Congresso e dobrou o governo. Acredito que tenha sido a aula mais importante não da pandemia ou de 2020, mas do nosso tempo. Guardem bem a lição, estudantes. Guardem para a vida toda.

O problema geral foi a necessidade de estudar remotamente, desde casa, de um dia para o outro. Ninguém estava preparado, seja técnica ou pedagogicamente. Uma ou outra escola conseguiu se adaptar, um ou outro aluno também. Mas, no todo, ficaram todos perdidos: alunos, professores, pais (mães, né, minha filha?).

Houve destaque para a dificuldade de estrutura da maioria dos estudantes. Casas pequenas, amontoadas, conexão de internet fraca, máquinas compartilhadas com outros familiares e muitas vezes aquém dos sistemas das escolas.

Mas a verdade é que ainda temos muita gente com dificuldade de acesso a lápis e borracha. O drama dos pais no começo do ano para compra de material escolar sempre é notícia. Vai ano, vem ano, há avanços, mas em geral pouca coisa muda. O drama está lá, escandaloso, disputando manchete com enchentes e deslizamentos. E nos acostumamos a um e outro.

O adiamento, que a princípio deve ser de trinta ou sessenta dias, não é nada se comparado ao nosso atraso histórico.

 
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