Facebook YouTube Contato

Bolsonaro contra a vacina

Parece que a vacina contra o bolsonarismo apareceu no horizonte. E, igual a toda vacina, ela será feita a partir dos vírus atenuados.

A base do bolsonarismo é mentira, desinformação, as chamadas fakenews. Nada de novo, porque sempre houve, mas nunca com a potência da atualidade, proporcionada pelo ambiente toxico e descontrolado das redes sociais e que tais.

E também não é só um problema brasileiro. O Reino Unido deixou a União Europeia se valendo dos mesmos vírus. Assim como Donald Trump pela disseminação do vírus foi eleito.

Depois de tantas vítimas, a combinação para enquadrar a doença começou a surgir. São literalmente quatro lados.

O primeiro é o Poder Judiciário. O Supremo Tribunal Federal, vendo-se atacado pelo esquema que já havia tomado o Poder Executivo, pela caneta do ministro Edson Fachin preside o inquérito para apuração das suspeitas.

Aqui cabem parênteses sobre os meios. Sim, foi ato de ofício do presidente Dias Toffoli, é incomum, porém regimental, e pode ser arriscado se usado de qualquer jeito. Mas demais instituições, devidamente consultadas, o avalizaram. Advocacia Geral da União por exemplo. E inclusive o atual procurador-geral da República – que hoje mudou de opinião e pediu a suspensão do inquérito. Especialistas divergem sobre a continuidade ou não do inquérito sem a participação direta do Ministério Público.

A segunda fronteira ainda está no Judiciário. A Polícia Federal, autorizada pela Justiça, correu com as investigações e identificou financiadores, operadores, provavelmente as empresas responsáveis. Está faltando gente no inquérito, financiadores, funcionários públicos e familiares de Bolsonaro. Mas a coisa está adiantada e já alcançou, por determinação do gabinete do ministro Alexanfdre Moraes o sigilo bancário dos investigados durante as últimas eleições.

Eis que chegamos na terceira fronteira, que encerra o triangulo das bermudas do vírus bolsonarista: a Justiça Eleitoral. Ontem tomou posse o novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luiz Roberto Barroso, e seu discurso foi bastante concentrado na preocupação com a deterioração que o vírus da desinformação vem causando à Democracia.

E a base de tudo, que somada ao triangulo judiciário enquadra o vírus bolsonarista, devemos ao trabalho da imprensa. Por justiça e gratidão é importante nominar a repórter que puxou o fio: Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, premiada aqui e alhures pela série de reportagens que iluminou o esquema de financiamento de propagação de fakenews. Patrícia está para o vírus bolsonarista como as cientistas que sequenciaram o coronavírus que nos assola.

A vacina então é esta. Ainda demora para ser concluída e fazer efeito, mas já está encaminhada para enquadrar muita gente que hoje berrou de medo da agulha ou das gotinhas. Notadamente o principal beneficiado pela doença, Jair Bolsonaro, que pode ter a chapa cassada pela Justiça Eleitoral caso as suspeitas sejam provadas e a chapa Bolsonaro-Mourão, condenada.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments