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No Brasil, tudo invertido

Meu palpite é que o Brasil se olhou no espelho e, diante do reflexo invertido, gostou e resolveu manter. Nada mais requer lógica ou sentido. Viramos o valhacouto do vale-tudo.
Se não, como é possível tanto zumbi aparecendo? Onde estavam essas pessoas? Entre nós, é claro. Mas disfarçavam. Viviam caladas cuidando das lojinhas e gozando os privilégios históricos.
Agora que elegeram para a Presidência um igual, representante dos seus anseios mais profundos, estão satisfeitas, parte declarada e despudoradamente histérica, parte enrustida, mas contemplada. No conjunto, são os 50% de brasileiros que consideram ótimo, bom ou regular o governo Bolsonaro.
De onde desenterraram um sujeito que defende castigo físico para educação infantil? Desenterraram e botaram no ministério da Educação, depois de tanto tempo sem sequer alguém respondendo pela pasta, depois de ano e meio sem nenhum programa concreto, noves fora a ideologia maluca da destruição.
Na Saúde, ainda pior. Passando mal, muito mal, pior exemplo mundial de combate à pandemia, não temos ministro e os quadros técnicos foram substituídos por milicos que, para dizer o mínimo, são irresponsáveis em aceitar uma função para a qual não têm competência.
Para ficar em três, o superministro da Justiça e da Segurança, ex cabo eleitoral do presidente eleito, saiu atirando. Assim como as forças policiais se mostram cada vez mais violentas, com pelo menos um vídeo diário de um preto pobre sendo agredido.
Parei em três para não cansar esta freguesia. Já chega o meu cansaço. Mas também porque Saúde, Educação e Segurança costumavam ser as maiores preocupações nacionais, segundo todas as pesquisas. Se não deixaram de ser, o que pode ter acontecido?
Insisto, está tudo invertido. Ou sempre esteve, só faltava a gente se olhar no espelho para confirmar.
Como pode tal estado de coisas? Mais três exemplos: uso de máscara para proteção coletiva é obrigatório na rua, mas o presidente da República veta a obrigatoriedade em lugar fechado. O governador de São Paulo, epicentro da covid, libera abertura de bares e restaurantes proibindo mesas nas calçadas e liberando no salão interno; libera academia de ginástica mas não tem recomendação para andar isolado ao ar livre. O terceiro vem a reboque: bares devem atender com até 40% da capacidade ocupação, mas o transporte público segue lotado, e com a classe média incentivada ao uso de automóvel, seja em descolamento vulgar, drive-ins e até no interior de um shopping em Botucatu. Está ou não tudo invertido?
É exatamente o inverso do que o mundo vem fazendo. Em Nova York a aposta dos bares é em mesas nas calçadas e na “zona azul”, como nos parklets que recentemente apareceram em São Paulo. A prefeita de Paris, também de olho na reeleição, aposta em ciclovias e aproveitar o embalo da baixa nos índices de poluição derivados do isolamento. Taiwan, com sete mortos em 24 milhões de habitantes, controlou a contaminação com a triagem de turistas; no Brasil, a Anvisa e o ministério da Saúde foram à Justiça para anular medidas dos estados que adotaram ações no mesmo sentido.
Não entendo mais nada. A única certeza é que não temos governo em qualquer esfera. Estamos perdidos. Você que se vire, cidadão brasileiro.
 
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