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Marco do saneamento: se der certo, deu errado

Não é o saneamento que tem que chegar a todos, mas o inverso: todos é que tem que chegar ao saneamento. Temos infraestrutura concentrada nas cidades, que seguem espraiadas por fatores diversos como pressão do mercado e não aplicação do uso social dos imóveis, demofobia.

Há cem milhões de brasileiros sem esgoto, dos quais 35 milhões sem acesso sequer à água encanada, ao mesmo tempo que há esgoto e água encanada nas cidades já conectados a incontáveis imóveis desocupados, fenecendo sem uso. E, além deles, outras infraestruturas, como gás encanado, energia elétrica, transporte coletivo, lazer, equipamentos públicos, serviço, comércio, o que resta em emprego etc.

Na cabeça delirante de PaGue, o superministro da Faria Lima, haverá R$ 700 bi em investimentos no setor de saneamento nos próximos anos. Por que ele abandonou seu número predileto, o trilhão, não se sabe. Fato é que escolheu a casa do sete, tradicional conta de mentiroso.

A turma que entende e estuda o assunto se reuniu no seminário “Rio sem Sub-Habitação em 2040”, e propôs que, com US$ 12,5 bi, em vinte anos, é possível resolver o problema na Cidade Maravilhosa, que concentra dezenas de favelas.

Mesmo descontando o delírio do Paulo Guedes, já bastante claro desde a eleição, quando ficou mais conhecido, reverberando seu plano de vingança acadêmica, e também a possibilidade de imprecisão dos especialistas em urbanismo, parece óbvio qual proposta merece ser mais discutida e aprofundada.

O marco do saneamento é positivo, reuniu gente boa, teve cooperação entre Legislativo, Executivo e técnicos que entendem do riscado. Pode ajudar no que houver em demanda. Mas se der certo conforme imaginado pelos que o anunciam, enterrando centena de bilhões numa rede espraiada que só resolverá um dos problemas, na verdade vai dar errado.

Parece uma sina brasileira: estamos condenados a dar errado até quando dá certo.

 
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