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Se segura, freguesia

Numa coluna recente o Antônio Prata meteu: não sou burro, sou inteligente, mas sou trouxa. Já o elogiei e peço licença para me filiar ao partido dos trouxas inteligentes, até porque é urgente fazer oposição aos burros espertos.

Uma vez filiado, e sendo democrático o partido, meto eu meu palpite: como ninguém é esperto o tempo todo, cabe a nós, trouxas, a inteligência de esperar o momento adequado para ação.

Não quero nominar, até porque no momento é inútil, mas tem um burro esperto aí com popularidade alta. E como burro não sou, já entendi que é inútil ficar atazanando seus seguidores com ideias arrazoadas.

É triste e sufocante ter que esperar enquanto as pessoas morrem, as matas, os bichos e o filme queimam. É desesperador. Mas sinto que o inverso é igual tentar apagar fogo alto soprando. Isso poderíamos ter feito quando era uma vela. Agora resta tentar ajudar quem está em perigo, espancar a situação com humor – obrigado, Adnet, obrigado, Molière – e esperar que a esperteza consuma o burro mor.

Se eu estiver errado, que pague por tanto. Mas junto com a vacina contra o coronavírus, não há nada que eu queira mais e, não podendo ajudar com uma, penso muito na outra. E acredito que há uma semelhança fundamental entre ambas: assim como a vacina que mata o vírus é feita de vírus atenuados, o que pode matar o projeto do burro esperto mor são os burros espertos mores atenuados.

Muitos deles já passaram para a fase de testes: Gustavo Bebianno (descanse em paz), Paulo Marinho, Alexandre Frota, João Doria, Gal. Santos Cruz, Gal. Santa Rosa, Major Olímpio, Sérgio Moro, Joice Hasselmann, MBL, Henrique Mandetta, Nelson Teich, Wilson Witzel, alguns blogueiros, outras celebridades, umas tias do zap, de quando em vez Olavo de Carvalho, de vez em quando Paulo Guedes.

Com a ditadura militar foi assim. O frisson inicial e mentiroso contra o Jango logo custou caro. Boni contou ontem no Roda Viva como era duro trabalhar sob censura. O Estadão foi duramente perseguido. Carlos Lacerda, exilado. Senhoras católicas viram seus filhos presos, arrebentados e dados como desaparecidos. Mas no final das contas quem acabou com a ditadura foi a própria ditadura, por fim falida e humilhada.

Gostaria de vir publicar mais o que tenho visto, mas estou cansado, preciso mesmo de um respiro. Gostaria de falar da curiosidade que é ver pelas ruas as pessoas que andam isoladas usarem máscaras, e as que saem acompanhadas ou se aglomeram, não.

Falaria da solidariedade em reconhecer em estranhos amigos de esforço de isolamento social, bufando sob a máscara, com a ponta do tênis ou as roupas manchadas por gotas impertinentes de cândida, ou de poder agradecer o esforço de quem está na linha de frente e continua, bem e saudável, sobrevivendo à pandemia. Olha, vale por um abraço.

Mas preciso mesmo desse respiro. Vou passar este restinho de ano estudando com a ajuda de gente muito querida e trabalhando conforme minhas possibilidades, mais focado no que paga boleto diretamente.

Fica bem, freguesia.

 
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