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O dilema social ou o Renascimento 5.0

Filme mais comentado do momento, O dilema das redes, documentário em cartaz no Netflix, reúne depoimentos de diversos ex-executivos das grandes empresas que trabalham as chamadas redes sociais.

No original, em inglês, o título é melhor: The Social Dilemma, ou O Dilema Social, porque é antes da sociedade do que da tecnologia das redes que a obra trata.

Do ponto de vista da tecnologia não tem qualquer novidade para quem presta atenção nos problemas do mundo, a não ser a reunião autocrítica de diversas vozes responsáveis pela programação dos algoritmos que teceram as redes.

Tampouco há novidade do ponto de vista do modelo de negócios. Outras indústrias fizeram coisas semelhantes com a humanidade. Automóveis, energia, cigarros, finanças, cinema, música, moda, sexo, cosmética, alimentos, religião, autoajuda, turismo etc. A lista é infindável. Insisto: noves fora a velocidade e a potência das redes, nada de novo. Programadores dizendo que não deixam suas crianças acessarem as redes repetem as falas dos lobistas do tabaco.

A grande novidade, que é a grande oportunidade, é a deflagração do debate ético sobre o que foi feito. É nele que devemos nos concentrar. E não importa quão ricas e poderosas essas empresas são. Se orgânica e psicologicamente nos tornamos dependentes delas, empresarialmente elas é que dependem da gente. E sim, enquanto sociedade devemos e podemos interferir, diretamente e cobrando os governos, posto que somos parte do problema e trabalhamos todos para elas.

Trabalhamos não só gerando conteúdo. Na última década, a cada vez que respondemos a um Captcha para provar que não somos robôs, ensinamos um robô a ler e escrever, inclusive em garranchos, e este, já alfabetizado, hoje vale bilhões de dinheiros. Agora estamos ensinando a andar, reconhecendo para semáforos, pontes, escadas, faixas de pedestres. Os veículos autônomos dependem do nosso trabalho.

Também estamos ensinando a conversa. Cada vez que usamos a Siri ou a Alexa, o robô aprende palavras e sentenças novas.

Quer dizer, as empresas tratam da tecnologia, mas são os usuários que entram com o capital humano. Somos sócios, portanto. E tal condição não significa só poder. Significa responsabilidade, dever.

Sem preocupação em dar spoiler, a conclusão do filme é pela urgência do reestabelecimento do conceito de verdade. Falo por mim: só rompi relações pessoais com quem nega a verdade. Gosto da divergência e da crítica. Não saberia viver sem elas. E aguentei bem as lendas sobre manga com leite, verruga no dedo de quem aponta para a lua, e até a desconfiança sobre o homem por lá ter pisado.

Mas não suporto quem nega dados de satélites sobre queimadas, diz que vacina é feita para espalhar doença, afirma que fulano não disse o que disse. Nem dos terraplanistas consigo mais rir.

Palpites para concluir: posto que nos tornamos orgânica e psicologicamente dependentes das redes sociais, psicólogos e psiquiatras precisam se coçar para ver os tratamentos possíveis.

Se o modelo de negócio depende do caos, este precisa ser revisto. E não só ele, mas todos. Destaque para um ponto levantado por um dos depoentes: como podem baleias e árvores valerem mais mortas do que vivas? Financistas, se cocem.

E, como o debate urgente é sobre ética, potência e velocidade, e o problema maior é reestabelecer a verdade, o desenrolar da fita é tarefa para a turma da filosofia. A proposta é um Renascimento 5.0, 6G, ou como queiram chamar. Mas é urgente.

 

 

 

 

 

 

 
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