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Lula livre, Flávio leve e Queiroz solto

O grito Lula Livre surge antes do cárcere. Não tenho certeza se já naquela controversa condução coercitiva ou se, quando da sentença decretada, o ex-presidente se encastela no Sindicato dos Metalúrgicos e, amparado por um cinturão de solidariedade da militância, resiste à prisão.

Hoje, porém, o grito prescreveu. Mas antes pelas revelações da Vaza Jato do que pela recusa de Lula em aceitar a progressão da pena para o regime semiaberto recomendada pelo Ministério Público.

O Lula Livre, que nasce parecendo afronta à Justiça, deveria se adequar à conjuntura. Como agora sabemos que Justiça não houve no processo que o condenou, em defesa do Estado de Direito o slogan deveria ser A Lei é para Todos – Justiça para Lula.

Falo com a convicção pessoal de que Lula autorizou José Dirceu operar o mensalão em seu governo e foi lobista de empreiteiras durante o governo Dilma Rousseff. Mas o que eu acho não vale nem pode valer nada. Quem tem que falar é o Ministério Público e a Justiça – e nos autos, não em súcia pelo telegram.

O Lula Livre prescreve também porque o próprio se recusa a cumprir  pena em regime semiaberto, ou semi-livre, como defende o Ministério Público, alegando entre outras coisas bom comportamento. Ora, se merece estrelinha de bom comportamento um preso que diz em entrevista que o ministro da Justiça e um Procurador da República são bandidos, das duas uma: ou o MP concorda que Moro e Dellagnol são bandidos, ou liberou geral para os 720 mil presos brasileiros. Que digam o que quiserem na cara das autoridades.

Juristas defendem que a rigor Lula não pode recusar a progressão. Mas ressalvam que, na falta de norma para o uso consensual da tornozeleira eletrônica, se a justificativa para recusar vier por aí, ninguém sabe como proceder.

A situação é nova no Brasil. Mas em Portugal o ex-primeiro ministro José Sócrates fez exatamente a mesma coisa. Amigo e colega contemporâneo de Lula, Sócrates ficou preso por suspeitas de crimes fiscais por lá chamados branqueamento de capitais, e se recusou a sair com a condição do acessório. Amargou nove meses de cana temporária, mais um mês em domiciliar e hoje aguarda julgamento em liberdade.

Curiosamente simultâneo ao carnaval fora de época do MP, avança o caso Flávio Bolsonaro / Fabrício Queiroz no Supremo Tribunal Federal. Se durante o recesso da corte o presidente ministro Dias Toffoli suspendeu monocraticamente a investigação sobre o varão dos Bolsonaro, na sexta-feira passada o sobrevivente Gilmar Mendes confirmou a decisão e adiou qualquer decisão para 21 de novembro, quando casos semelhantes devem ser julgados em plenário.

A questão central é o uso de informações obtidas pelo antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) a pedido do Ministério Público sem a Justiça por entreposto. A prática foi corriqueira durante muitos anos, tem gente presa com base em processos semelhantes, mas agora e por ora, a pedido da defesa de Flávio 01, que se reúne com o papai da República fora da agenda oficial, resolveu-se dar um breque.

É improvável que lá em novembro o Supremo decida que vale continuar o processo com base nas evidências obtidas sem observação da burocracia combinada. E, caso o MP faça nova investida respeitando todo o tramite, não encontrará mais o COAF, que foi extinto por Jair Bolsonaro e Paulo Guedes.

Memória: Bolsonaro chegou a transferir via medida provisória o COAF para o ministério da Justiça, de Sérgio Moro, mas a MP acabou caindo no Congresso e  o Conselho voltando ao ministério da Economia, de PaGue, numa “derrota de Pirro” para o governo, posto que naquele então já era evidente o atrito entre Bolsonaro e Moro. Inclusive Roberto Leonel, parceiro de Moro na Lava Jato e seu indicado para presidir o COAF, foi mandado para o microondas. De volta à pasta da Economia, em nova MP o governo transformou o Conselho o em Unidade de Inteligência Fiscal (UIF), e transferiu o órgão para uma erma repartição no Banco Central, com suposta autonomia técnica, ainda que as nomeações, tanto na direção do BC quanto na UIF, sejam políticas.

Com esforço de boa vontade, o copo meio cheio disso tudo pode ser uma retomada da institucionalidade. O meio vazio é o desprezo da sociedade pela institucionalidade, que continuará berrando contra seus malvados prediletos e a favor de seus suspeitos de estimação.

 
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Sociedade apodrecida

O sincericídio moral do ex-Procurador-Geral da República, que contou em entrevista de pré-lançamento de seu livro ter ido armado ao Supremo Tribunal Federal para assassinar um ministro e então suicidar-se rendeu nas minhas redes reações assustadoras – porém infelizmente previsíveis se olhadas com frieza.

Contou o celerado que, para honrar a reputação da filha, que teria sido vítima de fofoca de um ministro, o macho progenitor meteu uma pistola na cinta e partiu decidido. Já no café do Palácio do STF ele se vê sozinho com aquele que seria seu alvo. Destro, saca a arma e a engatilha. Porém o nervosismo paralisa o indicador direito que premeria o gatilho. Determinado, ainda tenta com a mão esquerda, que também falha. Chabu físico que evitou uma tragédia sem precedentes.

Como se não bastasse a notícia, verdadeira ou mentirosa, fui obrigado a ler não poucos nem isolados comentários lamentando a inconclusão do atentado. Sim, gente tida como equilibrada e sensata despudoradamente escrevendo que era uma pena Rodrigo Janot não ter passado fogo em Gilmar Mendes.

Um desavisado poderia suspirar: a que ponto chegamos! Só que não. Tal visão de mundo está mais entre nós do que gostaríamos de imaginar quando nos supomos civilizados.

Puxe pela memória. Quantas pessoas da sua convivência defendiam o trabalho do Esquadrão da Morte? Quantos celebram a carnificina no Carandiru? Quantos repetem, sem receio de parecer um facínora, que Direitos Humanos devem se restringir a humanos “direitos”?

Daí para a defesa dos contemporâneos “excludente de ilicitude” para agentes da Lei que matarem sob “surpresa ou violenta emoção”, ou para sentenças baseadas em processos viciados, com juiz e procuradores atuando em súcia, ou prolongadas prisões preventivas sem julgamento, ou o perdão a amigos corruptos confessos, o que temos é só um ajuste de discurso sob o mesmo caráter – ou a falta dele.

O “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, o “sabe com quem está falando?”, o “manda prender, manda soltar”, o “para os amigos, tudo, para os inimigos, a Lei” estão entre nós, completamente entre nós.

Tão triste quanto inócuo é argumentar com essa gente. Lembrar que sem Justiça e respeito ao Estado de Direito ninguém, absolutamente ninguém está seguro tem efeito igual a zero ou mesmo negativo. A hipocrisia alimenta as convicções de conveniência e eleva o tom dos falsos moralistas. Não por acaso, na minha experiência pessoal os verdugos mais implacáveis costumam ser notórios vigaristas, que se apoiam no senso comum que elege inimigos públicos para entrar de penetra nos convescotes da chamada “gente de bem” – onde costumam ser bem-recebidos na base do “inimigo do meu inimigo é meu amigo”. E assim apodrece a sociedade.

 
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Não vale por um bifinho

A chef Paola Carosella tuitou contra a pasta de plantas que despudoradamente vem sendo chamada de hambúrguer. Como de costume lá no perfil dela, rendeu perdigotos mil.

Nutro profundo respeito pelo hambúrguer e toda comida de pobre. São as grandes vitoriosas da história culinária, junto com feijoada, cassoulet, paella, vichyssoise, risotto, quibe, açorda, pasta alla norma, embutidos todos e demais variações do que aqui já está, não à toa, umas variações das outras.

Quer dizer, se não tem bife para todos, comam hambúrgueres. Não há lombo suficiente? Salsichas, linguiças. O baronato comprou os filés dos peixes, os tentáculos dos polvos, dispensou as cabeças dos camarões? Os pés, pescoço e carcaças da galinha? Façamos caldos e neles vamos cozinhar os vegetais do quintal e algum carboidrato. Delícia!

De tão gostosas e populares essas receitas conquistaram todas as classes sociais. Em muitos casos se refinaram a ponto de perder a identidade. Caso da feijoada dos anos 1980, que surge separada em cumbucas: paio, linguiça portuguesa, costela, carne seca, lombo etc. E, lá no canto, algo marginalizada, a cumbuca do fetiche: pé, rabo, orelha.

Com efeito, muita gente fazia um prato de arroz, feijão, farinha, laranja, couve, torresmo e, se lá, carne seca, e supunha estar comendo feijoada. Não estava. Mas acreditava.

Como o ser humano não reconhece limites, surgiu a feijoada light e depois a vegetariana. Feijoada vegetariana! Ninguém protestou. Irresponsavelmente deixamos passar. E o que temos hoje, com a volta da feijoada completa na mesma panela, é gente dizendo que prefere feijoada só de carne seca.

A rigor é o mesmo que chupar limão e acreditar que bebeu caipirinha. “Ah, prefiro a minha assim, sem cachaça nem gelo, e muito menos açúcar.”

Ora, precisamos chamar as coisas pelos nomes certos e reconhecer o que elas são, respeitar suas histórias. Essa onda do “hambúrguer” de planta não é propriamente novidade. Já tínhamos de porco, frango, peixe e até de soja. Nada disso é hambúrguer. Que esteja à vontade quem quiser aderir, mas tenham a bondade de criar também um nome, não só uma molécula sigilosa que supostamente repete o gosto do sangue do boi na boca.

Talvez o mundo não consiga produzir morangos para todas as pessoas. Paciência. Ou talvez quem gosta muito de morangos se disponha a plantar alguns num canteiro em casa. Oxalá! Mas não me venham dizer que bolachas ou biscoitos (uma polêmica por dia basta) recheados com sabor artificial de morango é morango, porque não é, assim como “hambúrguer” de planta não é hambúrguer.

Na impossibilidade de servir bife de contrafilé com dois dedos de altura para cada ser-humano, o hambúrguer até vale por um bifinho. Mas o Danoninho não vale, nem por bifinho, nem por morango, assim como seu primo ultra processado  de planta pode valer por outra coisa qualquer, mas por hambúrguer, não.

 
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Do Super Trunfo ao Super Tinder ou como estou velho

Na minha infância havia um jogo de cartas chamado Super Trunfo. Era para a gente brincar enquanto se apaixonava por carros. Cada carta trazia a imagem de um modelo e a ficha técnica, que determinava a prevalência de uns sobre os outros e definia o resultado.

Apesar de nunca ter sido adepto, igual a todos os nascidos no século 20 me apaixonei por automóveis, motores etc. Cheiro de combustíveis nos animava. O melhor de todos no meu nariz era o WD-40 e curiosamente ainda é. Digo, recentemente a curiosidade foi desfeita: ele é feito de óleo de peixe, e tudo que vem do mar me anima. Basta eu me aproximar de uma banca de peixes, moluscos e crustáceos para que a alegria surja dentro em mim.

Me desapaixonei por carros há uns dez anos ou mais. Parece definitivo. Ontem olhei um Porsche, para mim o desenho mais bonito de todos, e pensei: ai que preguiça! Lavar, estacionar, abastecer, dirigir. Carro dá muito trabalho. Passo.

É divertido na escola ver como a molecada nascida já no século 21 não se importa com automóveis. É comum ouvir deles que sequer habilitação querem tirar. É um mundo novo que aparentemente veio para ficar.

Mas eles continuam se divertindo com jogos semelhantes ao Super Trunfo. Porém, mais interessante, as cartas são fotos de colegas pelados, os chamados nudes. Seria o Super Tinder.

Mais divertido ainda é ver como meninos e meninas se comportam ao receber as imagens. Eles, orgulhosos, exibem as peladas para os amigos, que trucam com outra pelada. Já elas…

Outro dia no café eu ouvia uma roda feminina falando dos matchs no Tinder. (Alguém da oposição poderá dizer que sou abelhudo, mas na academia chamamos isso de “pesquisa de campo”.) Recomendavam os caras legais e gostosos umas para as outras, sem traço de ciúme.

Logo a conversa escalou para os nudes, que elas também compartilham. Com uma diferença: rolam de rir com as fotos de pintos e peitos inflacionados.

Me lembro do primeiro e talvez o único nude que recebi. Meu celular era o Motorola Pebl, melhor design de todos os tempos. Saudosa memória a não ser pela baixa memória e velocidade de processamento. Era de uma jovem senhora mineira que eu havia conhecido no São Pedro São Paulo. Chegou no sábado seguinte ao nosso encontro. Problema: em Itatiba e com celular analógico, foram necessárias umas duas horas para chegar o corpo todo, meia hora só para o peitinho.

Hoje duas horas são suficientes para se conhecer, dar match, namorar inclusive biblicamente e chamar o uber para nunca mais.

Definitivamente estou velho.

 
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Obrigado, Tereza

Clichê mas sempre divertido: alguém volta do Oriente Médio, fala das belezas das paisagens, das mulheres, da arquitetura, tanta história, comidas deliciosas, costumes, pechincha nos mercados, tapetes etc. E não demora vem o caso da oferta de tantos camelos pela gatinha da excursão. Não falha. Só varia a quantidade de camelos que, logo, alguém passa a tentar contabilizar.

Meus algoríntimos trouxeram os tantos casos conhecidos enquanto eu lia sobre o périplo da ministra Tereza Cristina, da Agropecuária e Abastecimento, pelo Egito, Arábia Saudita, Kwait e Emirados.

Que luta. Uma senhora refinada, cosmopolita e poderosa tendo que lidar com autoridades masculinas de países que, para além de nós sul-americanos, mais do que viverem sob o atavismo do machismo, ainda o alimenta. Como no caso da ditadura saudita, cuja política social mereceu do Guga Chacra n’O Globo a definição de “apartheid contra mulheres”.

Mas o fato é que ela voltou bem e com notícias alvissareiras. Ao quinto equivalente ao que já compram do nosso agro, eles topam mais lácteos, frutas, mel e castanhas, e há interesse de lá em obras de infraestrutura de cá, o que une a melhor dupla da Esplanada, Tereza e Tarcísio, ministro da Infraestrutura.

Lembrando que, por conta das trapalhadas do governo atual quando ainda eleito, os egípcios cancelaram as conversas com a delegação brasileira que já contava com empresários brasileiros hospedados no Cairo. Quando os grandes anfitriões da história tratam assim seus convidados é porque o troço azedou. Então palmas para ela.

Sim, Tereza Cristina foi apelidada de “Musa do Veneno” e a alcunha pegou. Eu arrisquei Imelda Marcus dos pares de óculos, sem êxito. A melhor de todas e para mim definitiva é da lavra da Consuelo Dieguez, que perfilou a ministra para a revista Piauí: Agrobombeira. Pois é, no Brasil de 2019 a melhor interlocução dos ambientalistas com as autoridades federais se dá através da pasta da Agropecuária.

Sobre o apelido venenoso é fundamental destacar o estudo que a repórter Consuelo Dieguez reproduz na Piauí. Rodrigo Fracalosi de Moraes, do IPEA, é pesquisador especializado em relações internacionais e regulações, e tem um relatório fresco sobre regulação de pesticidas.

Aos fatos: “no Brasil a quantidade de pesticidas por área cultivada é inferior a que é usada nos demais países do Mercosul, na China, no Japão e na Itália.” (Na IItália!) No caso do milho, estamos dentro do padrão dos países chamados desenvolvidos. Em glifosfato, vilão mor, usamos o mesmo que Europa e Japão e menos do que os Estados Unidos.

Doutro lado, estamos sim ampliando o uso de defensivos em números absolutos e na proporção por habitante, o que nos coloca na contramão da tendência global. Porém, considerando que estamos nos desenvolvendo aceleradamente e que o clima tropical, se traz o bônus de duas safras anuais na terra onde tudo dá, inclui o ônus de dar muita praga também. Por aqui tudo tem mais facilidade para prosperar: banana, aipim e outros bichos.

Para além disso há uma questão cultural. Sei de casos fantásticos de agricultores que, agora, na quarta ou quinta geração da família dedicada à terra, conseguem transformar os negócios e chegam a plantar em cooperativa até cem mil alqueires de soja orgânica com permacultura e agroecologia, que só cede ao ajuste de solo via micronutrientes. Aliás, no Rio Grande do Sul, os novos melhores amigos são os aristocratas arrozeiros e os assentados do MST, que ficaram ricos apostando em orgânicos.

Igual a tudo na vida, a maior resistência vem do médio-clero. A agricultura familiar, até por meter as próprias mãos na terra, procura ser a mais pura possível. E os grandes produtores, de olho do mercado internacional, querem a mesma coisa por pragmatismo. O diabo é o sujeito que mora num apartamento em Araçatuba e tem três mil bois num pasto pobre a perder de vista no Pará. Aí é fogo e correntão. Mais ou menos como no Exército. Os generais são moderados, assim como os soldados que não querem ir para a guerra. Mas vá consultar a opinião do tenente-coronel. Fogo! Aço!

Hoje, ainda de ressaca pelo discurso do presidente da República na ONU, direcionado não ao mundo e ao Brasil, mas a seus laranjais de Rio das Pedras e bananeiros do Vale do Ribeira, eu lia a matéria do Hugo Passarelli, que ouviu diplomatas para o Valor. As opiniões são unanimes: foi desastroso. Rubens Ricupero foi taxativo: se havia esperança em ajustar o solo para retomar a lavoura conjunta entre União Europeia e Mercosul, ela desapareceu nesse discurso.

Uma lástima que só aumenta minha vontade de agradecer Tereza Cristina pelo esforço. Antes dos Árabes, a tataraneta de Quintino Bocaiuva enfrentou e venceu outra parada dura. Aos 65 anos e obviamente doida de saudades do neto que vive em Nova York, ela colocou a serviço do Estado Brasileiro seu 1,56 metro de altura para ir a Bruxelas finalizar o acordo UE-Mercosul, para o qual só faltava acertar o agro. Do outro lado da mesa estava o comissário para Agricultura da União Europeia Phil Hogan, um irlandês de quase um metro e cem de estatura, que pretendia um gatilho protecionista para soja em caso de denúncia sobre área desmatada, mesmo sem prova científica. Sob o risco de, para salvar a parte, botar a perder o todo, que vem de anos, a ministra colocou o borzeguim na porta e deixou claro: daqui pra lá – o ônus da prova deve ser de quem acusa. Elementar. Foi duro, mas colheu. Pena é ver seu chefe completamente alheio às responsabilidades do cargo.

Pensando bem, para quem trabalha em Brasília entre Jair Bolsonaro e Nabhan Garcia, negociar com machistas sauditas e irlandeses de dois metros de altura deve ser um passeio no pomar.

Obrigado, ministra Tereza. Só reveja a posição sobre o CONAMA. Cem membros para um conselho nacional não é muita gente. A própria bancada ruralista tem entre cem e duzentos membros e consegue se entender.

 
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Marcos Azambuja Brasileiro de Almeida Jobim ou minha galera para uma Assembleia Geral da ONU

Nosso embaixador Azambuja é o Tom Jobim do Itamaraty. Figura simpática, leve, carioquíssima e marcada pelas lindas gravatas borboleta, muito provavelmente foi amigo do maestro soberano Antonio Brasileiro.

Ainda no ano passado ele falava ao Roberto D’Ávila da preocupação em ver o Brasil descambando para o exagero e o escândalo: se há uma subtração, gente moderada anota “desfalque”. Tinha razão o diplomata. Não é da nossa tradição e em pouco tempo chegaria a fatura. Chegou. Encharcado de perdigotos tóxicos, o atoleiro em nossa terra não para de aumentar. É a lama, é a lama.

Gente ordinária como eu tende a reagir desesperada quando se vê atolada. Patinando, tendemos a meter o pé. Mas a razão e a experiência ensinam que não se sai do atoleiro com força – muito pelo contrário, a tendência é atolar mais.

Daí a importância da diplomacia. No sábado, mestre Azambuja usou O Globo para dar uma aula sobre a história da participação brasileira na Assembleia Geral da ONU. Desde sempre tivemos destaque e abrimos a rodada, merecendo atenção raramente dispensada a países coadjuvantes no cenário internacional. Devemos a posição a vários fatores, entre eles a sorte de ter um filho chamado Oswaldo Aranha.

No artigo, Azambuja vai ao fato: “Todas as ofensas recentes não nos renderam nada, e o custo não tem sido pequeno.” Lembra que “O mundo tem uma certa ideia do Brasil que não é, em seu conjunto, uma ideia desfavorável.” E arremata: “O mundo anda com saudades do Brasil.”

Impossível não lembrar do Tom “eruditinho” em sua magnífica canção homônima. Brasileiro que não chora ouvindo precisa ser estudado. Ser humano que não chora precisa.

Saudades do Brasil foi usada como trilha em um documentário sobre o Amyr Klink. Muito apropriada para quem se mete a ficar um semestre encalhado no gelo. Que grande encontro entre música e fita! Fosse eu delegado brasileiro a uma dessas assembleias, pediria carona ao Amyr e viajaria à vela, como fez a notável sueca Greta Trunberg.

Aliás, aqui há outro grande encontro. Nosso Azambuja foi coordenador da ECO-92 no Rio de Janeiro. E o Tom, ambientalista desde os tempos de menino em seus passeios pela Floresta da Tijuca, namorando os passarinhos, ou já entrado nos anos contemplando o Jardim Botânico, com o filho Paulo faria Forever Green nos dois anos seguintes, que gravaria com a filha Maria Luiza em anos verdes como seus olhos cor de chuchu.

Pois esta seria minha delegação para uma Assembleia Geral da ONU. Da Marina da Gloria, aquele paratizão de cem pés do Amyr zarparia com o próprio no timão, e Azambuja e Marilu integrando uma galera bem brasileira, de modo que, ao entrar a todo pano pelo Hudson, matássemos a saudade que o mundo está sentindo do Brasil. Ainda no cais, receberíamos os amigos para um filé a Oswaldo Aranha a bordo.

 
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Ágatha e Greta ou Greve geral pelo reconhecimento

É impossível, sobre-humano, organizar os sentimentos e a razão ante o assassinato da menina Ágatha Félix. Se um pequeno furto é capaz de abrir nossa caixa de ódio íntima, despertando o que há de pior em nós, ter uma criança assassinada por quem deveria protege-la é de amargar, desesperar, escarnecer.

Daí que as anotações que seguem poderão parecer desconectas, mas foram as que surgiram em mim nesses dias.

Com a política de chuva de chumbo sobre favelas (eleita, diga-se) no Rio de Janeiro, os algoritmos nas redes vão trazendo coisas que acabam se naturalizando. Por exemplo o vídeo gravado por um PM que aborda dois homens em uma motocicleta. Motivo: carregavam um tripé para microfone. Segundo a autoridade, ambos não podiam fazer aquilo naquele lugar, sob risco de serem metralhados.

Ora, favelas são ambientes musicais. Do samba ao funk, passando por orquestras eventuais, a música está presente em todas elas. Deve ser comum gente carregando esse tipo de equipamento. Mas para a PM de Witzel é uma provocação, porque lembra um fuzil.

Me lembrei da minha adolescência. A moda era paintball, jogo de tiroteio com bolas de tinta que eu adorava lá pelos quinze anos. E andava por aí, no caminho da escola, com as armas que se pareciam muito com as de verdade, de fogo, sem qualquer problema. Disparava de dentro do carro contra placas. Entrava com uma em cada mão no Edifício Itália, onde ficava o escritório do meu pai. Nunca ninguém deu um pio – porteiro ou polícia. Sabemos por que.

Lembrei também do atentado ao Charlie Hebdo. Na fuga os terroristas encontram uma viatura de polícia e saltam do carro partindo para o ataque. O que faz a polícia? Recua, claro. Polícia comum não está para combater gente armada com fuzil.

Com o enfrentamento evitado os terroristas fugiram e mais tarde foram acuados e mortos em combate com as forças especializadas. Fosse no Brasil, o combate seria já naquela primeira viela, com alto risco a inocentes e mesmo aos policiais – que são os que mais matam e os que mais morrem no mundo.

Alguém há de dizer que em Paris não há gente passeando pelas ruas com fuzil na mão. É verdade. Como também é verdade que a maior apreensão de armas da história brasileira e quiçá mundial se deu recentemente sem nenhum tiro disparado, só trabalho de inteligência.

Eram do Ronnie Lessa, policial militar e miliciano, morador da Barra da Tijuca, vizinho e ex-consogro do presidente da República. 117 fuzis novos. 117 e nenhuma bala voando.

Lessa é acusado de assassinar Marielle Franco e Anderson Gomes. A vereadora ganhou projeção nacional e internacional depois de assassinada. Mas só depois de assassinada. Exatamente como a pequena Ághata Félix. Sabemos por que.

Bem diferente é a posição de Greta Thunberg, a pequena notável que lidera a greve das escolas pelo clima no mundo. Ter aprendido inglês tem ajudado seu ativismo, que começa no parlamento Sueco e chega à ONU. Ágatha também aprendia inglês, mas de dentro da Kombi de seu avô, nas vielas do Complexo do Alemão, só seria ouvida depois de morta. Sabemos por que.

Em tempo: Wilson Witzel venceu as eleições no Complexo do Alemão. Quando uma comunidade escolhe eleger seu algoz, como que num suicídio coletivo, é evidente que precisamos parar tudo e conversar.

A paralisação nas escolas das favelas cariocas já acontece e amiúde. Sempre que surge o zepelim do Vitzel, com dois mil canhões assim, crianças se amontoam sob a primeira laje. Antes que estas virem sepulturas coletivas, paremos tudo. Greve geral pelo reconhecimento.

 
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Carta aberta de desculpas a João Amoedo

Devo desculpas ao João Amoedo. Na semana passada, para rebater o perverso discurso da negação do financiamento público da Democracia, incluindo os fundos partidário e eleitoral, principalmente encampado pelo partido Novo, usei dados errados e acabei o ofendendo. Quero me retratar.

Escrevi que parte da invejável fortuna do ex-banqueiro se devia a ganhos auferidos na fusão entre Itaú e Unibanco, mais tarde perdoada em R$ 26 bilhões pela CARF. E, na verdade, não há evidências de que ele tenha se beneficiado.

Aos fatos: em 2002 o Itaú compra por R$ 3,3 bilhões o BBA-Creditanstalt, banco de investimentos que era dono da Fináustria, empresa de financiamento de automóveis administrada por Amoedo, que detinha aproximadamente 1/5 das ações da financeira.

Após breve período “no mercado”, como se diz, Amoedo vira vice-presidente do Unibanco e, em 2005, eleito membro do conselho administrativo do banco, deixa as funções executivas.

Em 2008 vem a fusão entre Unibanco e Itaú, quando Amoedo resolve deixar o banco por questões pessoais. Mas volta ao grupo eleito membro do conselho administrativo do Itaú-BBA, empresa de investimentos apartada da área de varejo, onde permanece até 2015 e vai cuidar do próprio dinheiro.

Depois vem o partido Novo e a história é conhecida. Logo, os únicos indícios de que Amoedo poderia ter ganhado ainda mais dinheiro na fusão entre Itaú e Unibanco mora na possibilidade dele ter mantido em carteira as ações do Itaú que recebeu com a venda da Fináustria, ou como VP do Unibanco ter comprado algumas ações da instituição na base da diplomacia “veste a camisa” – praxe entre alguns executivos, posto que, ao contrário do Itaú, os membros da diretoria do Unibanco não são estatutários, isto é, não assalariados e remunerados em ações / resultado. Porém, Amoedo afirma que não detinha tais ações. Então, João, mais uma vez, me desculpe pelo erro.

Para encerrar, se me permite, insisto que a Democracia é tão importante quanto Educação, Saúde, Segurança etc, notadamente porque é o que as une, e o financiamento público é o que promove o mínimo de igualdade para que ela aconteça.

E não é verdade que o Novo não use dinheiro público. Nas eleições de 2018, mesmo sem representação na Câmara Federal, a legenda teve cinco segundos no horário gratuito de rádio e televisão – que, sabemos, de gratuito não tem nada, porque custa aos pagadores de impostos tanto quanto os fundos eleitoral e partidário. Em 2020 o Novo terá muito mais tempo e deve usar, em que pese ele não estar diretamente ligado ao exercício dos mandatos conquistados.

 
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Se não tem pontes, Moisés abre as águas

Advogado, mestre em Direito e coronel PM da reserva do Corpo de Bombeiros, Carlos Moisés, governador de Santa Catarina eleito pelo PSL com 71% dos votos, merece ser seguido em todos os sentidos.

Em agosto falou à repórter Paula Sperb da Folha de S. Paulo e desde então presto atenção, por motivos óbvios: já na campanha eleitoral o correligionário daquele que seria eleito presidente da República afirmou que não seria um mini-Bolsonaro – ao contrário dos tucanos João Doria e Eduardo Leite, do novista Romeu Zema ou do sei lá o que Witzel, que surfaram na aproximação.

“Muita sandice” foi o adjetivo escolhido para classificar as torcidas organizadas dos extremos nas redes e nas ruas. Sobre preconceito contra grupos indígenas ou LGBTs, enfatiza que o Estado tem que se aproximar de todos e, talvez, crie um programa de psicanálise para curar discriminadores – depois do talvez é impressão minha e vou dizer porquê.

O Governador incentiva a agricultura orgânica e afirma: “se precisar busca-los em casa para comercializar no ceasa, eu vou.” E taxa agrotóxicos: “Qualquer pessoa que saia do padrão mediano, que raciocine um pouco, vai entender que não se pode incentivar o uso”/ “Não há níveis seguros para resíduos”/ “Não proíbo, mas não taxo – é meu compromisso com o meio ambiente como cidadão e pai de duas meninas”.

Se não ficou claro o porquê da minha impressão de que ele entende o papel do Estado e não se furta em usar sua força pelo desenvolvimento, acrescento o tuíte de ontem: O Estado vai assumir o Terminal Pesqueiro de #Laguna. Vamos transforma-lo em um gerador de desenvolvimento, emprego e renda na região.

Impossível negar que é uma fala corajosa hoje em dia, dada a volúpia com o Estado Mínimo. O quinhão liberal desta freguesia deve estar inteiro arrepiado. Mas que fazer depois de tantos anos de crise econômica e o medo da iniciativa privada em investir? O Estado vai lá e sacode.

Santa Catarina deve ser campeã em fazendas de ostras e camarões e a pesca é importantíssima não só para a região como para o Brasil inteiro, com essa imensa, calma e rica costa desperdiçada.

Até o final do século passado Laguna era um ermo, região abandonada. O cenário só começou a mudar quando o professor zootecnista Edemar Roberto Andreatta, da UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina atentou para as possibilidades de criar por lá fazendas para criação de uma espécie de camarão.

Numa bela parceria com a Yakult, que além de fazer aquele leitinho com lactobacilos vivos já explorava a cultura de camarões, a UFSC recebeu da empresa uma área que virou a fazenda experimental Yakult/UFSC e transformou a região em coisa de três anos.

Vejam que beleza: cientistas, universidade federal, iniciativa privada e governo, juntos, cooperando, mudaram uma realidade de dois séculos de abandono e atraso. Se por um fator conjuntural soluçou, o Estado volta para dar uma força.

Avante, governador Moisés! Se as pontes estão difíceis, abra o mar, separe os radicais e então, como bom bombeiro, mande água para esfriar os ânimos. Quando voltar a bonança teremos muitas ostras e camarões e gente contente para celebrar.

Atualização: conteúdo editado para incluir lista de governadores eleitos que surraram a onda bolsonarista.

 
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João do sofá, João do Coco e a Democracia

O PSDB nasceu “longe das benesses do poder e perto do pulsar das ruas”. É um fato, tão claro e evidente como o caminho inverso que trilhou nos trinta anos desde então. Quer dizer, apegou-se às benesses do poder e se afastou das ruas.

É a genética do MDB, que tem mais ou menos a mesma história, só que mais vigorosa, surgindo como uma frente ampla e corajosa de oposição à ditadura militar e, portanto, completamente afastada do poder totalitário. Força esta que ainda se verifica, inclusive pela própria pluralidade, ainda que não signifique que continue a serviço de bons propósitos – muito até pelo contrário.

Já o PT é filho de intelectuais e sindicalistas e afilhado de religiosos progressistas. Cresceu forte, denso, e só perdeu viço quando engordou demais os movimentos de base ligados à legenda. Se a obesidade levou ao sedentarismo ou vice-versa, não vem ao caso. Importa que vale para UNE, CUT, MST etc. O folego, porém, foi preservado e, sob intensa malhação, é capaz que recupere a forma de outrora.

São estes o três maiores e mais importantes partidos desde a redemocratização. Têm muitos vícios e virtudes, igual a tudo na vida. E, apesar dos pesares, desde o fim da ditadura militar, governado pelos três o Brasil melhorou muito.

De uns anos pra cá a voga foi a tal nova política, charla braba, mas que pegou e tem um baluarte chamado Partido Novo.

Mais que legítimo, é louvável que um milionário tenha se disposto a criar um partido político em torno da ideologia que lhe serve. Pessoalmente gosto do João Dionísio Amoedo e admiro sua disposição em entrar na arena de peito aberto, ao contrário de tantos outros milionários que fazer política nos bastidores, na melhor das hipóteses bancando eleições ou lobby dentro da lei.

Mas é importante lembrar que o primeiro poder sempre esteve com os milionários, donde pode se dizer que o Partido Novo, ao contrário do MDB, do PT e do PSDB, nasce exatamente dentro do poder, só que do outro lado do balcão – que é o lado mais forte.

Se há alguém capaz de duvidar da força do poder econômico, note a cronologia das reformas: teto de gastos, trabalhista, Previdência, tributária, administrativa /Pacto Federativo. Fica claro que a ordem está exatamente invertida, como se determinada por alguém sentado exatamente do outro lado do balcão, lendo de cabeça para baixo.

Voltando ao Partido Novo, repito que bato palmas para o João Dionísio por ter rompido com a lógica acima. Mas tenho advertido nas redes e aqui pretendo ser ainda mais claro: parem, simplesmente parem de dizer que não usam dinheiro público e não pode Fundo Partidário. Primeiro porque é mentira. Depois porque é perverso.

O que garantiu a precoce aposentadoria do João Dionísio, numa bela combinação cem milhões de dólares no bolso mais ou menos cinquenta anos de idade, foi ser sócio do Unibanco e ter embolsado boa parte da fortuna após a fusão com o Itaú, cujos impostos, que somavam R$ 26 bilhões, foram perdoados pela União. Se isso não é um tipo de aposentadoria com dinheiro público, não sei o que é.

Muito bem. Jovem, rico e saudabilíssimo, o maratonista Amoedo corre na orla da Zona Sul do Rio de Janeiro pela manhã e, provavelmente, antes de voltar para casa e tratar do Novo, quiçá num sofá branco de plumas de ganso e com certeza sob forte ar-condicionado, bebe uma água de coco num quiosque em Ipanema. Talvez servida por outro João, o João do Coco, que por sua vez, na prática, é dez vezes mais liberal do que seu xará na teoria.

Pergunta: como faz o cara da água de coco se quiser fazer política? Pagar para fazer o concurso do Novo, impossível. Tempo para articular correligionários, menos ainda. Disponibilidade para viajar, nem que seja até Botafogo, zero. Daí que, se João do Coco tiver talento e vocação para servir ao país, precisará de um partido com mínimos recursos para uma disputa em pé de igualdade, algo vital para a Democracia.

Então, João do sofá, por favor pare. Simplesmente pare. E diga aos seus correligionários que o populismo Zona Sul já passou da conta, tanto da mentira quanto da perversidade.

Atualização: A primeira reforma, que é a Reforma Política, ficou fora da lista. Comi bola, admito. Em que pese ela não estar no horizonte do lado mais forte do balcão, e ser constante e dolosamente misturada com a bienais reformas eleitorais pelo lado político, foi falha grossa. Não tem perdão.

Atualização 2 / ERRATA: Em 2002 o Itaú compra quase toda a Fináustria, incluindo o quinto de ações que pertenciam a Amoedo. Em 2004 ele vira VP do Unibanco, cargo que ocupa até 2005 ao ser eleito para o Conselho de Administração do mesmo banco. Em 2009, um ano após a fusão do Itaú com o Unibanco, passa a integrar o conselho do Itaú BBA, ficando até 2015. 

 
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