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11 de setembro de 2018

ATUALIZAÇÃO da crônica de ontem

Rodou o Datafolha. E a alta de Bolsonaro pós-atentado mostrou que a comoção foi aquém do esperado. Oscilou de 22% para 24%. Antes do que à comoção, mais exato é atribuir a leve alta ao aumento do conhecimento gerado pelo impacto e amplitude da notícia.

A conta é simples: a sociedade repudia a violência, se solidariza com quem sofre, mas reconhece no candidato uma personalidade violenta – e também o repudia.

No segundo-turno Bolsonaro perde para todos seus adversários. E no estrato onde ele se destaca, a bolha mais rica, com maior escolaridade, perto das notícias e longe do cotidiano real e violento das favelas e periferias, não demora para outra conta surgir: se ele perder para qualquer um, a alternativa será buscar outro candidato de centro-direita capaz de derrotar o PT. Questão de duas, três semanas.

Claro que parte do seu eleitorado, aproximadamente 15% do total, é messiânico e vai encarar o deserto ao seu lado. Os outros 10% não gostam de perder. Podem ter uma rica moqueca de lagostas, vôngoles e camarões como prato principal. Mas se a farinha para o pirão do acompanhamento for pouca, vão buscar o deles primeiro. E tchau, querido. Repito: coisa de duas, três semanas. Me cobrem.

Quem pode ficar com esses 10%? Pelo menos quatro candidatos são óbvios: João Amoedo, Álvaro Dias, Henrique Meirelles e, mais distante, Geraldo Alckmin, que amanheceu com uma péssima notícia para o PSDB: Beto Richa, ex-governador do Paraná, foi preso pela Polícia Civil.

A temporada de dossiês eleitorais é de praxe e está só começando. O fato novo é que o Poder Judiciário resolveu participar. O ministro Gilberto Kassab virou réu. A delação do ex-ministro Antonio Palocci está no prelo. (Consta que abalos sismicos foram sentidos na região da Avenida Faria Lima.)

Ocorre que para o PT não muda nada. Lula é como se fosse Ronaldo Fenômeno. Pode ser pego na exposição queer museu praticando zoofilia com uma tartaruga filhote e usando um canudo de plástico que não perde um fã. Geraldo Alckmin é o Kaká: se for visto na rua cuspindo no chão decepcionará grande parte do eleitorado que lhe resta. A prisão do grão-tucano Beto Richa e o aliado Gilberto Kassab feito réu vão custar caro ao PSDB. E a virada em São Paulo, principal colégio eleitoral e reduto alckmista, com João Doria perdendo para Paulo Skaf por 1% já no primeiro turno e 9% no segundo turno é só mais um fator para preocupação no ninho tucano.

 
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As altas de Bolsonaro

“Pode me faltar tudo na vida: arroz, feijão e pão. Pode me faltar dinheiro, e tudo mais não me faz falta, não. Pode me faltar o amor – nisso eu até acho graça. Só não quero é que me falte, a danada da cachaça.”

Para mim as marchinhas de carnaval são a voz do Brasil, nossa tradução definitiva. E também servem perfeitamente a metáforas, neste caso, rivalizando com o futebol.

Para políticos, creiam, pode faltar até voto – vide o atual presidente da República. Ou dinheiro, como o líder nas pesquisas comprova. O que não pode faltar é telefone, tête-à-tête e clipping.

Daí pode-se imaginar a situação de Lula desde quinta-feira em Curitiba, data do atentado a Jair Bolsonaro. Daquele final de tarde até a manhã de hoje, olhou a TV e comentou, no máximo, com o carcereiro. “Companheiro, chega na grade…” Visitas não são permitidas aos finais de semana e feriados. Mesmo sem simpatia política pelo ex-presidente e com todo respeito a pessoa, não desejo essa aflição para ninguém.

Do lado de fora também não deve estar fácil. Fernando Haddad, no PT, é considerado coxinha, tucano, e sofre intensa oposição dos próceres petistas José Dirceu e Gleise Hoffman. Só Lula fala mais alto e apazigua. Porém exclusivamente em dia útil.

Na UTIs o acesso também é restrito, ainda que nem tanto. Mas qualquer equipe médica deve insistir com os familiares de um paciente no estado em que se encontra Bolsonaro que estresse é perigoso. E sabemos que a relação entre seus apoiadores é tão tumultuada quanto a do diretório nacional do PT.

É o PSL contra Gustavo Bebianno e a favor da prole de Jair, que por sua vez briga entre si mas obedece ao general Mourão e, juntos, atacam até Paulo Guedes, o Posto Ipiranga.

Vale lembrar a última eleição que Bolsonaro disputou, para presidente da Câmara. Ficou em último lugar, com quatro votos. Faltou até o voto do filho federal, que tomou esporro do pai via WhatsApp nos seguintes termos:

[“Papel de filho da puta que você está fazendo comigo. Tens moral para falar do Renan? Irresponsável (Jair tem um filho chamado Renan)”.

A cobrança continua: “Mais ainda, compre merdas por aí. Não vou te visitar na Papuda”.

O pai ainda se mostra preocupado com o que o filho estaria fazendo naquele momento.

“Se a imprensa te descobrir aí, e o que está fazendo, vão comer seu fígado e o meu. Retorne imediatamente”.

Somente aí Eduardo Bolsonaro responde para o pai. E não gostou de ser comparado com o meio-irmão.

“Quer me dar esporro tudo bem. Vacilo foi meu. Achei que a eleição só fosse semana que vem. Me comparar com o merda do seu filho , calma lá”] (Veja)

Paulo Guedes, boquirroto do mesmo jeito, não contente em bater boca com a seleção canarinho (camisa CBF) dos economistas brasileiros, disse o seguinte à revista Piauí sobre as contrariedades com a equipe, a dificuldade de lidar com o “mito” e a possibilidade de desistir do apoio: “Esse é o sonho de todo mundo, todo mundo quer foder o Bolsonaro. Mas esse prazer eu não dou. Só depois que ele for eleito.”

Para ajudar, o general Mourão admitiu autogolpe militar num possível governo Bolsonaro à Globo News, foi irresponsável ao atribuir o atentado ao PT e, em artigo para a Folha, o coordenador para o agronegócio Frederico D’Ávila apostou que a relação do hipotético presidente Jair com o Congresso será boa, posto que “Um comandante que não sabe falar com seus comandados vai aprofundar a crise, agigantar as cizânias e destruir o país”. Poder Executivo e Legislativo com relação de comandante-comandado, Fred?

Dizia Antonio de Oliveira Salazar: “Em política, o que parece é.”

No Jornal Nacional de hoje sai a primeira pesquisa Datafolha pós-atentado e, na quarta-feira, Real Time Big Data no Jornal da Record. Nos bastidores diz-se que ambas detectaram alta nas intenções de voto de Bolsonaro, confirmando levantamento FSB-BTG divulgado nesta manhã.

A alta era esperada. Embora a prudência mande não comparar tragédias com atentados, e nem mesmo atentado com atentado, as comoções sempre guardam algum paralelo. Donde não se deve apostar que durem.

Em 2014, com a queda do avião de Eduardo Campos, Marina Silva tomou o noticiário na mesma proporção do que acontece agora com Jair Bolsonaro. Muito pouca gente sabia quem era o governador do Pernambuco. Porém o compadecimento lhe atribuiu qualidades divinas, que Marina somou ao seu capital político ao herdar a candidatura. Duramente atacada pelo PT, definhou.

Se a alta eleitoral se manterá, só o tempo vai dizer. Sigamos firmes na torcida pela alta médica.

 
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Debate Gazeta/Estadão/Eldorado/JovemPan/Twitter – análise TUEL | Consultoria Política

Lula na cadeia, Bolsonaro no hospital, Daciolo foi pro monte. Mas o debate da Gazeta/Estadão/Eldorado/JovemPan/Twitter, até pelo clima de consternação pós-atentado, não ficou mais dinâmico com o menor número de participantes.

Primeiro as damas – ou pela ordem de posição nas pesquisas: Marina Silva manteve a linha dos debates anteriores. Se há uma novidade é a maior ênfase em nominar membros do seu grupo – ou rede – de campanha: Ricardo Paes de Barros, André Lara Resende, Eduardo Gianetti da Fonseca, João Paulo Capobianco. E o vice, Eduardo Jorge, festejado nas rodadas de debates e entrevistas, mereceu mais de uma menção. No visual, comentaram que ela poderia adotar óculos com armação colorida.

Ciro Gomes pode ser considerado o vencedor, ainda que disputa pra valer não tenha havido. Evitado por todos os adversários, reforçou a pose de cavalheiro amável ou, como diria o Vinícius, “doce conciliador, sem covardia”. Parece estar convencendo. Pelo monitoramento do instituto Ideia Big Data, foi quem surpreendeu mais positivamente o eleitorado indeciso, e ficou disparado na aferição de citações no Twitter.

Geraldo Alckmin segue cada vez mais emaranhado ao apelido que recebeu de José Simão. É como se a rama do chuchu lhe estrangulasse. Para piorar, sua gravata, com uma textura inadequada para televisão, provocava o chamado efeito moiré, enjoando e distraindo o telespectador. Ao final, na entrevista onde cada candidato comenta o debate, o desânimo era evidente. No ombro do tucano, só dois papagaios de pirata, e com semblantes de peru em véspera de Natal.

Álvaro Dias arriscou novo figurino. Atou uma gravata vermelha para ver se atraia pelo menos uma chifrada. Nem isso. Foi ignorado. No discurso de refundação da República parece um jovem candidato interessado em impressionar o Doutor Ulysses na redemocratização. Disse o seguinte: “Essa descrença que campeia o país, como consequência dos desgovernos, da corrupção avassaladora, que provocou revolta e indignação… O que dizer aos brasileiros?”

Henrique Meirelles pode ser considerado o perdedor. Começou atacando Alckmin com uma tentativa de metáfora contrapondo controle da inflação e da violência. Confuso. E perdeu de vez o élan quando perguntado por Guilherme Boulos sobre o truste que mantém num paraíso fiscal. Tentou explicar, de novo sem êxito, que é uma pequena quantia e que pretende deixar parte para investimentos em educação. E atribui a fortuna amealhada ao “suor do seu rosto”. Ora, ninguém duvida que ele tenha mérito. Mas ao falar que suava na sala da presidência do Bank Boston para um eleitorado que viaja espremido em ônibus a cinquenta graus, lembrou Carmen Mayrink Veiga dizendo que “trabalhava como uma negra”. Para agravar, depois do baque meteu um sorriso irônico que mastigou sua imagem.

Guilherme Boulos conseguiu emplacar mais uma frase de efeito. Depois dos “cinquenta tons de Temer”, cravou ontem o “vou taxar o Meirelles”.

Todos os candidatos de solidarizaram com Jair Bolsonaro pelo atentado sofrido. Lembraram Marielle, cujo assassinato vai completar seis meses sem conclusão da investigação. E ninguém falou no vereador Silvânio Barbosa, de Maceió, assassinado a facadas no sábado 8/9, véspera do debate.

 
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O SUS nas eleições

Não gosto e nunca gostei da ideia de obrigar pessoas públicas e seus familiares a usar serviço público. Não gosto da ideia de obrigar quem quer que seja a qualquer coisa.

Por outro lado, acho difícil que alguém sem a menor intimidade com o serviço público alcance a dimensão da vida real e consiga tomar decisões pensando em quem não tem outra possibilidade.

Foi confortante saber que, ante ao inaceitável atentado contra o candidato Bolsonaro em Juiz de Fora, a equipe do SUS, atendendo na Santa Casa, tenha feito um trabalho primoroso que salvou a vida de uma pessoa. O médico, que ganhou menos que cem dólares pela cirurgia, foi elogiado pelos colegas considerados os melhores do país porque atendem nos estrelados hospitais paulistanos mantidos pelas colônias israelita e sírio-libanesa.

E mais confortante é saber que, de propósito, ou por convicção, outro concorrente destas eleições use o serviço público. Trata-se do médico Eduardo Jorge, candidato a vice de Marina Silva, que vai de metrô ao Incor fazer check-up de rotina pelo SUS, como soubemos pela reportagem da Daniela Chiaretti no Valor Econômico do dia cinco de setembro.

Ainda: as pesquisas de opinião dizem que as principais preocupações do brasileiro são Saúde e Segurança. É curioso que os dois postulantes melhor posicionados estejam na cadeia e no hospital.

 
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Previsão felina

Frio e calculista, diria um folhetim policial sobre Michel Temer. Quase um felino, diria eu, daqueles capazes de jantar sabiá hipnotizando a presa com o olhar.

Mas alguém nesta freguesia já acuou gato? Na minha infância ainda era comum esse negócio abjeto de menino maltratar bicho, e a regra numero um todos sabiam: gato acuado reage com ferocidade insana.

Não deixa de ser um traço do perfil frio e calculista. Ora, se não tem mais por onde, roda a baiana, sobe nos tamancos, mete o louco, toca o f*)@-$&.

Na semana passada Temer meteu o louco. Atacou Alckmin, Haddad e, parece, vai sobrar também para o Meirelles. Os vídeos ficaram muito bons. É como se, no fundo do poço, Temer tivesse encontrado o tom.

O fundo do poço é visível: a meses do fim do governo, impossibilitado de assinar qualquer coisa que preste por falta de capital político ou financeiro, e acuado pela Justiça, que deve bater em sua porta em no máximo seis meses, o que resta a Temer? Meter o dedo no fundo do tinteiro e, com a borra, assinar com o polegar um indulto a Lula.

Há risco de incendiar o país? Sem dúvida. Mas para quem está com o rabo ardendo, o rabo alheio nunca é prioridade. E o que teria a perder?

A seu favor ele teria o risco de ganhar alguma simpatia popular entre os 39% que gostariam de votar em Lula e tirar do seu pé os incansáveis e vingativos petistas. Também lhe renderia apoio parlamentar e empresarial começar uma narrativa de anistia geral a qualquer improbidade cometida na vida pública ou privada, que passaria uma mais uma risca no chão brasileiro com novas regras de conduta.

Só não pode faze-lo antes do dia 17 de setembro, quando expira o prazo para troca de candidatos. Até lá o PT já deve ter confirmado um candidato substituto e Lula não poderá mais concorrer a morador do Palácio do Planalto. Mas obviamente ficará agradecido se puder trocar a cela em Curitiba pelo circuito São Bernardo-Atibaia. A ver.

 
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Verba volant multimídia

O gesticular de Michel Temer não me engana. Tenho certeza que, lá no fundo, queria ser maestro. E de algum jeito foi, com êxito inclusive. Como deputado, fazia como poucos o papel de traduzir para o Executivo as demandas do Legislativo, e voltar com as ofertas.

Seu problema foi o momento de se voltar para a plateia. Achou que seria ovacionado. Calculou mal. Iluminar o operador das sombras nunca funciona. Talvez se tivesse saído antes, negociando a retirada sem expectativa de aplausos, se livrasse da vaia recorde. Preferiu arriscar o bis. Agora é tarde. Até o Museu Nacional vai para a conta dele.

Se a imagem não ajudou, tampouco o fez a regência e, no fim das contas, ainda teve o áudio, com trocadilho, para enterrar a carreira do regente Michel. O cortejo final, com os carros pretos, está marcado para 2019, logo após o fim do recesso do Judiciário.

Até lá ele trabalha. Força da natureza. Me impressiono com a resistência dessa turma na adversidade. Temer, Sarney, Renan, Padilha, Jader, Moreira, e o maior de todos, Jucá. Olho para minha horta e penso neles. A hortelã não aguenta um pouco de chuva ou de sol além da conta. Já as ervas daninhas prosperam até na pior seca, no dilúvio e até em terra salgada.

Mas o que eu queria dizer é do vídeo que Michel Temer postou ontem no twitter, estendendo seu ferramental de mídias. Quem não se lembra da carta “Verba volant”, ou do áudio vazado pelo Gaudêncio Torquato, “por engano”? Ambos abriram o alçapão que tirou Dilma do palco.

Agora o alvo é Geraldo Alckmin. As mídias escolhidas foram entrevista, campanha e twitter.

Na entrevista à Folha, Michel Temer posou como estadista, desafetado como todo estadista. Em qualquer festival tiraria facilmente o prêmio de melhor interprete. Transmitiu os recados que desejava, incluindo o principal: Geraldo é o candidato do Governo.

No dia seguinte, coincidência suprema, a campanha do MDB entra com uma ação pedindo a cassação da chapa tucanos-centrão. O Palácio do Planalto diz que foi pego de surpresa, ora vejam. Deu em nada mas cumpriu o objetivo: tirar atravessar o samba do tucano.

Desafinado, Geraldo cai na tentação de subir o tom e pede autorização ao centrão para bater no Governo. Os chefões concedem. Neste momento, ouço Tom Jobim cantando a homenagem a Miguel Faria Júnior na versão sacana. Aqui, quase aos doze minutos.

Reação imediata, os chefões lançam os tomates sobre a incoerência do chuchu. E a ceifada final vem do próprio Michel, em vídeo direto para Geraldo “Miguel” Alckmin via twitter.

Luís Eduardo Magalhães, morto por um cooper fora de hora, dizia do próprio pai, Antonio Carlos: Papai não conhece Brasília.

Geraldo tem o mesmo problema. Depois de ter mandado tanto e por tanto tempo num estado, perdeu a chance de entender a amplitude do Planalto Central e a dimensão do Brasil profundo. Sua condenação será a mesma de outro tucano, José Serra, que boliu com José Sarney e perdeu qualquer chance de virar presidente. Para um e para outro, a Mantiqueira é o limite.

 
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Prosa no parque

Arranjei um casaco amarelo ‘cheguei’ para correr. Não esquenta, mas barra vento e água. Hoje, com a abençoada frente fria, vesti e fui ao parque.
Encontro um amigo criminalista, que ironiza a cor. Tento me explicar:
- Talvez evite atropelamento.
E ele:
- Culposo, sem dúvida.

 
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O senhor da razão

Churchill dizia que a idade torna as pessoas conservadoras. Esta notícia do @Meio confirma: “Uma boa notícia para os fãs de whisky. E de Metallica. A banda está lançando sua própria bebida, o Blackened.” Com tanta startup de maconha para investir, é simbólico que os velhinhos tenham optado pelo douradinho amigo e fiel.

 
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Delator continua premiado sem oferecer prova

Garotinho condenado em segunda instância. Garotinho é candidato ao governo do Rio. Quero ver os defensores da candidatura do Lula prestando solidariedade.

Doutro lado, Haddad foi denunciado pelo MP-SP. Motivo? Delação do Ricardo Pessoa, que está todo folgado em casa depois de oferecer essa e outras denúncias que não foi capaz de provar.

* Lembrando que em delação premiada, o prêmio depende das provas, não requer que o réu confesso esteja mentindo para a Justiça.

 
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Arquivo imortal

Crônica publicada na #29 edição da revista Amarello, que está nas bancas

Um garoto nova-iorquino de dezessete anos desenvolveu um programa de computador capaz de reconhecer padrões e sintetizar a obra de compositores clássicos. Sofisticado, o sistema pode criar suas próprias peças musicais.

A novidade causou frenesi nos Estados Unidos. Na TV aberta, o programa de auditório I’ve Got a Secret recebeu o prodígio com sua invenção, que apresentou uma peça de piano composta pelo computador. Ato contínuo, o presidente americano convidou o rapaz à Casa Branca para dar-lhe os parabéns pessoalmente.

Ainda estudante do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o mesmo jovem criou uma empresa para administrar outra invenção: de novo um programa de computador, ora capaz de identificar matches da turma do ensino médio com universidades, cruzando as características das instituições com as respostas de um questionário preenchido pelos candidatos interessados. Qualquer semelhança com os atuais algoritmos não é mera coincidência.

Nota necessária antes de prosseguirmos: o presidente no segundo parágrafo é Lyndon Johnson. As datas de apresentação das invenções são respectivamente 1963 e 1968. O jovem é o hoje setentão Raymond Kurzweill, filho de judeus austríacos que escaparam do nazismo pouco antes da Segunda Guerra Mundial e um dos pais do conceito de Singularidade tecnológica.

O termo original vem do campo da astrofísica e é utilizado para denominar o lado de lá do horizonte de eventos dos buracos-negros, aonde o tempo e o espaço como os conhecemos desaparecem. Mas nos anos 1990 a Singularidade foi re-apropriada por Vernor Vinge e Ray Kurzweill para definir o lado de lá do entendimento vigente sobre a relação entre biologia e tecnologia, homem e máquina, consciência e matéria. A quem se interessar por uma introdução ampliada no tema, recomendo a leitura do artigo Singularidade e Convergência, da doutoranda em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, Renata Lemos.

O que importa aqui é que ninguém discorda de Kurzweill sobre se a Singularidade tecnológica vai acontecer. Tudo o que se discute é quando, como e em qual intensidade ela virá. Isto é, sabemos que a inteligência artificial somada à internet das coisas, incluindo nano-robôs capazes de coexistir com o organismo humano, é só uma questão de tempo. As perguntas que restam são filosóficas: quais limites éticos e morais devem ser observados?

Líderes religiosos se destacam entre os mais aflitos. Perguntam-se até que ponto convém à Humanidade “brincar” de Deus. É um debate que deve ser respeitado e realizado. E com alguma urgência. Imagino que o primeiro ser humano que foi capaz de controlar o fogo sofreu questionamentos semelhantes. Aonde chegaríamos produzindo algo que acontecia como um fenômeno, quiçá divino, depois de um raio, de chuva ou de sol? A diferença principal é o tempo para amadurecimento do debate. Parece que naquela época havia tempo de sobra e deu no que deu. Cá estamos. Agora o tempo urge, a tecnologia avança num ritmo difícil de ser acompanhado. A Lei de Moore vigora, sem falhar, desde de 1965: a cada dois anos a capacidade de processamento dos computadores dobra. Se vier a falhar deve ser para mais, ou seja, triplicando ou quadruplicando a cada dois anos, posto que as máquinas evoluem muito mais depressa do que os seres vivos. Misturados organicamente, qual será a velocidade do passo?

Entre as previsões do futurista Kurzweill estão os nano-robôs que vão morar dentro do nosso cérebro, e de lá poderão se conectar com a nuvem, arquivo virtual de toda a informação já produzida pela Humanidade. Será o fim dos lapsos de memória e a criatividade humana não terá limites. Também poderão combater doenças e regenerar órgãos danificados pelo uso, provavelmente acabando com a morte morrida ou permitindo que nosso corpo aguente correr dez maratonas seguidas – confesso que não sei o que é mais assustador.

Mistérios e segredos também estarão com os dias contados. Inclusive os dos nossos ancestrais. Kurzweill é um tipo curioso. Podemos conhecer um pouco dele no filme documentário Homem Transcendente: vive no subúrbio, numa casa clássica americana repleta de memórias, bebe vinho, usar carro, terno e gravata. Pensa muito no futuro mas não se esquece do passado. Muito pelo contrário, quer lembrar mais. Guarda tudo o que pode sobre sua família, notadamente seu pai, para um dia poder digitalizar toda a informação e de alguma maneira ressuscita-lo. Mais: já implicou muito com a presença dos extensos cemitérios dentro das cidades nos Estados Unidos, mas hoje olha para cada um deles como preciosos bancos de dados. Ele imagina que poderemos resgatar o DNA presente nos cabelos e outros tecidos dos mortos e resgatar parte da memória neles contida.

Kurzweill diria: cuide bem do seu arquivo e serás imortal. Estamos preparados?

 
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