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1º de Maio

A reforma Trabalhista, tão celebrada pela turma que preferiu “manter isso aí” em nome do progresso, viu seu primeiro 1º de Maio chegar com prédio da Caixa Econômica Federal derretendo em pleno centro de São Paulo, dezenas de famílias exploradas por todos os lados desabrigadas e pelo menos um morto. Entre os sobreviventes contam quatorze milhões de desempregados.

Foi uma terça-feira. E a tal cláusula que permitia patrões e empregados puxarem a data para segunda ou sexta não parece ter sido lembrada por nenhuma das partes, notadamente pela interessada histórica, que se concentrou em emendar o feriado, quiçá jogando gólf.

 
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Foro privilegiado

Hoje o STF retoma a discussão do Foro. Dia complicado pro Henrique Meirelles, que quando foi presidente do BC do Lula exigiu status de ministro para gozar do privilégio. Joaquim Barbosa votou a favor.

 
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Ninguém está seguro

O largo do Paiçandu, no centro de São Paulo, cenário do incêndio e do desabamento do prédio na manhã deste Primeiro de Maio, pode ser considerado a segunda periferia da história da cidade.

A primeira foi a Praça Antonio Prado, ainda no período colonial. Era o endereço da igreja dos pretos, “longe” da Sé, marginal do rio Anhangabaú.

Então a cidade cresceu, precisou do delta histórico inteiro, e obviamente os pretos foram expulsos para o lado de lá do rio. E de lá para além dos outros rios, cada vez mais longe e mais longe. Só a igreja – e o nome que “homenageia” os homens pretos permaneceu.

Com o Minhocão, a especulação e a decadência da região, aquele princípio da São João, provavelmente a avenida mais bonita da cidade, ou pelo menos uma das mais ajeitadas e felizes em urbanismo e arquitetura, voltou às origens, voltou a ser periferia.

Mas de uns anos para cá ensaiava algum avanço. A Galeria do Rock voltou a ser pujante, o Centro Cultural dos Correios e a Praça das Artes foram entregues, uns velhos hotéis receberam retrofit para habitação de incorporadores visionários que lutam com abnegação olhando além da nossa miséria social, da mediocridade política, do egoísmo do mercado.

Um pouco ali adiante, depois da Ipiranga, há uns dez anos a prefeitura entregou um prédio para abrigar velhos artistas. Roberto Luna, baluarte da música e da boemia, mora lá.

O todo, é óbvio, não poderia avançar sem o básico para qualquer lugar: gente morando nele, energia vital sem a qual qualquer coisa se degrada. E os movimentos sociais que se dedicam ao tema, trataram de ocupar o prédio vazio, que desesperadamente pedia por esta energia.

Nos conta o jornalista Raul Juste Lores, autor da série de reportagens São Paulo Ociosa, que em 2015 o Governo Federal, dono do imóvel através da Caixa Econômica Federal, tentou um leilão. Era coisa de 21 milhões de reais para levar aquela joia, e outros muitos milhões para ajeitar. Que fossem mais vinte, ou mais quarenta. Por sessenta milhões de reais não se faz nada parecido hoje em dia. No máximo, compra-se um aviãozinho a jato. E mesmo assim o mercado não se interessou. E nem ninguém na Caixa pensou em fazer ali um Minha Casa Minha Vida.

A prefeitura, por sua vez, aguardou a tragédia acontecer. A bem da verdade, houve reuniões com o grupo que ocupava o vazio. Mas elas não mudam o resultado. E o ex-prefeito, o breve, que há menos de um mês governava a cidade, ocupado com sua campanha eleitoral sem fim, sequer uma nota de solidariedade ou mea-culpa publicou até agora.

O que poderia ter feito a prefeitura? Usar os mecanismos legais de convencimento do mercado para transformar a cidade. Estima-se que tenhamos hoje mais imóveis desocupados do que gente desabrigada. E o IPTU progressivo é a ferramenta que faz o mercado ser mercado, isto é, fazendo galopar o valor do IPTU de imóveis desocupados, ajusta o preço de venda ou aluguel à realidade, botando de parte o que o proprietário acha que vale. Ocorre que, desde que João Doria assumiu, a gestão municipal prevarica e não aplica a lei – palavra dos servidores responsáveis  pelo tema.

A bola de fogo que matou pelo menos uma pessoa e engoliu a igreja dos homens pretos tem muitos responsáveis. Que alcance todos eles, nem que seja pela consciência. E se marcar como seguro aqui Facebook, além de escárnio, é ilusão. Ninguém está seguro diante desta realidade.

(A Galeria do Rock está servindo como ponto de doação do que puder ser: água, comida, roupas.)

 
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Pode celebrar: O conservadorismo é menor do que parece

Nelson Rodrigues se dizia reacionário e a turma acreditava. Ao mesmo tempo provocava a sociedade com sua dramaturgia e literatura diária. Escandalizava a gauche e a droite. Apanhava a torto e a direito.

No próximo carnaval vamos celebrar o centenário do desfile que marcou sua infância. Aos seis anos de idade, em 1919, Nelson viu a primeira mulher nua. Quer dizer, era uma vizinha sua, senhora distinta, recatada, do lar, ora fantasiada de odalisca, revelando nada além do… umbigo.

Pudera. Era o primeiro carnaval pós gripe espanhola, pandemia que há exatos cem anos desfilou pelo Rio de Janeiro infindáveis corsos de corpos. Estima-se que tenha matado entre cinquenta e cem milhões de pessoas no mundo. No Brasil, apareceu em setembro de 1918 no Rio e em dezembro era registrada na Amazônia. Matou até o presidente da República, Rodrigues Alves, último paulista eleito a exercer o posto. Quem passa por uma dessas quer mais é soltar os véus.

Não vou comparar uma pandemia dessas ao momento atual da humanidade. Está puxado para o mundo todo e para o Brasil não é diferente. Mas não é para tanto. E nesse filme centenário temos motivos para celebrar.

Me identifico com o Nelson. Acho no pudor o maior tesão possível. Por outro lado não admito censura ou patrulha. Muito menos no carnaval. Então vamos celebrar.

Meio século depois a coisa já estava bem melhor e o que mais tocava no carnaval era Garota de Saint-Tropez, do Braguinha, num sofisma delicioso: se a laranja da Bahia tem o umbiguinho de fora, menina nenhuma poderá esconder o seu.

Mais meio século e vimos a folia de 2018 tomar as ruas das grandes cidades do Brasil. Em São Paulo foi retumbante. A turma brincando feliz da vida, numa realidade praticamente oposta ao conservadorismo que grassa nas redes sociais, perseguindo até exposição de arte. E a grande novidade não foi um umbigo, mas dois mamilos. As meninas saíram com os peitos de fora. Muitas, não todas. Mas saíram. E pelas ruas, não nos sambódromos.

Trata-se de um avanço. Em qualquer lugar civilizado peito nu só vai causar estranhamento se a intenção for causar estranhamento. masculino ou feminino.

Atenta ao zeitgeist, a São Paulo Fashion Week desfila farolitos para todos os gostos. Ou antes: para o gosto minimalista. Peitinhos Bauhaus.

Para todos os gostos é esta página. Apelei para teatro, literatura, história, medicina, política, música, filosofia, moda, arquitetura. Mas se nada disso a agrada, freguesa, quem sabe os dados? Ei-los: segundo o Ibope Inteligência, nos últimos dois anos o conservadorismo no Brasil cresceu. Quanto? 0,4%. Quer dizer, nem mexeu, ao contrário do que faz crer a gritaria nas redes sociais. Então pode celebrar. Mas lembra de votar de acordo, porque os reacionários só pensam naquilo.

 
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Deixa o Sérgio trabalhar

Por todo lado, gente afobada com a decisão da segunda turma do Supremo que tira de Curitiba as delações dos setenta e tantos executivos da Odebrecht. Menos o próprio juiz Moro, que transmite a tranquilidade habitual, verdadeira ou simulada. Não importa.

Mela ou não mela a Lava Jato? Creio que não. Principalmente pela comprovação estratégia dos integrantes da força-tarefa de cumprimentar com uma mão segurando uma pedra com a outra. Quem assistiu House of Cards vai se lembrar da lição da chamada “realpolitk”.

No dia seguinte ao movimento da segunda turma – todo controverso e ainda dependente da decisão pleno –,  foi confirmada a delação do Antonio Palocci. Consta que o primeiro alvo é Lula. Mas o “mercado” deve ter neste momento um batalhão do lobistas operando nos Três Poderes para deixar Serginho trabalhar sem precisar do que o Palocci tem para falar.

 

 
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Lembra do iPod?

Lembra do seu primeiro iPod? A novidade que ele foi na sua vida? Pois hoje eu trouxe o meu para a escola. A turma olha para ele como se fosse uma máquina de escrever. É totalmente ultrapassado.

Um amigo novo pediu para mexer e tocava na tela, não na grande inovação que foi a rodinha do Steve Jobs.

Alguns velhinhos desta freguesia hão de lembrar do Walkman, sentir saudades do amarelinho esportivo. Invenção brasileira. A Sony faturou muito. Mas teve que indenizar o inventor teuto-brasileiro Andreas Pavel, que em 1972 inventou o Stereobelt.

O iPod é só uma imagem da velocidade das inovações da tecnologia.

Para uma ideia mais ampla, hoje recebi um gráfico produzido na Inglaterra, falando de tecnologias disruptivas em quatro estágios: acontecendo agora (executar); futuro próximo 10-20 anos (experimentar); futuro distante 20+ anos (explorar); e tecnologia fantasma, altamente improvável mas não impossível, pela qual vale a pena (esperar).

Foi produzido na Imperial College of London e assinado por Anna Cupani, Gaby Lee e Richard Watson. Para o Brasil a tradução é do Gil Giardelli.

Muito bem: o levantamento é de janeiro de 2018, ainda estamos em abril e pelo menos três inovações anotadas como futuro próximo (10-20 anos) já são realidade: água produzida do ar, dessalinização em grande escala, cuidados de saúde baseados em genes.

Outras três já foram testadas com êxito: robôs humanóides sexuais, exoesqueleto robótico, navios e submarinos autônomos.

E o futuro distante, que fala em útero artificial até para gravidez masculina, mineração espacial e aerossóis estratosféricos, inclui edifícios redutores de poluição e bioplasticos, que também já estão no presente.

O debate entorno da inteligência artificial, internet das coisas, robôs etc não é mais se – mas quando vai acontecer.

E vale lembrar – inclusive a nota que encerra inserido londrino destaca – que todo esse debate passa por questões morais e éticas, isto é, filosóficas.

Agora, se me dão licença, vou entrar na aula de ciência, tecnologia e sociedade. Até.

 
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Privatiza tudo?

Gordo, pesado, ineficiente, caro, corrupto, ruim de serviço. Adjetivos comuns que nos acostumamos a atribuir ao Estado, não sem motivo. Mas será só o Estado?

Pela Rua Augusta, da Estados Unidos até a Lorena, encontram-se três agências bancárias da mesma instituição – privada. Para quem não reconhece o percurso, esclareço que resume-se a três quadras. O nome do banco não interessa. É só mais um da meia dúzia de cinco dos nossos varejistas do crédito, sejam privadas ou estatais. Todos magnânimos na mesma proporção em outros endereços.

Então você escolhe uma das agências para um serviço qualquer. Encontra gente mal preparada, ineficiente, provavelmente ganhando mal. E paga caro por isso. Não tem como escapar. A cada três meses, lê nos jornais os sucessivos e bilionários recordes de lucro.

Os acionistas e executivos botam a mão no dinheiro e correm para a galera. Ostentam a riqueza como prova irrefutável de capacidade gerencial (ou de gestão, como está na moda dizer). E o ser humano, com a eterna vocação para se curvar ante a prosperidade, acredita sem questionar.

+ Teremos que escolher entre a Renda Básica e a guerra

Mas nem todo mundo pensa assim. O presidente de uma consultoria alemã chamado Antonio Bernardo falou à Folha de ontem sobre a cascata que nos acostumamos a admirar. Em números ele mostra o que está explicado no primeiro parágrafo desta crônica: os bancos brasileiros não são modelos de eficiência. Muito pelo contrário. E, se têm sucessivos lucros recordes, é porque cobram caro por um serviço barato. Cenário permitido pela concentração de mercado: Há dez anos, quatro bancos detinham nada menos que escandalosos 55% do total do crédito concedido no Brasil. Hoje os mesmos quatro detém 78,5%.

Não é exclusividade dos bancos. Telefônicas, supermercados, lojas de eletrodomésticos, montadoras, construtoras, cervejarias, operadoras de cartão de crédito, redes de ensino etc.: todos privados e gordos, pesados, ineficientes.

Também devem fortunas em impostos nacionais, estaduais e municipais, além multas, e aguardam tranquilamente a anistia ou o parcelamento que chega mais cedo ou mais tarde. E colecionam casos de corrupção.

Daí que esse discurso de “privatiza tudo”, vendido como panaceia por uma das pontas do populismo atual, para cima de mim não cola. Concordo que muita coisa pode ser desestatizada. Mas quem acreditar que ela basta para melhorar está vivendo num universo paralelo.

 
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Ode a velhice no Brasil novo

“Nós nos extraviamos a tal ponto, que devemos estar no bom caminho.” Fernando Pessoa
Neste 518º aniversário do Descobrimento, procuro e não acho meu exemplar da carta que o Caminha enviou a Dom Manuel, patrocinador da aventura lusa pelo mar sem fim. O remetente fala repetidas vezes das vergonhas encontradas. Imagino que hoje o termo seria repetido muito mais vezes, mas com outro sentido.
Ou não. A seis meses da escolha no próximo presidente da República, o vetor eleitoral anunciado parece repetir Pero Vaz. O líder nas pesquisas se mostra muito mais preocupado com o que acontece na linha abaixo da cintura da população. E os concorrentes ao Congresso seguem a mesma linha. Inclusive os ditos “novos”, ou “pela renovação”.
Debate nacional, social, soluções, propostas estão por conta dos velhos. FHC, Oded Grajew, Dráuzio Varella.
Não a toa, tanta gente procura desesperadamente por embarque em uma nau de retorno à Terrinha.
E salve Chico, o profeta. Que tudo se realize, mas do jeito que a capital do Império se encontra hoje.
https://www.youtube.com/watch?v=HiN5AqGaSM8
 
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Justiça pública, festa na privada

A Coluna do Estadão traz as alvíssaras:

O número de servidores demitidos pelo governo federal neste ano por irregularidades bateu recorde. Levantamento da CGU a que a Coluna teve acesso com exclusividade mostra que no primeiro trimestre deste ano foram expulsos 142 funcionários públicos, recorde da série histórica iniciada em 2003. Casos de corrupção são o principal motivo de desligamentos e cassações de aposentadoria no período. Foram demitidas do serviço público 89 pessoas (63% do total) por usarem os cargos para proveito pessoal, receber propinas ou causar prejuízo aos cofres públicos.

Cai fora. Somente em março, 72 servidores foram expulsos. O número é quase o dobro da quantidade de penalidades registradas na comparação com o mesmo período de 2017. Em todos os casos, as condutas irregulares ficaram comprovadas após Processo Administrativo Disciplinar.

Comemoro em silêncio. Ou por outra, escrevendo. Mas posso ouvir as gerais, furiosas, explodindo em vivas. Nada melhor do que uns corruptos do embornal para acompanhar os chopes da sexta-feira. Mas que fique claro: desde que os corruptos sejam servidores públicos, eleitos, concursados ou nomeados. Os coleguinhas de trabalho da privada iniciativa seguem perdoados, afinal, para brindar o homem precisa de companhia.

+ Sai daí, sai logo, Presidento

Tenho aula mas tarde, mas vou dar um jeito de fitar pelo menos um dono de boteco no caminho. Se estiver tranquilo entenderei que o fiscal da regional que fecha com ele ainda não foi pego.

Saindo da escola vou dar mais uma olhada. Sempre tem um cervejeiro que sai guiando. E o dono do estacionamento que entrega o carro mas recusa a nota fiscal.

+ Lei made in USA

Na segunda-feira, contente porque seu time foi campeão graças ao juiz camisa 12, os distintos estarão nos escritórios prontos para obedecer ao chefe e/ou patrão no que for preciso, desde assumir pontos na carteira de habilitação até comprar nota fria. Se der, uns e outros negociarão bola com fornecedores e clientes. E viva o Brasil!

 
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Sobre tucanos e gaviões

Impossível não usar a imagem da paixão pelo futebol na observação da crônica político-judiciária dos últimos dez dias.

O torcedor apaixonado, diante de uma mão na bola, um pênalti que não houve, um erro do juiz, toma posição contra ou a favor de acordo com seu interesse no resultado.

Sabe-se que árbitro de futebol não é juiz e vice-versa. Mas assim sempre foram chamados pelas torcidas. E agora vemos o inverso nos comentários das gerais sobre o Supremo Tribunal Federal, com juízes sendo tradados como árbitros. Só falta o Galvão Bueno estrear um quadro comentando as sessões Direto do Plenário pontuando cada voto com o célebre: “Pode isso, Arnaldo?”

Outro dia elogiei um ministro, a quem prezo também pelo humor, e tive que ver um amigo esclarecido se indignar: “Mas ele é ácido e primo do Collor!” Pode isso, Arnaldo?

Também foi divertido acompanhar o comportamento da arquibancada nos momentos que antecederam o julgamento do HC do Lula. Até a configuração da maioria, a corte não valia nada para geral. (Gente tida como sensata chegou a festejar o tuíte d’O General que soou como ameaça velada de botar os tanques em campo para arbitrar a partida.)

Com a decisão antecipada por pontos, a arquibancada se dividiu, exaltando ou execrando os juízes como se fossem craques envergando não togas, mas o uniforme do seu clube do coração. Porém não sem antes vaiarem o advogado que exercia o direito (sagrado) de defesa do seu cliente nos acréscimos. Sobrou até para a Carminha quando, ainda que não precisasse, consultou os bandeirinhas sobre apitar ou não.

Passados dez dias, a parte que execrava o Plenário que “condenou” Lula, viu Aécio Neves virar réu. Curiosamente, festejaram a sabedoria nos 5 X 0 da Primeira Turma. E previsivelmente ninguém, absolutamente ninguém, se levantou para xingar o juiz. Aparentemente o Brasil inteiro seguiu o relator. Ele mesmo, o “primo do Collor”.

+ Temer, Joesley, Aécio, Doria e o vocabulário

Em nota, o senador Aécio Neves disse que agora terá a chance de se defender. Resta saber quem o proibiu durante esse tempo todo.

Muito pelo contrário, oportunidade não faltou. Quando se afastou da presidência do PSDB, seu substituto, Tasso Jereissati, acenou com um mea-culpa histórico. Foi depenado. Depois tivemos a sessão em que o Senado decidiu sobre seu afastamento, e Aécio preferiu se aliar ao time da várzea, com Jucá, Renan, Jader e outros entrando de sola, por trás, sem receio das fraturas institucionais, como se elas servissem para “estancar a sangria”.

+ Globo, papa, VW, PSDB e o zeitgeist

O presidente do partido, ex-governador Geraldo Alckmin, provocado, disse que a Justiça não tem cor e vale para todos. Está certo. Mas é pouco. Como presidente do PSDB faltou dizer como fica a situação do correligionário.

E então chegamos aonde eu queria. Esta freguesia, por gentileza, releve a segunda imagem batida. Mas não tem jeito: o silêncio no vestiário tucano é ensurdecedor. Ninguém, de novo, absolutamente ninguém do PSDB foi abraçar o companheiro em solidariedade. Sequer no vestiário, longe dos olhos da imprensa e da torcida, consta um reles afago. Aécio está mais por baixo que o Fred em véspera de delação. E não só ele.

O que os tucanos nunca entenderam é que no Brasil só existe uma torcida maior que a do Corinthians, que é a torcida anti-Corinthians. Para o PT vale o mesmo.

Segundo o Datafolha de 31 de janeiro, dos brasileiros 19% preferem o PT, 5% o MDB e 3% o PSDB. Pelo Ibope de 13 de março o PT confirma os 19% e MDB e PSDB sobem para sete e seis por cento, respectivamente. Tudo fresquinho, de 2018, com quatro anos de Lava Jato e a seleção histórica no banco – dos réus.

Quer dizer, o erro crasso tucano foi acreditar que ser contra o PT é ter posição ou ser a favor de uma agenda. Algo tão cretino quanto torcer para a Argentina contra o Corinthians. Serve para catimbar os coleguinhas e só.  Daí vem esse vácuo político. Aos tucanos, fica a dica: passarinho não acompanha gavião.

Para encerrar, um pio repetido para João Doria, que ainda acalanta a sanha de aterrissar em Brasília, mesmo tendo decolado anteontem e ainda por cima  molhando as asas de quem lhe ensinou voar. De tão acelerado, em quinze meses de vida pública você já é réu. Aécio e Lula levaram décadas para alcançar este feito. E só um ganhou abraço depois de preso.

 
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