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Campeonato brasileiro será decidido entre Gaviões e Mancha Verde?

O campeonato brasileiro caminha para ser definido por Gaviões contra Mancha Verde em batalha campal – ou pelo menos assim parece a quem observa o desenrolar do noticiário.

Metáforas futebolísticas sempre servem bem ao cenário político. E quem hoje olha o campeonato eleitoral tem a sensação de que o caneco será de uma das torcidas organizadas.

O Datafolha de ontem veio tão igual aos anteriores que a própria cobertura da Folha de São Paulo teve que se adaptar. No lugar dos gráficos, destaque para análises.

A minha é a seguinte: o eleitor moderado não quer saber da pancadaria na porta do estádio, desconfia da cartolagem e prefere ver de casa. Nem berrar “chupa” na janela ele vai. O que resta, nas ruas e nas redes, é Gaviões versus Mancha Verde. Ou antes, Pavilhão 9 X Mancha Verde.

Glossário:
Porta do estádio: redes sociais e manifestações;
Cartolagem: partidos e políticos profissionais (estabilishment, realpolitik);
Chupa: bater panela (venderam para comprar feijão?);
Pavilhão 9: Lula;
Mancha Verde (Torcida mais violenta): Bolsonaro.

Grande parte do eleitorado moderado foi tomado pela apatia (anotei os sintomas aqui há seis meses 17/12/17) e não quer se expor à pancadaria. De pronto, praticamente ¼ (23%) dos pesquisados declararam que devem votar branco ou nulo em outubro. Em junho de 2014 eram apenas 8%.

Ocorre que, como é sabido, o jogo é definido em campo e a estrutura dos times maiores conta. Assim como conta a cartolagem, o patrocinador (financiamento), como será o jogo “em casa” (popularidade dos candidatos e coligações nos redutos eleitorais) e, dizem, até a arbitragem e a cobertura da imprensa. Fora as possibilidades de doping (fakenews e outras fraudes, que ganharam força hoje com a perda do prazo para lei de proteção de dados).

+ Senhores e escravos

Daí que, com o rolar da bola, o cenário eleitoral pode mudar de uma hora para outra lá nas semifinais. Mais: a probabilidade da apatia ser confrontada com o senso de responsabilidade e tirar o sujeito do sofá na repescagem (segundo-tuno) existe – no Chile foi assim.

Eis o perigo. Torcidas apaixonadas são tão fiéis às suas vontades que digerem mal esses resultados. Não raro, rola um quebra-quebra. Eleitoralmente falando, sobra quem desconfie do sistema político-eleitoral, diga juiz ladrão, imprensa tendenciosa, pesquisa fajuta, urna viciada.

Se você está confusa hoje, freguesa, não perca por esperar outubro – se houver.

 
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Pessoa no xadrez

O ministro Celso de Mello, decano do STF, arquivou o inquérito sobre caixa dois e lavagem de dinheiro envolvendo o chanceler Aloysio Nunes Ferreira, que segundo a delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, teria recebido R$ 500 mil em doação para a campanha vitoriosa ao Senado em 2010, sendo 3/5 por dentro, declarados, e 2/5 por fora, em espécie, não contabilizados.

O arquivamento atendeu o pedido da Procuradoria-Geral da República, que depois de dois anos e oito meses de investigação, com todas as diligências requeridas pelo Ministério Público Federal cumpridas, concluiu falta de provas para justificar o prosseguimento da investigação.

+ Olacyr, Pessoa e o clube das empreiteiras

Condenado a oito anos e dois meses de xadrez pela Lava Jato, por corrupção e pertinência à organização criminosa, Pessoa foi premiado pelo acordo de delação e cumpre pena diferenciada, em regime aberto, estando impedido de viajar ao exterior, mudar de endereço ou se ausentar por mais de quinze dias sem autorização da Justiça.

Ocorre que no instituto da delação premiada a regra é clara: mentiu, dançou. Escreveu não leu, delação perdeu. Isto é, prêmio cancelado. Resta saber quando a força-tarefa do MPF vai mandar guardar o mentiroso. Aguardando.

 
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Entre laços e nós

Curioso artigo da economista Zeina Latif em 7/6 no Estadão. A falta de compreensão social salta aos olhos.

Ela critica, com razão, o populismo, as bravatas, falhas de comunicação, ocaso do sentimento de representatividade, privilégios a grupos de interesse e o perigo da criação de vilões a serem combatidos, emendando a importância da transparência, compromisso público e participação. Mas o faz justamente apontando o dedo contra o universo político, que elege como vilão.

+ Senhores e escravos

Ganharíamos todos com uma autocrítica da a economista-chefe da XP Investimentos. Tendo capacidade financeira para investir em pesquisas sérias, a XP encomenda e divulga pesquisas eleitorais feitas a partir de quinhentos telefonemas para todo Brasil. A mesma XP luta pela associação com o Itaú-Unibanco, que por sua vez anunciou na quinta-feira que vai brigar na justiça contra o pagamento de R$ 2,7 bi em impostos devidos à União, sendo que no dia 10 de abril de 2017 foi perdoado do pagamento de R$ 25 bi em impostos pelo processo de fusão.

Intitulado “Laços com a sociedade”, o artigo de Latif se encerra afirmando que a sociedade clama por participação. De novo, ela tem razão. Só faltou lembrar que carecemos de laços em todos os setores, notadamente o financeiro, que tem presença garantida nos pódios da insatisfação. Numa consulta rápida ao site do Procon a economista poderia ver o tamanho do nó que há no seu quintal, e talvez se comprometesse a ajudar a desata-lo.

 
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Senhores e escravos

O episódio sobre Hegel na série Merlí é o mais animado. Ou picante, dependendo do ponto de vista. E igual a todos os outros este consegue introduzir o pensamento dos filósofos apresentando os conflitos entre os personagens. Talvez coubesse uma música do Caetano Veloso, nego liberado que já lamentou em sua obra estar condenado a fazer canções porque só seria possível filosofar em alemão. Mas está bom assim.

Misturando as duas coisas, digo, o pensamento do Hegel e o sexo, e acrescentando a definição célebre do Romero Jucá sobre o universo político que escolheu, cultiva e batizou de suruba, podemos avançar nesta crônica.

+Impichado e excomungado, Tucanos expulsos da suruba, Exata e precisamente

Na Fenomenologia do Espírito, Hegel apresenta a dialética do Senhor e do Escravo. E afirma que, para ser, o primeiro depende do segundo, mas não percebe, e por isso vive metaforicamente preso a uma condição imaginária. E o contrário é verdadeiro: ainda que preso às correntes reais, o escravo se percebe, e assim é capaz de tocar a vida com liberdade de consciência.

Na democracia ideal o povo poderia ser o escravo com a consciência de que o senhor governo é seu dependente. Mas na “democracia” que conseguimos o povo sequer integra o elenco. No máximo é coadjuvante.

O senhor e o escravo na política atual são, respectivamente, capital e políticos. O senhor crê que aprisiona o escravo pelo dinheiro. Mas o escravo é sabido, é Jucá, tem consciência de si e faz o que bem entende. (Até no extremo, quando a Lava Jato chega, o senhor ganha mais correntes do que o escravo.)

Dos Estados Unidos tiramos dois bons exemplos desse delírio escravocrata do capital. O primeiro é a anedota sobre o Nelson Rockfeller, que teria dito à avó: “Quero ser presidente.” E ela: “Deixa de tolice, Nelsinho, temos gente para cuidar disso.”

A resposta atemporal veio com House of Cards. Frank Underwood, pela boca do saudoso Kevin Spacey, diz o seguinte: “Dinheiro é a mansão que começa desmoronar depois de dez anos; poder é o castelo de pedra que resiste aos séculos. Não posso respeitar quem não percebe a diferença.”

(Netflix, isso também serve para a arte. Spacey já se reconheceu, pediu desculpas e foi se tratar. Ao acreditar que vale mais proteger suas ações do que um ator brilhante, a companhia definha.)

Ontem vimos os e-mails do FHC pedindo doações a Marcelo Odebrecht para campanhas de senadores em 2010. Ele já não era presidente da República e Marcelo era o príncipe dos gestores. É lamentável ver alguém com a envergadura do FHC se submetendo a um Marcelo Odebrecht? Sim. Mas é do jogo. FHC percebeu e topou. Marcelo não entendeu e, invés de ficar constrangido, alimentou sua volúpia. Deu no que deu.

Igual ao Marcelo Odebrecht fazem todos os demais grandes empresários do país.

Em 2014, último pleito a permitir doações de empresas, um em cada sete deputados eleitos recebeu doações de pelo menos uma das dez maiores empresas doadoras, que meteram ficha nas campanhas de 360 dos 513 deputados federais atuais.

Se engana quem enxerga pontaria. Como a gente viu na delação da JBS, o capital investe em política como um jogador de roleta que bota fichas no preto e no vermelho, do par e no ímpar e ainda garante fichas extra para o 13, o 15, o 45, o 40, o 11…

Para ficar no que o José Roberto de Toledo chamou de “bancada do churrasco”, (grupo formado pelos candidatos que receberam doações da JBS e também da Ambev, somando 25 deputados), a companhia do Jorge Paulo Lemann, homem mais rico do Brasil, ajudou a eleger 76 deputados de 19 partidos diferentes.

++Passaredo 2018

Com os candidatos à Presidência não foi diferente. JBS e Ambev foram dois dos três maiores doadores e não deixaram ninguém de fora. Dilma, Aécio e Eduardo Campos receberam torres de fichas.

Coitada da suruba que nasceu querendo ser livre, e diversa, franca, democrática enfim, acabar assim.

Pior: não acabou. A proposta de “nova política” vai pelo mesmo caminho. O Renova BR, que nasceu como fundo e se transformou em escolinha por questões legais, garantiu a alguns de seus alunos a mesma transparência que cobra do que chama de velha política. Isto é, cada um deles, amplamente investigado, saberia quem é cada um dos doadores que financiam as bolsas que chegam a R$ 12 mil por mês. O prazo era abril. Não rolou. Deixaram para maio, que passou. E o veredicto: vão publicar neste ano o balanço das doações do ano passado, e o deste ano só no ano que vem ou pelo menos depois das eleições. O risco de um candidato ecologista estar recebendo doações de uma empresa de bebidas que seca nascentes por aí é alta. Pobre escravo que sequer pode se reconhecer.

 
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De repente não mais que de repente

Crônica publicada no Esquina/Estadão em 30/05/2018

De repente não mais que de repente, você precisa aumentar a autonomia do seu carro, seja em tempo de funcionamento do motor para superar um congestionamento ou na distância que ele é capaz de percorrer. Ainda: considere que não é só você que precisa de mais autonomia, mas a cidade inteira.

Se o seu carro é um Ford, poderá recorrer à grande inovação da indústria automobilística tradicional: a linha de montagem do velho Henry. Em fila, todos os carros da cidade teriam os tanques de combustível substituídos por um maior. Isso hipoteticamente, porque além de fabricar tanques maiores, a concepção de cada carro teria que ser alterada. Impossível? Não. Mas altamente improvável.

Ao passo que, se você tem um Tesla, bastaria atualizar o programa de computador que limita o uso da bateria do carro elétrico, do mesmo jeito que faz o seu telefone esperto, pela internet e em tempo real. Isto é, o carro, ou o telefone, enquanto hardware, continuam iguais. O que muda é o software.

Sei que parece filme de ficção-científica, mas é a realidade e já aconteceu.

Em setembro de 2017 o furação Irma se aproximava da Flórida e a orientação das autoridades era pela evacuação do estado. Com efeito, supermercados sofreram com desabastecimento e nos postos de gasolina se formaram filas imensas, repletas de aflição – menos para os proprietários dos Tesla, que receberam online o upgrade de autonomia e puderam zarpar com mais tranquilidade.

A relação com a crise brasileira de desabastecimento provocada pela paralização dos caminhoneiros é evidente. Mas temos autonomia para ir além dela.

++Burrice humana e inteligência artificial

O upgrade que “aumentou o tanque” de cada Tesla não está restrito às baterias. Com um comando semelhante a companhia já poderia transformar toda sua frota em carros 100% autônomos.

Hoje, por meio de câmeras e sensores instalados ao redor do veículo, os Tesla são capazes de decidir qual é o melhor momento para trocar de pista (bastando ao motorista acionar a seta e esperar), ou manter uma distância segura do carro à frente. O mesmo equipamento pode fornecer informações para que o carro decida sozinho o melhor momento para uma ultrapassagem em via de duas mãos. Porém o software ainda não permite que o faça, por não estar preparado para decisões éticas. Quer dizer, tecnologia para carros autônomos já temos, o que falta é o debate filosófico, não só para os carros mas em torno de toda a inteligência artificial e internet das coisas.

Ellon Musk, dono da Tesla, sabe disso e deve estar atento. O empresário e futurologista sul-africano passou grande parte dos seus verdes anos dentro de uma biblioteca. Depois de levar uma surra dos colegas de escola, fez das estantes de livros sua trincheira e de lá começou a pensar um mundo diferente. Nunca mais parou.

Um dos indícios mais consistentes da importância que Musk dá à filosofia é o modo de apresentar suas inovações à sociedade. Ele sabe que os nossos desejos são antigos, enraizados, e que nada avança sem a preservação do que já havia. Assim, o primeiro apelo para a compra de um Tesla é a beleza. O segundo é o desempenho. Tecnologia, sustentabilidade e preço contam, mas são secundários.

Ou seja, o que nos faz desejar um Tesla não é diferente do que nos faz desejar uma Ferrari. Platão já falava disso e é claro que Enzo Ferrari, Battista Pininfarina, Ferdinand Porsche, o próprio Ellon Musk e tantos outros, como Steve Jobs na Apple, anotaram.

O desempenho também merece um destaque. O Tesla sedã acelera de 0-100 Km/h em quatro segundos, tempo equivalente ao de uma Ferrari. E o novo Roadster, modelo esporte, precisará de apenas dois segundos para alcançar a mesma velocidade.

Se parece contraditório, em pleno 2018, contar a história de uma indústria automobilística olhando para o futuro, a explicação também é filosófica. Contraditar é essencial à evolução. Através dos carros e apelos à natureza humana mais profunda, a Tesla avança em diversos outros campos.

Energia elétrica, por exemplo. Carros elétricos dependem dela. E a narrativa de sustentabilidade não para de pé quando lembramos que 60% da eletricidade produzida no mundo é fruto da queima de combustíveis fósseis. O que fez a Tesla? Criou a Solar City, fabricante de placas que captam energia da luz do sol. Mas como convencer as pessoas a aderirem ao modelo de investimento ainda alto? Eles financiam a aquisição das placas e o consumidor só paga quando começa usar, abatendo do custo que tinha com a transmissão convencional.

Armazenar energia era outro problema. Como estocar o suficiente para pelo menos três dias de consumo de uma família? A resposta, de novo, veio com a beleza. PowerWall é uma bateria grande cujo design funciona como uma mesa de centro para a sala, bela e funcional. Você literalmente apoia os pés sobre o estoque de energia.

Túneis urbanos para transporte individual é outra contradição evidente. E a Tesla está trabalhando nisso com o Loop. O apelo é poder viajar em alta velocidade num carro particular e assim chamar a atenção do mercado para novas tecnologias de perfuração, o que deu origem à outra empresa, a Boring Company, que basicamente faz um tatuzão mais barato. O projeto de sessenta páginas foi publicado com autorização para ser replicado sem custo de royalties. Deu certo. Na Inglaterra, a Virgin investiu cerca de US$ 300 milhões na Hiper Loop One. E a americana HyperLoop TT montou um centro de estudos em Contagem, com apoio do governo do estado de Minas Gerais. O mercado final, é claro, será o metrô, coletivo, mas o convencimento é pelo individual.

O modo de pensar do Ellon Musk parece claro. Trabalha sobre os nossos sonhos e desejos para desenvolver soluções. Ultimamente, pela Space X, primeira companhia privada a botar um foguete no Espaço, a Tesla tem feito entregas em estações da NASA que estão em órbita. Depois de inúmeros fracassos, conseguiu chegar a um modelo de foguete reutilizável e cobra US$ 90 milhões pelo mesmo frete que a tradicional United Launch Alliance faz por US$ 380 milhões. Mas fique tranquilo porque, antes de te levar para a lua, ele quer você vá a Paris em trinta minutos desde São Paulo, voando a 24 mil Km/h.

Prepare-se. Como cantou o Vinicius de Moraes, que parecia estar ao mesmo tempo em Washington, Teresópolis, São Paulo, Itapuã e Paris, do jeito que a coisa vai, será de repente não mais que de repente. Sempre lembrando que beleza é fundamental.

Léo Coutinho, escritor e jornalista, é consultor político e estudante de Filosofia na Universidade Presbiteriana Mackenzie

 

 
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Eleição no Tocantins – Análise TUEL | Consultoria Política

Ontem tivemos eleições suplementares em vinte cidades brasileiras e no estado do Tocantins. O que podemos tirar dos números?

A TUEL Consultoria preparou uma análise sobre a eleição no Tocantins.

Para começar, uma tabela com dados sobre os quatro primeiros colocados: quantidade de seguidores no Facebook; tempo de televisão das coligações; posição no IBOPE de maio; resultado na urna.

Facebook (n de seguidores)
1. Katia Abreu PDT 102.96
2. Amastha PSB 35.825
3. Vicentinho Alves PR 39.506
4. Mauro Carlesse PHS 15.223

TV 1 turno
(2) Katia Abreu PDT 8’17”42
(1) Amastha PSB 13’27”54
(4) Vicentinho Alves PR 3’37”98
(3) Mauro Carlesse PHS 7’41”85

Ibope Maio 2018
(1) Katia Abreu PDT 22%
(2) Amatstha PSB 15%
(2) Vicentinho Alves 15%
(3) Mauro Carlesse PHS 10%
Branco 18%
Nulo 18%
NS/NR 12%

Resultado 1 turno
(4) Katia Abreu PDT 15,66%
(3) Amatstha PSB 21,47%
(2) Vicentinho Alves PR 22,22%
(1) Mauro Carlesse PHS 30,31%
Abstenções 30,14%
Nulos 17.13%
Brancos 2,06%

Mais uma vez, a apatia se destaca. O primeiro colocado ficou empatado com a abstenção e, se somarmos a ela votos brancos e nulos, os eleitores que optaram por não votar (abstenção), não decidir (voto em branco) ou protestar (voto nulo), representam metade da população. Quadro preocupante.

A apatia, como anotei (leia aqui) no relatório de dezembro de 2017, véspera do primeiro turno da eleição presidencial no Chile, é um fenômeno mundial. De lá pra cá se repetiu do Líbano à Colômbia, já tinha acontecido no Amazonas e na cidade de São Paulo e se mostra como tendência para as eleições gerais de outubro: metade dos brasileiros não estão tem candidato a presidente e, em São Paulo, o IBOPE mostra que no segundo turno os dois candidatos mais bem colocados têm a mesma popularidade dos brancos e nulos.

Muito se engana quem supõe que trata-se de um fenômeno restrito ao universo político-eleitoral. Como já escrevi aqui, a fogueira que grassa no breu da crise de representatividade é geral. Vale para a iniciativa privada – vide reclamações sobre produtos e serviços, notadamente bancos, telefônicas, planos de saúde –, imprensa, academia, igrejas e até clubes de futebol.

Aqui cabe a metáfora clássica: a política passa por um fenômeno parecido com o futebolístico: nas redes e nas ruas, tiro, porrada e bomba das torcidas organizadas. O que faz o cidadão moderado? Se recolhe e assiste pela TV, cada vez menos empolgado. Compreensível. Mas o preço também é clássico: se vê obrigado a torcer por alguém que não o anima.

Como mostram os números do Tocantins, o candidato Carlesse, do nanico PHS, triplicou sua pontuação entre a pesquisa IBOPE de maio e a urna em 3 de junho. Era o quarto colocado em seguidores no Facebook e sua coligação tinha o terceiro tempo de televisão.

Como isso aconteceu, não sei. Não acompanhei a campanha. Mas se o nome adotado pela sua coligação era também o conceito da candidatura, temos uma pista: “Governo de Atitude”. Este é o zeitgeist. Enquanto as demais coligações caíram na velha esparrela do “É a vez dos tocantinenses”, “Verdadeira mudança”, “Reconstruindo o Tocantins”, Carlesse parece ter se posicionado.

No viés inverso, Katia Abreu derreteu. Ruralista e dilmista ao mesmo tempo, tinha o segundo tempo de TV, muito mais seguidores nas redes e liderava as pesquisas. Acabou em quarto lugar.

Palpite: a dubiedade não terá lugar em outubro. Quem pretende votar espera atitude, posição, ideias claras. Marina Silva estacionada e Geraldo Alckmin oscilando para baixo parecem confirmar. Ao passo que Lula, mesmo preso, se mantém; Jair Bolsonaro oscila para cima e Ciro Gomes, depois da bem avaliada participação no Roda Viva (mostrou ternura sem amolecer) virou alternativa até para a economista Monica Bolle, diva do liberalismo esclarecido.

ATUALIZAÇÃO: Circula pelas rede sociais um vídeo com a presidente do PT senadora Gleise Hoffmann lendo uma carta do presidente Lula apoiando Katia Abreu. Os remeteres atribuem sua derrota à mensagem. Os dados, porém, apontam que sem o apoio o derretimento poderia ter sido maior. Em maio, 47% dos eleitores do Tocantins declararam ao IBOPE que o apoio de Lula aumentaria a chance de escolher determinado candidato. O apoio do presidente Temer ou do ex-governador Marcelo Miranda teriam efeito inverso. Os demais presidenciáveis ou a presidente Dilma não influenciariam ninguém. (Veja íntegra da pesquisa aqui.)

TUEL Consultoria Política | Construção de Narrativa
leocoutinho@leocoutinho.com.br

 
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Pedro Parente da Petrobrás pediu pra sair

Pedro Parente da Petrobrás pediu pra sair. Pudera. Da minha parte, não ouvia falar tão mal de parente desde o último Natal.

Parente é um técnico de primeira linha. Tem prestígio onde deve ter: no “mercado”. Mas não poderia ser deixado sozinho decidindo políticas tão sensíveis ao cotidiano da população. Para isso existe ministro, presidente. Para isso existem políticos. Que bom seria se eles estivessem ocupando os postos respectivos no lugar do bando de turno.

Bando este que já era governo quando o ex-presidente da Petrobrás (e do BB) Aldemir Bendine financiava Porsche para Val Marchiori, ou Val do Frango, com taxas especiais para… caminhão. Pano rápido: quase cem milhões de frangos morreram por inanição desde o começo da paralisação. E parte dos sobreviventes praticaram canibalismo. A vaca-louca (a doença) começou quando botaram uma proteína errada na ração do gado. Haveria carma envolvido?

Antes que venham defender a regra dura do mercado na política de preços da Petrobrás, lembro que trata-se de uma estatal monopolista. Sou a favor de acabar com este modelo. Fazer um plano de privatização racional, liderado por um governo que efetivamente lidere e não apenas use os palácios como valhacouto, caso desta última chapa, Presidenta/Presidento, eleita num processo fraudulento que deveria ter sido cassada.

++ Química, sociologia e a explosão iminente – ou Parente, ouça o Montoro

Porém, por ora, é o que temos. É absurdo uma empresa concentrar tanto poder? Óbvio que sim. Mas já que ainda é assim, quem a comanda deve elevar seus limites na mesma proporção.

Gente de mercado ganha bem para suportar a pressão das tensões do mercado. Tem estações de trabalho com ergonomia e ar-condicionado para segurar emocionalmente as oscilações do dólar e do petróleo.

Não é o caso de quem está no dia-a-dia da estrada, negociando frete no limite da cesta básica, do aluguel. Daí que não cabe transferir para essas pessoas uma tensão que não é delas.

Governar é encontrar meio-termo. Solução radical nunca funcionou na história.

Por exemplo: ontem foi feriado de Corpus Christi. Quem acha que a data saiu da cartola ou da mitra de alguém, está enganado. Para adaptar a turma ao novo calendário, os católicos adotaram as datas das festas pagãs. Lá se vão mais de dois mil anos. Parece que deu certo.

Por isso volto a lembrar do modelo Montoro: “nem o punho cerrado da luta de classes, nem os braços cruzados da indiferença burguesa, mas os braços abertos da solidariedade cristã.”

AINDA – Nota sobre bomba e estopim: Fala-se em nova paralisação nesta segunda-feira. Caminhoneiros estariam insatisfeitos com o acordo. E não querem ficar como responsáveis pelos recursos tirados da educação, saúde, segurança e infra-estrutura para um desconto que não vai chegar à bomba.

 
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Aspectos da paralisação – Regime

Se o militar foi o mais falado durante a paralisação, o mais efetivo, segundo o DataBLC (Blog do Léo Coutinho) foi o regime do brasileiro remediado. Sem pão, batata e descobrindo que pode andar a pé ou de bicicleta, emagreceu em média três quilos em uma semana.

 
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Aspectos da paralisação – Tributos

Sou fã do Eduardo Gianetti da Fonseca. Mas discordo do que ele disse à repórter Érica Fraga na Folha e ao apresentador Pedro Bial na TV Globo.

Nosso filósofo e economista querido teme uma rebelião tributária. Isto é, na linha da revolução americana, que pregava “no taxation without representation”, ele acredita que o brasileiro, por não se sentir representado, pode decidir a não pagar mais impostos.

Meu contraponto é simples e pode ser empiricamente verificado com facilidade. Basta ir ao médico e ouvir da recepcionista na hora de pagar: com nota ou sem nota? Ou pegar o metrô em São Paulo e pedir, DENTRO da estação, uma Nota Fiscal Paulista pelo café (adianto que não há, no máximo sai um recibo). Também vale olhar os produtos à venda nas lojas DENTRO das estações da CPTM: contrabando e falsificações para todos os gostos. Ou ainda ir de carro, à Paulista, estacionar e depois de pagar pedir a Nota Fiscal Paulistana. Quem conseguir concorre a um milhão de reais.

 
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Aspectos da paralisação – Política

Entre os tantos erros políticos do Governo Federal, desde a construção até a “solução” da crise, um acerto se destaca: o Presidento isolou Paulinho da Força, que chegou a se oferecer para ajudar e depois reclamou publicamente do desprezo.

No dia seguinte a Polícia Federal estourou a operação Registro Espúrio (crise de criatividade na PF?), sobre venda de registros de sindicatos no Ministério do Trabalho, envolvendo justamente o grupo do deputado Paulinho da Força.

Dificilmente o sindicalista vai acreditar em coincidência.

 
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