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Datafolha a seis meses da eleição 2018 ou um terço

Boa análise do Renato Dorgan Filho sobre a última rodada do Datafolha. O eleitorado órfão do Lula repete o logotipo da Mercedes. Um terço escolhe ser filho de Ciro ou Marina. Outro terço escolhe não votar, engrossando o cordão da apatia que previ aqui no final de 2017. E o terceiro terço se espalha pela rapa.

Eis a íntegra do doutor Dorgan: “Sem grandes mudanças, o congestionamento de candidatos nos remete a possibilidades semelhantes a 1989, o centro e a direita possuem uma grande quantidade de candidatos semelhantes e é por isso que o extremo se destaca. A saída de Lula do cenário ainda é uma incógnita no que diz respeito pra onde irão seus votos. Neste momento conforme percebemos na pesquisa e em qualitativas, um terço desses eleitores de Lula vão com Marina (mulheres de baixa renda) enquanto que os mais ideológicos de classe média vão com Ciro, os dois terços restantes do voto de Lula se dividem de um lado – nulos e indecisos – do outro entre todos candidatos. Um alerta que sempre faço: quem não tiver lado e posição clara terá dificuldades de estar no 2o turno, essa eleição deste ano no 1o turno será muito mais de opinião do que de exclusão (pela quantidade de candidatos iguais), tentar ir pro 2o turno como o menos pior é engenharia muito avançada pra realidade posta de diversos candidatos e de uma grande insatisfação popular.”

Mais importante é lembrar o óbvio: em outubro alguém será eleito, seja lá quem for.

A parte que não quer escolher atingiu um número nunca dantes visto a seis meses da eleição (21%). De novo, é a apatia. A parte que quer escolher procura alguém com opiniões claras, algo como 1989. (Convém lembrar quem foi eleito, como estreou e como acabou.)

Daí que o importante seria o eleitor pensar em outubro como partida, não como chegada. Entender que vitória significa governar entre 2019 e 2022. Entender que isso depende mais do Congresso do que da Presidência. Entender que o voto é o começo, não o fim do processo democrático. Entender que o cidadão deve participar do processo político.

Encerro com um salve especial aos amigos do segmento social chamado liberal, que gosta tanto de falar no que entendem ser a “vitimização” de alguns grupos historicamente prejudicados: reclamar os políticos e nunca participar é a verdadeira vitimização. Vamos assumir nossas responsabilidades sobre “tudo o que está aí”.

 
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A única novidade no caso Facebook

Recebi hoje, pelo Canal Meio, uma nota sobre o TED2018 citando um trecho da exposição do Jaron Lenier, que segundo a Wikipedia é músico, cientista da computação e percussor da realidade virtual. Com todo respeito e sob o risco de estar sendo injusto, posto que vou comentar sobre uma nota, diria que também é doutor em realidade paralela.

Eis o que o Meio destacou: “Nós cometemos um erro em especial no início. A cultura digital nascente acreditava que tudo na internet deveria ser público, gratuito. Ao mesmo tempo, amávamos nossos empreendedores de tecnologia. Amávamos este mito nietzchiano do homem de tecnologia que transforma o universo. Como celebrar empreendedorismo se tudo é gratuito? Um modelo baseado em publicidade. Daí que o Google nasceu gratuito, o Facebook nasceu gratuito. Os anúncios no princípio eram para seu dentista local ou algo assim. Só que os algoritmos melhoram. E o que começou como propaganda não pode mais ser chamado de propaganda. Hoje é modificação de comportamento. Não chamo mais essas coisas de redes sociais. São impérios de modificação de comportamento. Esta é uma tragédia global nascida de um gigantesco erro. E me permitam acrescentar outra camada. No behaviorismo, você oferece a uma criatura, um rato ou uma pessoa, pequenos presentes ou punições dependendo do que fazem. Nas redes, punição social e prêmios sociais ocupam esta função. Você fica todo feliz — ‘alguém gostou das minhas coisas’. Os consumidores destes impérios de modificação de comportamento recebem o retorno de tudo o que fazem, percebem o que funciona, fazem mais daquilo. E respondem mais a emoções negativas, porque estas despertam reações mais rápidas. Assim, até os mais bem-intencionados alimentam a negatividade: os paranóicos, os cínicos, os niilistas. Estas são as vozes amplificadas pelo sistema. E não dá para pagar a estas empresas para que façam o mundo melhor ou consertem a democracia pois é mais fácil destruir do que construir. Este é o dilema no qual nos encontramos.”

Agora me pergunto: qual é a novidade? O rádio por acaso nasceu por assinatura? E a TV? Ou quantos jornais e boletins são distribuídos gratuitamente? O Meio (excelente) incluído. E o TED, seria possível por outro modelo?

Além da história da suposta gratuidade (que nunca existiu ou, se existiu, foi por um breve período na Grécia, com Sócrates fazendo de propósito o serviço que rendia fortunas aos sofistas, até ser condenado à pena de morte), o palestrante fala em “impérios de modificação de comportamento”. Ora, o quê é Hollywood? E as igrejas? E as guerras e colonizações?

Se Google, Facebook e similares têm alguma culpa, é por competência. Atingiram um nível sempre buscado por todo e qualquer outro negócio. Do marreteiro que vende água no calor e guarda-chuva na tempestade, passando pelos doces expostos no balcão da padaria, chegando aos nossos hábitos de consumo via cartão de crédito, todos os dados sempre foram compilados, estudados e comercializados. A favor do Google e do Facebook podemos dizer que pelo menos são ferramentas eficientes a ponto de muita gente sequer lembrar como era a vida antes deles.

+ Plano Alfredo Alberto ou a desprivatização do Facebook

Quem nutre esperança em vence-los no tapetão, isto é, na justiça ou na política, recomendo deslogar e procurar um bom livro. Ler é sempre bom e, de quebra, economiza a paciência alheia. O Vale do Silício tem uma tropa de lobistas forte e grande o suficiente para enfrentar os exércitos do lobby adversário. E se a tentativa for travar uma batalha de comunicação… Preciso comentar?

Veja pelo lado bom, freguesa. Zuck provavelmente lê esta página e acenou para a sociedade com uma ideia aqui sugerida, conforme segue: Aspas dele na Folha: “A longo prazo o que realmente gostaria de ter é um processo em que as pessoas no Facebook tomem a primeira decisão, com base nos padrões da comunidade, e então as pessoas possam obter uma segunda opinião, num tribunal de recursos.”

E o que eu sugeri: “De qualquer maneira – e talvez com a esperança de receber algum pela consultoria – minha sugestão ao Zuck é a seguinte (chamemos de plano Alfredo Alberto): desprivatize e legue o Facebook à humanidade. Liquide sua posição, guarde alguns bilhões para novos projetos, benemerência, diversão e arte, e deixe a administração da firma acontecer via block-chain, paralela a um conselho de especialistas de categorias diversas, eleitos democraticamente. Assim você se livra do problema e entra bonito na história.”

Pode ser que ele esteja jogando para a torcida. Mas nunca vi alguém da velha guarda minimamente cogitar algo do gênero. Novidade mesmo, se há, é  esta.

 
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Picasso em SP já foi mais fácil

Raul Juste Lores nos conta o caso. Ciccillo Matarazzo queria uma cereja para o bolo que encomendara para os 400 anos da cidade de São Paulo. E encanou de trazer o Guernica para a inauguração da Bienal.

Telefonou e pediu aos Rockfeller, que guardavam a obra num museu em Nova York. Gentilmente eles responderam que eram no máximo guardiões, e que se alguém podia autorizar o empréstimo, era o Picasso.

Ciccillo então falou com a Yolanda Penteado, que se prontificou em ajudar: “Deixa que eu falo com o Pablo.” E assim saiu a autorização. É claro.

Guernica então tomou um avião e veio dar em Congonhas, ali pegado à Bienal. O problema é que a cidade vertiginosa que se preparava para inaugurar um conjunto cultural raro como o do Ibirapuera ainda carecia de pavimentação na via que levava ao aeroporto. E o caminhão com a obra-prima do Picasso atolou no caminho.

De lá pra cá tivemos avanços e retrocessos. Estão por aí e não convém enumerar. A não ser o de hoje, denunciado pelo Ruy Castro na Folha de São Paulo: Picasso e outros, adieu.

Ocorre que, por mais uma norma frouxa das nossas agências reguladoras, na privatização dos aeroportos de Viracopos, Montoro (GRU) e Tom Jobim (GIG), a cobrança das tarifas de entreposto passarão a ser determinadas não mais pelo peso e tamanho do espaço ocupado, mas pelo valor das obras – algo obviamente incalculável em inúmeros casos.

O efeito dessa imbecilidade é obvio: exposições que rodam o mundo colaborando esparramando beleza, história, conhecimento, e proporcionando integração, reflexão, entendimento, estarão comprometidas pela sanha monetarista de dois ou três concessionários.

Diante de atoleiros mentais como esses, dá saudade da modernidade do tempo das ruas de terra batida.

 
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A República, qual república?

Parte desta freguesia já sabe que sou calouro de Filosofia no Mackenzie. Comecei recentemente, coisa de um mês. Os amigos mais sintonizados com o glossário acadêmico perguntam: é graduação? Sim, é graduação. Isto é, aquilo que a turma costuma chamar de “fazer faculdade”. E sim, é minha primeira vez.

Parênteses: a careca vem sendo providenciada pelo trote natural dos anos.

Ontem, na aula de Filosofia Geral, superada a primeira semana de provas, entramos na República de Platão. Destaco aqui o que ele recomendava aos governantes: que se ativessem a questões públicas e jamais se desviassem de sua função, e para tanto não deveriam ter propriedades nem constituir família.

No mundo atual poderíamos acrescentar: sequer tenham amigos.

Tendo a discordar desse sacerdócio platônico, que para mim soa como atribuir ao torresmo a culpa pelo colesterol. Afinal, a culpa é de quem a consome sem a justa medida.

Talvez eu queira ser mais platônico do que Platão, mas prefiro acreditar em governantes que conseguem preterir interesses privados, como família e propriedade, em nome do interesse coletivo. Nomeou o filho para cargo de confiança? Ok, desde que saiba que deverá demiti-lo diante da mais leve suspeita de irregularidade.

Lula e Temer juntos em 2018?

 

Definitivamente não é o que costuma acontecer e tanto eu quanto o Platão somos uns bocós sonhadores diante da natureza humana, que privilegia o particular ao público ou coletivo – aqui representando entidades e empresas privadas.

O que me acalanta e quiçá também ao Platão? Hoje, duas coisas: a crônica do Elio Gaspari (Folha e O Globo) confirmando que no Brasil o molho da buchada saiu mais caro que o bucho e que – modéstia às favas –  os sábios não costumam ter atenção); e ainda a abertura da SP Arte em São Paulo, servindo como homenagem ao décimo livro da República, que trata do debate sobre as artes. É pra lá que eu vou.

A quem possa interessar, afirmo que a carta enviada ao Presidento não me tem por remetente. Mas está aqui, pública, num debate com outro sábio que completa noventa anos neste primeiro de maio.

 
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A salvação é pela paróquia

Contra a corrente, discordo dos que creem que o Brasil sofre uma guinada conservadora. Reconheço, porém, que há um fortalecimento reacionário, com muita gente saindo do armário. Ou, como diria o marechal Castello Branco, as vivandeiras de sempre estão alvoroçadas. No Brasil e alhures, com suas saudades respectivas. Algo natural e esperado em períodos de transformação ligeira, conforme a história ensina.

O Wall Street Journal publicou um artigo a respeito do cenário brasileiro, que está bom, porém superficial. Para ser entendido precisa de algumas pontuações entre os poderes Executivo e Legislativo.

No Executivo, eleição majoritária, o tal Bolsonaro assusta. Mas tem muito mais latido e baba raivosa do que risco de mordida. Fosse uma eleição indireta ele teria chance, porque a maioria do Congresso não reflete a maioria da população. Porém o voto é direto. E a eleição nacional ainda depende muito de capilaridade partidária (tempo de televisão incluído).

De onde vem minha impressão de que a maioria nos salvaria? Da TV Globo. Como já escrevi aqui, a Globo não cede à tentação de mudar a sociedade. Seus movimentos sempre foram e sempre serão retratos sociais, nunca empurrões. Tudo o que passa entre um e outro plim-plim é reflexo do que está nas ruas.

No Legislativo, eleição proporcional, está meu receio maior. Hoje a chamada bancada da Bíblia tem aproximadamente 150 membros, entre evangélicos e católicos, genuínos ou de ocasião, unidos em torno da chamada agenda conservadora, que mais exatamente é a agenda do atraso.

Esses caras não precisam de maioria para se eleger. Um nicho bem trabalhado basta. E nisso eles são pródigos. Tem palanque diário nos cultos, televisões, milhares de rádios e vastos recursos não contabilizados, fruto do dízimo.

Minha perspectiva é que dos 150 eles pulem para quase 200 em 2019. E com o tempo de TV que terão por diante, em 2022 serão 250/300, o que significa maioria. Teremos então uma nova Constituinte, pautada pelo sentimento cristão de conveniência. Será o fim. Porque quem quer que esteja na Presidência, terá que se dobrar a eles para governar.

O único caminho que vejo é transformar toda a eleição em majoritária. E isso acontece com o voto distrital, onde cada paróquia do país elege seu representante, que deve ser morador local, estar ao alcance dos seus eleitores e vice-versa, o que diminui a influência do dinheiro na campanha. Quer dizer, a solução é pela paróquia sim, mas com o rebanho mandando no pastor, não o inverso.

Para chegar lá teremos um passo importante nesta eleição. E se engana que é pela renovação dos deputados. Explico: os velhos caciques, donos partidos, currais, rebanhos, serão reeleitos. Sem voto distrital não tem por onde expulsá-los. O voto de opinião, exausto, desatento, pode cair no conto da renovação. Erro pueril, que pode tirar o mandato de bons quadros com experiência, agenda programática e casca dura para enfrentar as velhas forças. Os calouros que chegarem, provavelmente poucos, até descobrirem qual dos três regimentos seguir, até encontrarem o guichê de protocolo, já estarão perto do fim do mandato e altamente frustrados.

 
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Nossa luta continua

Gosto muito do ministro Marco Aurelio. Mas meu predileto hoje em dia é o Barroso. E a escala de apreço tem a ver com o humor de ambos, não com o resultado de hoje – onde por sinal eles divergiram. Saravá! Nutro certo fetiche com gente inteligente discordando.

De qualquer maneira, fico tranquilo com o resultado. Em que pese tomar posição seja algo que me atrai, eu detestaria estar no lugar de qualquer um dos onze ministros. E os agradeço pelo papel exercido.

Ah, se esta freguesia não gosta do STF, vale lembrar que em outubro vai escolher 2/3 do Senado. Fecha parênteses.

Um resultado diferente não libertaria milhares de presos “temporários” esquecidos nas prisões brasileiras, condenados por pobreza, não por justiça. Mas foi bom terem se lembrado tanto disso. Que traga resultados reais para não parecer encenação demagógica. Inclusive contra quem está livre, leve e solto por ser rico, não inocente.

Em algumas horas Lula pode ser preso. Para mim é difícil acreditar.

Em 2005, portanto há treze dos meus quarenta anos, quando tanta gente ora corajosa só debatia as últimas novidades em SUV e TV sem tubo, eu anotei e insisti na seguinte previsão, que me rendeu adjetivos generosos como louco, “wishful thinker”, despeitado e outro bichos.

Ei-la: “Depois de inúmeras tentativas para se eleger, quando finalmente chegou lá pelo voto popular, ele parecia inabalável. É um dos poucos líderes maiores que o próprio partido, chegando a merecer o sufixo ismo atrelado ao nome para definir seus seguidores.
Vale lembrar que apesar de ter feito um governo com sucessivos escândalos de corrupção, foi capaz de criar e eleger um poste para garantir sua permanência no poder. Poste este que chegou a sofrer impeachment e multiplicou suas dores de cabeça.
Agora está preso na Superintendência da Polícia Federal.”

Seu nome era Paulo Maluf. Hoje deve ser Luís Inácio.

As prisões de Maluf não causaram qualquer protesto nas ruas. Duvido que com a do Lula seja muito diferente. E espero que, por coerência, quem subiu à Paulista para mostrar indignação faça o mesmo por outros casos. Por exemplo o Coronel Lima, que entrou de cadeira de rodas na PF e saiu andando, igual vigarista que esmola em semáforo.

Nossa luta continua.

 
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Gal Villas Bôas e Riachão ou cada macaco no seu galho

É muito grave o twitter do general Villas Bôas. Principalmente porque ele é reconhecido por ser um tipo moderado. Mas também pelo momento em que resolveu se manifestar, sem o cuidado de ser claro sobre o que considera atenção à “missões institucionas”.

O efeito do comportamento do comandante sobre os comandados é igual ao daquela brincadeira telefone sem fio: na ponta sempre dá bode. A prova que precisamos neste caso é que, ainda pelo twitter, certo general Miotto emendou palavras de ordem incluindo “trincheira” e “aço!”. Consta que foi acompanhado por vários outros.

A quem acha que exagero, lembro que as Forças Armadas no Brasil tem a insubordinação no DNA. Estiveram praticamente todos golpes, tentativas e tenentadas do século passado. O mais recente, de 1964, que durou 21 anos, surpreendeu os próprios comandantes, que estavam assanhados mas não autorizaram o levante.

Se o general Villas Bôas está realmente preocupado com o papel institucional do Exército e com a impunidade, deveria começar enquadrando os colegas mais exaltados. No Estado Democrático de Direito cada macaco cuida do seu galho.

E por falar nos macacos, o juiz Marcelo Bretas, provavelmente do amplo apartamento em Botafogo onde vive às custas de dois auxílios-moradia, ou auxílio-quebra-galho, aplaudiu o general com um emoji. Isso depois de ter se solidarizado com a ameaça de greve de fome do promotor Delagnol – greve de fome que lembra dieta, que lembra regime. Cruz-em-credo! Desconjuro! Mas fica a dica para quem tiver um problema na Justiça: contrate uma benzedeira, não um advogado.

Por fim, até agora, nem uma palavra do chefe do general Villas Bôas, que vem a ser Michel Temer. Vou te contar, Presidento… que “jogada de mestre” essa tua.

 
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Tucanos não aprendem

Sobre a dificuldade PSDB em aprender com os próprios erros não faltam exemplos. O abandono do programa original talvez seja o mais profundo. Recentemente FHC admitiu que se pudesse voltar no tempo teria insistido em uma aliança com demais partidos do campo progressista, PT incluído. E no final do ano passado Tasso Jereissati foi abatido em voo pelos próprios correligionários quando deflagrou a autocrítica tucana.

A favor do PSDB alguém pode notar que isso de abandonar programa original é comum de todos, bem como a ausência de qualquer autocrítica, e que de dentro do PT só o Fernando Haddad retribuiu o aceno do xará Cardoso, ainda assim relativizando a imaturidade da “oposição” petista dizendo que só quem já foi governo aprende maneirar.

Mas o que mais me impressiona é o erro estratégico de Geraldo Alckmin na corrida eleitoral deste ano. A eleição é em outubro, ele continua estagnado com um escasso dígito em intenção de voto, os líderes das pesquisas radicalizam cada vez mais o discurso e o espaço que sobra a cada dia fica mais tumultuado, com a profusão de candidaturas chamadas “de centro”. Não fosse governador de SP e presidente do PSDB, muito provavelmente já estaria se contentando com notas de rodapé. Proporções guardadas, para alguém que pretende disputar e vencer a eleição para presidente da República, esse papel coadjuvante pode ser chamado de ostracismo.

Apatia preocupa – e a Eurasia concorda

Mas qual seria o antidoto? Onde estaria a lição a ser aprendida? Vos digo: em casa.

Em 2016 o PSDB monopolizou a imprensa e o debate pré-eleitoral. Mesmo sendo uma disputa municipal, o partido chegava a ser notícia até em jornais nacionais e em periódicos de outras cidade e capitais. Haddad, que governava São Paulo, penava para aparecer. Mágica? Não. Prévia.

Alguém poderia dizer que o processo de prévia machuca. Lembrar que teve até nego de cueca na sarjeta. Tudo verdade. Mas também é verdade que a cueca suja lavada em público de quebra serviu para que os pré-candidatos do PSDB fossem apresentados meses antes dos adversários, e que nessa data os cabos eleitorais tucanos já estavam aquecidos, animados e com discurso na ponta da língua. Quer dizer, a prévia machuca o partido tanto quando a pedra de amolar machuca a lâmina.

+ Turma de 2018

Fazer uma prévia fajuta como que escolheu o candidato ao governo do estado de São Paulo de fato não serve para nada. Sem processo eleitoral e debate , fica-se só com o ônus das desavenças. É como bater com a lâmina na pedra.

Mas um meio-termo, onde Alckmin, combinado com outros correligionários populares em suas regiões, rodasse o país promovendo debates com temas nacionais e locais, faria um jogo de ganha-ganha-ganha que o ajudaria a crescer nas pesquisas, fortaleceria os “adversários” internos em suas corridas a governo estadual ou Senado, e mostraria aos demais partidos que há um ou mais vices para chapa-pura, de modo que quem quisesse conversar deveria pedir logo.

 
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Doria, Kassab e o legado de Maluf

Há um ano, precisamente no 20 de março de 2017, acontecia a primeira e única reunião do conselho de ex-prefeitos da cidade de São Paulo. Se reuniram com João Doria o deputado federal Paulo Maluf e o ministro Gilberto Kassab.

Acho a ideia boa e lamento que tenha sido abandonada. Creio até que deveria ser obrigatória no plano federal. Todos os ex-presidentes deveriam se reunir amiúde. Sei que as gerais adoram fazer troça com as fotos da turma reunida e entendo perfeitamente. Motivo há. Mas também é verdade que ninguém passa pelo Palácio do Planalto impunemente – no mau e no bom sentido. E, considerando que a ideia de transformar ex-presidentes em senadores vitalícios sofre resistência de parte a parte – nem eles nem a sociedade querem –, que retribuíssem compulsoriamente os direitos que preservam depois de deixar o posto (assessoria, carros, segurança) comparecendo a um chá mensal no Palácio da Alvorada, ao qual o mandatário atual também estaria obrigado a participar.

+ Olhos nos olhos

Voltemos a São Paulo. A ideia por aqui não vingou e foi abandonada. Erundina e Marta estavam viajando. Serra tinha fisioterapia. Haddad estava com Lula e Dilma inaugurando extraoficialmente uma obra inacabada na Paraíba. E ao João restou conversar com Kassab e Maluf.

A pauta divulgada foi o plano de privatização, como a de Interlagos. Na melhor das hipóteses, imagino que Doria e Maluf tenham discutido a velocidade ideal no S do Senna, o modo de não rodar na curva do Sargento, a tangência dos laranjas.

Sobre o que não foi divulgado, e tomando por base o caminho que a gestão atual escolheu, só posso imaginar que Maluf e Kassab tenham insistido que bom mesmo é recapeamento. Imaginem vocês que, de acordo com matéria de hoje na Folha, nos quinze breves meses que Doria governou (incluindo de lambuja os dois meses que passou viajando), R$ 716 milhões que seriam destinados a 30 Km de corredores de ônibus foram retirados do Orçamento, inclusive obras estratégicas como a da Radial Leste seguem emperradas. No total, nem um quarto das obras previstas começaram a sair do papel. Em compensação, há o Asfalto Novo, que coincidentemente inclui toda a extensão da rua que vai do LIDE, para onde João voltará dentro de dez dias, até a rua da chácara onde Doria vive no Jardim Europa.

Essa turma… Me lembro de há seis anos ter metido um comentário no Estadão: “Dinheiro suficiente para construir 2 km de metrô, Kassab preferiu enterrar R$ 2,4 bilhões num túnel de 400 metros para carros. É ou não é o filho que Maluf sonhou?”

Definitivamente, doutor Paulo deixou seu legado.

 
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Teremos que escolher entre a Renda Básica e a guerra

Empresas multinacionais, conforme o termo antecipa, têm diversas nacionalidades. Circulam livremente pelas fronteiras. Geram empregos, pagam impostos, criam desenvolvimento enfim. E mais importante: proporcionam um intercâmbio cultural fantástico que, mais distante, é a base da civilização.

Muitas das vezes as empresas têm facilidades para se internacionalizar. Portugal, por exemplo, cuja única opção era navegar, hoje abre seus portos para receber quem quiser investir por lá. Os incentivos e facilidades são tão bons que chegam a ser inacreditáveis para nós brasileiros. Numa manhã você fala com um prefeito sem marcar audiência, abre a empresa e escolhe um terreno repleto de infraestrutura para montar uma indústria com direito a 25 anos de comodato. Parece esmola demais e naturalmente o santo desconfia. Mas você pode acreditar, freguesa, e se quiser saber mais sobre o programa Portugal 2020, clique aqui.

Vistos de permanência também são mais fáceis para quem viaja a trabalho do que a lazer. Não soa estranho? As nações abrem as portas para quem vai trabalhar, isto é, quem busca algum interesse material, mas dificultam a entrada de quem vai de propósito, por curiosidade, carinho, interesse pela cultura estrangeira.

+ A perspectiva da formiga

A questão dos lucros dá um pouco de enrosco. Principalmente as gigantes da internet Amazon, Google, Facebook etc vêm sendo questionadas sobre como distribuir melhor a riqueza criada. Este é um assunto sobre o qual a humanidade terá que se conciliar. No plano local, posso falar do Facebook. Visitei a sede em São Paulo e fiquei admirado em saber que eles fazem questão de pagar o ISS na cidade onde estão. Admirado principalmente porque sabemos de todas as macaquices fiscais que nossas pessoas jurídicas conterrâneas fazem para pagar um pouco menos (ou nada).

Misturando tudo isso, riqueza, desigualdade, povos e fronteiras, volto a insistir no tema da Renda Básica Universal. Acredito que num futuro próximo teremos que escolher entre a Renda Básica e a guerra. Sem distribuir a riqueza não será possível harmonizar imigrações sem violência. A escolha será botar dinheiro em armamento ou distribuí-lo diretamente.

Casas e carros já são montados por impressoras 3D. Nossa comida depende cada vez menos da interferência humana. Drones responsáveis pelo dia-a-dia e tratores ou colhedeiras sem cabine já são uma realidade no campo. Até em São Paulo, onde ainda há ascensoristas nos elevadores da prefeitura e cobradores nos ônibus, se encontra um supermercado onde há caixas de pagamento que dispensam a figura do caixa.

+ O círculo de Gini

Está claro: a função utilitária do homem será substituída pela internet das coisas, robôs e inteligência artificial. Nos restará atividades criativas, como estudos, arte, viagens, contemplação. Montanha ao longe, água corrente, fogo crepitante. O problema é que essas atividades, com raras exceções, só foram minimamente remuneradas na posteridade. E então? Vamos investir nas pessoas ou na posteridade delas?

O Fórum Econômico Mundial de Davos, que é o encontro anual dos ricos, passou os últimos anos debatendo a Renda Básica. Parece que todos já concordam, só não sabem como fazer. Tanto que na ediçnao de 2018 a agenda evoluiu. A preocupação da hora é como fazer a transição de uma humanidade utilitária para a criativa. Meu palpite é que este desafio faz a distribuição de renda parecer algo extremamente fácil.

 

 
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