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Moro conta com as torcidas para matar a Lava Jato

Em um ponto tanto os que amam quanto os que odeiam Sérgio Moro evidentemente concordam: ele teve papel político e parcial enquanto juiz.

O primeiro grupo crê que no combate à corrupção vale tudo e ele fez tudo o que pôde com inegável êxito. O segundo grupo, com óbvios corruptos de estimação, pretendem demolir a operação Lava Jato através de seu símbolo maior.

Pena para os que não amam nem odeiam, meu caso. Paciência. Não é a primeira pena a ser cumprida pela dura posição de manter o mínimo de coerência num país apaixonado por mitos.

Pena para mim e outros, mas condenação geral. Estamos desperdiçando a chance de aprender com o lado bom do problema, que seria fortalecer a República até que enfim entendendo algo vital para sua existência, que é a separação entre os poderes, especialmente os políticos e o judiciário.

Moro, como símbolo nacional, poderia ajudar muito pelo exemplo, mas se recusa a fazê-lo e não é de hoje. Já o fazia enquanto juiz promovendo vazamentos e levantamento de sigilos específicos em momentos agudos, inclusive eleitorais, e então aceitando ser ministro do lado que venceu os prejudicados por ele. Persistiu enquanto político ao adotar posturas frontalmente opostas às que tinha quando juiz, como sobre caixa-dois ou uso de provas ilegais. O juiz dizia que caixa-dois é pior que corrupção, o político perdoa colega de Esplanada que confessou a prática e pediu desculpas; o juiz defendia uso de provas ilegais desde que obtidas de “boa-fé”, o político se defende atacando a ilegalidade do vazamento e imputando má-fé aos jornalistas.

Mas o suprassumo da esculhambação vem com os desdobramentos sobre fato novo. Temos hoje o ministro da Justiça e da Segurança usando despudoradamente o posto e a pasta em benefício pessoal, e há quem aceite a conduta, se esquecendo até que o Poder Executivo tem problemas urgentes para resolver em segurança e justiça. É inaceitável, a não ser que a ideia seja acabar com a Lava Jato e reconhecer que seu ideal era a política, não a Justiça.

Reconheço minhas limitações e sei que não posso mudar o sentimento dos apaixonados. Mas sem nada a perder sugiro as seguintes considerações:

1)   Politicamente o efeito da Vaza Jato está dado: fortaleceu o sentimento dos apaixonados por seus heróis, que são os principais beneficiários da confusão, isto é, quem defende o vale-tudo de Moro, por extensão defende Bolsonaro e o estimula ao mesmo vale-tudo, quem defende Lula ganhou um argumento potente para pedir a anulação de suas sentenças;

2)   No plano governamental acumulam-se prejuízos e atrasos de agenda quando, desequilibrados os poderes da República, seus representantes abandonam a agenda positiva eleita para se dedicar à defesa da proporcionalidade de espaços que garantem o equilíbrio democrático – vá lá que seja parte básica de seus papéis, mas é de se lamentar que estejamos obrigados a nos dedicar a isto enquanto dezenas de milhões sofrem com desalento, desemprego, morte e injustiça social;

3)   Qual será o efeito social que o perdão à parcialidade de um ex-juiz símbolo causará na instância zero da Justiça, que é policiamento ostensivo? Poderão os “guardas da esquina” se afastar de suas crenças no combate à criminalidade ou se sentirão com carta branca para ignorar jurisdição, testemunhas, endereço, provas, cor, credo, gênero e até preferência política? No caso da segunda hipótese, o legado maior da Lava Jato, definido no slogan “a Justiça é para todos” e provado com a prisão de intocáveis será arrancado pela raiz.

 
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Bancada da selfie e agenda do meme definem o Governo

Conforme previsto aqui, a tal “nova política” que emergiu das urnas nas últimas eleições vai se revelando e, no Congresso, já conta com apelido que pode ser estendido às assembleias legislativas: Bancada da Selfie.

As imagens dos dias de debate ou votação falam por si. Todos gravando para as redes sociais, do chão dos plenários, das tribunas, direto das mesas diretoras. Recentemente fantasiaram um assessor de cachorro e o convidaram para compor a mesa. Vale tudo.

Daí que a aparente falta de sintonia entre o Governo no Planalto e no Congresso – aqui entendidos pelo Executivo e pelos parlamentares que foram diplomados na Escolinha do Professor Jair – é só aparente. Na verdade, não podiam estar mais alinhados, seja na forma ou no conteúdo.

Ora, se o presidente da República, com 28 anos de experiência política, demite ministro compartilhando tuíte do filho mais doido, discursa em Davos como quem faz uma “thread” tosca, e na mesma linha esculacha covardemente o presidente do BNDES, o que esperar do seu show de calouros?

À possível parte desta freguesia que ainda insiste na retórica de que começo de governo é assim mesmo, que não demora as coisas se encaixam, lamento dizer que da minha parte não encontro nada que sustente a expectativa.

A Reforma da Previdência, já apelidada de Samba de Uma Nota Só (relevem, Tonzinho e Newton), pode ser dada como realizada pelo Congresso, apesar do Governo. Alguns ainda vão render o assunto: sensatos nos ajustes dos detalhes (do mesmo jeito que a equipe Econômica botou seus jabutis os líderes botaram os seus, tudo certo e sabido); os cínicos que cravavam retomada de investimento maciço mudando o discurso dizendo que não é panaceia; os incautos seguindo o ministro PaGue/Cebolinha e seus planos infalíveis; e outros tantos por total falta de norte, tanto a favor quanto contra o Governo.

Já Bolsonaro, que pode ser louco mas não é bobo, seguirá surfando enquanto puder na onda que afogou Sérgio Moro, desesperando muita gente apaixonada pela Lava Jato que o ministro não mais integra, e comandando o país pautado em sua coleção de memes.

Imagino que pela manhã ele abra o aplicativo de imagens do telefone esperto, deslize pra cima, deslize pra baixo, e conclua: hoje vou falar em armas! Amanhã meto essa da tomada de três pinos. Caixa-preta do BNDES também é bom. E cobrança por bagagem.

Meu lado Poliana sugere que estamos evoluindo, apesar de não ajudar os milhões de desempregados e desalentados. Mas pelo menos os grandes temas nacionais não são mais marxismo cultural, ideologia de gênero, escola sem partido, kit-gay, mamadeira de piroca, golden shower. Nesse sentido até o ex-deputado Jean Willys pode ajudar, aproveitando o autoexílio para desencanar das vergonhas do Cartucho.

Contamos com a colaboração de todos, talkey? Um forte abraço.

 
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Complexo de chihuahua e autoridade

Sempre achei que autoridade pra valer é suave. Que forte é quem protege, não quem ataca. Foi o que a observação da vida me ensinou. E como dizem que depois dos quarenta a gente “dobra a serra”, perplexo me encontro com tanta gente, inclusive os bastante mais adiantados do que eu na estrada, dizendo o inverso, aplaudindo o inverso.

Ora, para mim a autoridade é aquela de mãe ou pai cujo olhar basta para enquadrar o filho traquinas. E o inverso é verdadeiro. Pais sem autoridade sobre os filhos costumam chamar atenção desnecessária a um comportamento inapropriado.

O conceito é tão forte que vale para outras espécies. Um cachorrinho inofensivo sempre vai latir à toa, enquanto ao cão de guarda dorminhoco basta abrir os olhos e fitar uma cena para fazer os presentes pisarem de mansinho. É a diferença entre o chihuahua e o rottweiler.

E qual não foi minha surpresa ao ouvir e ler  comentários favoráveis ao piti do governador João Doria ao constranger em público um coronel de Polícia Militar porque este consultava o telefone celular durante um discurso político. Não compreendo, não consigo compreender.

Primeiro pela própria impostura. Bom senso, urbanidade, educação mandam que um superior insatisfeito com comportamento de um subordinado o repreenda em privado. E considerando que um coronel de PM deve estar sempre alerta, que toda e qualquer mensagem em seu telefone pode ser urgente, donde o tempo de resposta pode ser determinante para a segurança geral, inclusive do governador, esperar que este seja plateia vulgar de discurso político é no mínimo insensato; e deselegante, mal educado. Resumindo, é burrice.

Outro exemplo que vai no mesmo sentido e veste os adjetivos acima sem precisar de ajuste é a forma escolhida pelo presidente Jair Bolsonaro para demitir o presidente do BNDES. Invés de chamar o subordinado, dizer que está insatisfeito e pedir o cargo, usa uma entrevista para enviar um recado deselegante e inapropriado.

No conteúdo, a demissão faz tanto sentido quanto a bronca do governador no coronel. Se a insatisfação verbalizada era mesmo com a nomeação de um técnico que serviu ao governo Dilma Rousseff, como fica o próprio Jair Bolsonaro que nomeou o próprio Joaquim Levy, ex-ministro de Dilma 2? O próprio Bolsonaro, que dia sim, outro também, festeja o ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas, engenheiro e militar que serviu aos governos Dilma 1 e 2?

A lista é maior, inclui general Augusto Heleno, que bate na mesa do café da manhã mas não responde pela sua atuação nos anos mais corruptos do Comitê Olímpico Brasileiro, o governador fluminense que fala em míssil contra favelados mas pia fino quando a primeira-dama entra no palácio, ministro da Educação metido a comediante que usa fatos alternativos para atacar parlamentares.

Sobre o ministro da Justiça nem tem o que dizer. Rosnou enquanto pôde na pose de herói e agora usa a cadeira que já foi de Ruy Barbosa e Tancredo Neses para se defender de questionamentos sobre sua conduta anterior à nomeação, num vexaminoso “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. O mesmo vale para o ministro da Fazenda, PaGue ou Cebolinha, fazendo birra toda vez que seus planos infalíveis encontram a realidade.

Enfim, é o que temos para hoje. Escolhemos isso para mandar no país e nos estados que estão entre os mais ricos da federação. Entregamos a segurança e os destinos da casa a uma matilha de chihuahuas. Agora é suportar a latição até 2022.

 
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Mercado para morrer ou salvem o capitalismo

A turma do tal mercado, e especialmente os funcionários rasos, gostam de destratar o Estado e os governos, dizendo que estes atrapalham o que entendem por “setor produtivo”.

Vá lá que tenham alguma razão. O que tem de norma absurda pelaí é de matar. Hoje sou praticamente profissional liberal e sigo confuso quanto às minhas obrigações tributárias. E depois de ter me arriscado num restaurante, que acabou falecendo depois de quatro anos, serei eternamente solidário ao coitado do pequeno empreendedor. Quem vai ao contador com uma dúvida, volta com duas.

O curioso é o tal mercado, assim entendido pelo que na Faria Lima ainda chamam de “players”, ou “big shots” na Wall Street dos anos 1980, mostrar os dentes para o Estado em entrevistas e convescotes e abanar o rabo em Brasília, principalmente quando rói o sofá – e chama o governo para acertar com o tapeceiro.

No cerne filosófico das reclamações do mercado está a crença de que ele seria capaz de resolver os próprios problemas, e quanto menos interferência normativa, melhor. Na melhor das hipóteses é esquizofrenia, na pior, malandragem.

Se não, vejamos. Danone e Nestlé, companhias que abusam da permissividade na sedução de crianças para vender seus produtos, quando corresponsabilizadas por trabalho escravo infantil na produção de suas matérias primas, avisam que seria impossível verificar cada unidade produtiva. É de ruborizar Pilatos.

Ambev e outras corporações verticalizadas esfolam clientes e fornecedores, tungam consumidores alterando sem consideração receitas que são parte da memória afetiva da sociedade, bancam historicamente campanhas eleitorais as mais diversas e, quando contrapostos com o privilégio de merecerem incentivos fiscais para envasar água com açúcar em garrafa PET na Zona Franca de Manaus, ameaçam o governo com demissões em massa.

Mesma receita de todas as montadoras de automóveis, sempre com apetite por mais um desconto fiscal. Quando recebem, com a contrapartida de empregar, não só não empregam como seguem demitindo.

As gigantes de tecnologia, Amazon, Alphabet (Google), Facebook, controlam e dirigem consumo e informação numa dimensão bem mais ampla que uma ditadura poderia fazer, e recusam qualquer possibilidade de regulação e transparência que são exigidas a qualquer organismo que concentre tamanho poder no mundo civilizado.

Dos bancões, notadamente os brasileiros, talvez seja dispensável falar. Mas para ficar em um deles, o Itaú-Unibanco teve perdão de mais de vinte bilhões de reais em impostos devidos a partir de sua fusão. Para quem foi o dinheiro? Aqui na minha cidade, São Paulo, deviam um monte em ISS, fizeram um acordo quase sigiloso com a Câmara Municipal e… não informaram a CVM. Por quê?

A Petrobrás, na berlinda da corrupção desde o petrolão, passou por um processo de modernização administrativa sob a presidência do Pedro Parente, que criou instâncias de verificação de processos, freios e contrapesos, a fim de evitar que a lambança dos governos anteriores se repetisse. Políticos ligados a tais governos foram rechaçados nas urnas, donde emergiu Bolsonaro. E o que faz o Messias? Nomeia Castello Branco, que desfaz o trabalho do Parente e concentra em si as grandes decisões, suprimindo inclusive a opinião dos acionistas. Tudo com a benção do “liberal” Paulo Guedes, o PaGue, a cada dia mais parecido com o Cebolinha, cujos planos infalíveis só convencem os que veem no vestido vermelho da Mônica uma ameaça.

Mais grave só a posição dos grandes fundos globais. BlackRock, Vanguard, Fidelity, Wellington, JP Morgan Chase, Berkshire Hathaway, State Setreet (!), se fossem países, estariam no grupo da dúzia mais rica e poderosa. Mas pouca gente sabe que eles existem e as decisões são tomadas por comitês que caberiam numa Kombi.

Tenho pra mim que melhor seria se fossem declarados nações, com regras mais claras e processos decisórios mais transparentes. A favor do Bill Clinton e do Koffi Annan, é justo dizer que bem tentaram, ainda no século passado, mas então veio o 11 de Setembro, sufocando o debate pelo medo, liberando várias nações para tomar decisões como se empresas fossem. Quer dizer, deu-se o inverso.

Mas como seriam tais gigantes corporativos se fossem países democráticos? Os países democráticos funcionam? Se não funcionam, quanto de responsabilidade têm as grandes corporações? Fossem elas mais parecidas com países, e não o inverso que se concretizou neste século, haveria maior reconhecimento de suas responsabilidades sociais?

Já vou longe e preciso encerrar. Mas não sem deixar claro a quem leu a crônica como um manifesto socialista, conceito que fracassou no mundo inteiro sempre que foi tentado, que o que há de mais parecido com o socialismo é justamente a mega corporação privada, que faz meia-dúzia de oligarcas e uma imensidão de pobres. Ou que, se o preço de um chocolate depende de trabalho escravo para atender o consumidor, pode-se chamar de muita coisa, menos de capitalismo.

Com a agenda socialista do século XXI, o mercado está marcado para morrer.

 
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Moro tem uma opção

Neste 13 de junho a consultoria Atlas Político publicou pesquisa mostrando que Sérgio Moro mantém a maior popularidade entre os membros do governo federal e outras autoridades. Contudo, a notícia não é boa para o superministro: aos quatro dias do escândalo Vaza Jato, verifica-se queda de dez pontos percentuais na simpatia popular, ou de 60% para 50,4%.

É curioso notar que, quando juiz, em teoria não político e independente de popularidade para trabalhar, em maio de 2017 Moro chegou a 69%. Agora que finalmente tem papel essencialmente político, e portanto dependente de popularidade, amarga um início de derretimento de forma acelerada.

A piada clássica sobre juízes é que, tendo que decidir, sempre descontentarão pelo menos uma de duas partes, o que significa terem no máximo a simpatia de 50%. Já os políticos, ministros incluídos, nomeados por quem venceu as eleições pela escolha da maioria, tomam decisões no sentido de avançar em pautas escolhidas por esta maioria, que podem ou devem contemplar os anseios da ampla maioria das pessoas, e por isso tendem a ser mais populares. Por aí é incontestável que Moro vai mal.

Como será sua vida pública daqui pra frente é uma incógnita. As três principais agendas diretamente relacionadas a ele se mostram comprometidas pela imprudência histórica de sua excelência.

A primeira é a Lava Jato. Se, como mostram as mensagens vazadas, Moro era o líder da força-tarefa, atuando sem limites na condução dos trabalhos, desde que aceitou ser ministro e pediu exoneração, a rigor poderia ajudar mais, ainda que à distância, pelo fortalecimento e organização da Polícia Federal. Sujo pelas mensagens que não desmente, e obrigatoriamente investigado pelos subordinados, fica em situação delicada para qualquer papel, notadamente o de liderança, seja oficial ou oficiosa. Uma pena para o país. Preço que sempre pagamos por preferir personalização à institucionalização de processos.

A segunda é a prematura sugestão para membro do Supremo Tribunal Federal. Se já era difícil, dado o constrangimento do compromisso eleitoral citado pelo presidente da República – que é quem indica, ou das evasivas posteriores do mesmo presidente da República, e ainda da resistência por parte do Senado, que referenda, e de integrantes das cortes superiores que torcem o nariz para périplos sem escala entre a primeira e a máxima instância, com o pesadelo no Telegram tudo indica que o sonho acabou.

A terceira, o Pacote Anticrime, feito nas coxas, sobre convicções pessoais e sem embasamento científico, criticado por especialistas daqui e alhures, se já não era prioridade para o governo ou para o Congresso, deve continuar merecendo a atenção de meia-dúzia de malucos da bancada da Selfie e das traças que porventura se encontrem nas gavetas planaltinas.

Isto é o que temos para hoje, e tudo pode piorar politica e juridicamente para Moro com as prometidas novas publicações do site The Intercept, bem como com as investigações sobre as conversas inapropriadas mantidas entre tantos membros da força-tarefa da Lava Jato.

No primeiro caso o mais novo integrante do rolo é o ministro Luiz Fux, nada popular entre os bolsonaristas, e que por isso contamina o grupo aos olhos de seus defensores mais devotos, mostra potencial de prejuízo político. Outros virão?

No segundo caso, com a evolução da investigação, é alta a chance de um membro do MPF-PR – acostumado a acusar e não a se defender – optar por delatar os demais, e inclusive a PF trabalha com a hipótese de ser um deles a fonte do vazamento.

Por tudo isso, fazer sua defesa e prestar as explicações que a República exige afastado do cargo de ministro da Justiça é a melhor opção que Moro tem pela frente, nem que seja para sinalizar que coloca o interesse público acima do particular.

 
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Saúde do cão

Era irresistível para os candidatos que concorreram nas eleições recentes terem pelo menos uma mensagem associada aos animais, principalmente os domésticos. Creio que ninguém escapou do post com o cachorrinho nas redes sociais.

O desafio era criar uma proposta que parasse de pé e não só sobre quatro patas. Sim, é possível ser pragmático e programático ao mesmo tempo.

Em 2016 eu fui candidato a vereador e propus criar o CheCão. Simplificando, um voucher que diluísse o investimento de dez milhões de reais em um segundo hospital veterinário público. Note: dez milhões em investimento, fora custeio / manutenção.

O argumento era que já existem espalhados pela cidade milhares de pet-shops e clínicas veterinárias. Consta que o número equivale ao de padarias. E, dando um cheque aos donos de cães e gatos e papagaios etc, que comprovassem não poder arcar com os cuidados básicos de saúde do animal, livraríamos o tesouro municipal do investimento, ao mesmo tempo que incentivaríamos a economia local.

Mais: o hospital veterinário instalado naquele então dizia atender à Zona Leste. Papo. Fica no Tatuapé e quem tem um cachorro em Cidade Tiradentes obviamente não pode traslar o bicho. Agora já temos o da Zona Norte, ali pelo Campo de Marte, e o pastor alemão de Perus continua desatendido.

E ainda: meu palpite era que os cachorros, levando os donos para passear, operavam a favor da urbanidade, impondo a convivência entre a comunidade, que não raro se conhece por “a dona do Rex”, o dono do “Lulu”.  Também ajudavam os próprios donos a fazerem o mínimo de atividade física, melhorando a saúde. Fazem boa companhia aos velhos e educam as crianças.

Não por acaso, a Rede Nossa SP divulgava um estudo baseado na análise FOFA (Força, Oportunidade, Fraqueza, Ameaça ou SWOT no acrônimo em inglês) dizendo que a relação com os animais era reconhecida como o único ponto favorável na vida em São Paulo.

Porém, tudo o que eu tinha para fazer a proposta era o meu postulado sociológico e uma ideia baseada em fato orçamentário.

Mas no sábado 1º de Junho o biólogo Fernando Reinach trouxe da Inglaterra pelo Estadão a comprovação científica. Em West Cheshire, de julho a agosto de 2015, foram estudados 385 lares com 191 adultos cachorreiros, 455 adultos sem cachorros e 45 crianças.

O resultado foi que “a variável que melhor explica a quantidade de exercício que uma pessoa faz na semana é a posse ou não de cachorro. O resto (idade, peso, estado civil, renda, educação) não faz diferença.

Pesquisas científicas que provam a relação entre caminhada e boa saúde há bastante por aí e me dispensam da citação.

Quanto, em saúde humana, poderíamos ganhar protegendo a saúde animal?

Pensar cidades saudáveis e felizes passa necessariamente por reconhecer que cada parte da urbe importa para o todo.

 
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Do Esquadrão da Morte à Lava Jato

Uma piada da época da redemocratização me vem à memória. O Esquadrão da Morte, tipo de milícia de justiçamento que surge ainda na ditadura militar, ou um bando formado por policiais que, descrentes da Justiça, saía pelas periferias condenando à morte aqueles que julgavam ser bandidos, vinha diariamente no noticiário.

Como as autoridades mais altas faziam vista grossa e a “gente de bem” apoiava a prática – me lembro de tios ralhando com promotores e defensores dos Direitos Humanos e afirmando que o Estado deveria antes municiar do que conter o bando –, o Esquadrão da Morte, entediado com a falta de limites, passou a matar aleatoriamente inclusive quem sequer tinha indício de contravenção, só para provar que o Estado não funcionava.

Tamanha era a radioatividade que a contaminação entrou nos quartéis de polícia. Fardados ou à paisana, em serviço ou de folga, policiais não sabiam mais quanto estavam rigorosamente representando o Estado ou acreditavam agir por conta própria, e matavam antes para perguntar depois. Era comum PM carregando uma arma extra e fria.

Nesse sentido avançamos um pouco e retroagimos outro tanto. Se já não é tão comum que PM ande com uma arma extra, há milícias espalhadas pelo país inteiro. A polícia ainda mata muito, sobretudo nas periferias. Mas o pior, sem dúvida, é constatar a contaminação para cima, até porque pela altura da montanha se dimensiona a extensão de sua base.

E então chegamos à piada triste, bastante popular nos meus verdes anos. Foi uma gincana entre três polícias, Scotland Yard, SWAT e ROTA. Numa ilha, soltavam um coelho e a equipe que encontrasse o bicho antes seria vencedora.  Os ingleses voltaram em quinze minutos. Os americanos, em meia hora. E os brasileiros só no final do dia, não com um coelho, mas com um jabuti todo ralado que jurava: sou um coelho, sou um coelho!

A dura realidade é que o cenário piorou e parte da sociedade ainda aplaude. Proporções guardadas, os paladinos da Lava Jato, flagrados em promiscuidade na reportagem do Intercept com as conversas entre o juiz Sérgio Moro, o procurador Deltan Dellagnol e outros membros da força-tarefa, combinaram meios de transformar muito jabuti em coelho de acordo com suas convicções. Não falo de Lula ou de um caso específico, mas de tantos delatores que, sem provar o que disseram, hoje gozam liberdade relativa e usufruem do patrimônio roubado porque de certa forma saciaram o desejo de justiçamento da sociedade contra a corrupção.

Reputações foram destruídas, empresas faliram desempregando milhares, reitor Cancellier suicidou-se. O MPF do Paraná tentou pegar R$ 2,6 bi da Petrobrás para criar uma fundação de direito privado. Mas tudo isso parece ser secundário para algumas pessoas. A Lava Jato, que parecia ser uma operação corajosa de enfrentamento das forças corruptas estabelecidas, foi desnudada revelando covardia e parcialidade, e amargamente ainda há quem enxergue a nudez como símbolo de pureza.

Triste, desanimador, desesperador. Mas ainda tenho fôlego para advertir: quando juiz e procurador se corrompem numa súcia e atropelam a lei, ninguém está a salvo de ter que jurar é coelho.

 
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VazaJato ou Sérgio Moro: tchau, querido

É sempre bom lembrar o Machado de Assis dizendo: é melhor cair das nuvens do que de um terceiro andar.

Para você, freguesa, desencantada com a força-tarefa da Lava Jato depois da promiscuidade entre o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dellagnol reveladas pelo site The Intercept, se não cura as dores do desencanto, pelo menos talvez possa consolar.

Sei como é, mas sortudo que sou, me desencantei ao modelo varejista brasileiro, em suaves prestações. O “suaves” entra por conta do jargão publicitário e não reflete a tristeza que senti a cada baque.

Igual a tantos, celebrei, indignado, o vazamento da conversa entre Dilma Rousseff e Lula feito pelo então juiz Sérgio Moro. Naquele então a presidente da República era gravada dizendo ao antecessor que o “Bessias” serviria como portador de um documento que faria Lula ministro, garantindo foro privilegiado e impedindo que um juiz de primeira instância pedisse sua prisão. Lula agradeceu e se despediu com o célebre “tchau, querida”. Repreendido pelo STF, Moro reconheceu o erro e pediu “escusas”.

Porém, outros erros ainda mais graves, do juiz e de integrantes da força-tarefa, incluindo Dellagnol do MPF e a delegada Erika Marena da PF, seguem sem um pio. Para ficar em seis pontos destaco: reitor Cancellier; delações sem prova mas com prêmio garantido; empresas destroçadas e fortuna pessoal dos donos preservadas; outros vazamentos seletivos, como o de parte da delação de Antonio Palocci em período eleitoral; perdão ou silêncio sobre corrupção de coleguinhas de governo; conge.

É tudo muito grave e incrivelmente vem sendo relevado pela Justiça e pela sociedade, mesmo considerando que errar é humano e que a Lava Jato tem o mérito de ter enfrentado forças até então intocáveis. Agora sabemos como o esquema da força-tarefa funcionou e a máxima sobre campanha eleitoral e salsicha, segundo a qual quem sabe como são feitas não compra, foi atualizada com o maior escândalo do Judiciário na história.

Um amigo objetou: para desentupir a privada alguém tem que botar a mão na merda. Pode ser. Mas é o mesmo argumento usado pelos políticos que meteram a mão em caixa-dois para turbinarem suas campanhas e chegar ao poder. Equivalente ideológico-partidário da licença poética? Vá lá. Mas ao contrário de um político, juiz e promotor não podem ter ideologia ou partido como as mensagens reveladas mostram.

Insisto: quem, como eu, defendeu o afastamento de Aécio Neves, Michel Temer, Lula e Dilma Rousseff depois da revelação de conversas não republicanas, por coerência deve defender o afastamento de Moro, Dellagnol e outros implicados pela reportagem.

Segundo Glenn Greenwald, jornalista inglês radicado no Brasil e editor responsável pelo site The Intercept, o volume de dados disponíveis é colossal e o que foi publicado no domingo é só o começo. Há áudios, vídeos, documentos e mais gente por aparecer. Quer dizer, vai piorar.

Mas já é o suficiente para que os envolvidos se afastem de suas funções, até porque nenhum deles nega o conteúdo. No caso do ministro Moro, tudo o que ele fez parece o famigerado ctrl+C ctrl+V das desculpas dadas por cada réu da Lava Jato.

Se optar por resistir no cargo, quem vai sofrer é o governo e a Nação com um ministro da Justiça altamente suspeito. O Congresso deve convoca-lo para se explicar, no STF um pedido de suspeição dorme na gaveta de “vistas” de Gilmar Mendes.

O código de processo penal é claro: Art 101 – Julgada procedente a suspeição, ficarão nulos os atos do processo principal, pagando o juiz as custas, no caso de erro inescusável; Art 254 – O juiz dar-se-á por suspeito e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes / IV – Se tiver aconselhado qualquer das partes; Art 564 – A nulidade ocorrerá nos seguintes casos / I – por incompetência, suspeição ou suborno do juiz.

Ministro Moro, poupe o Brasil e peça licença. Vossa Excelência melou a Lava Jato e já perdeu a cadeira no STF por falta de conduta ilibada. Com sorte, dirão que lhe falta notório saber jurídico. Pode ainda perder a aposentadoria de juiz e ter que arcar pessoalmente com os prejuízos causados. Sendo assim, faça como o pobre brasileiro, que sem mais nada de seu para contar, faz questão de manter o mínimo de vergonha na cara. Tchau, querido.

 
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Integração da América Latina ou bola pra frente e papa Francisco para presidente do continente

Jorge Mario Bergoglio é argentino, professor e papa. Também é o melhor político em atividade no mundo e um Maradona da didática. Mas apesar destes, entre outros atributos, sofre com a dificuldade de ensinar inclusive aos próprios conterrâneos.

Senão, vejamos. Há quinze dias veio a público a carta que o papa enviou a Lula. É cristão prestar solidariedade aos presos, como Jesus fez com ladrões, prostitutas e todo tipo de pecadores. Nada de novo. Mas foi onde a turma no Brasil preferiu prestar atenção, quando a mensagem pontual era: não corrompam o Evangelho com eleições (provocado durante o período eleitoral em 2018, o papa driblou a zaga petista e deixou para marcar o gol católico na Páscoa). Serve também para outras ideias altas, principalmente as de Estado.

E o que fazem seus conterrâneos semanas depois? Usam a grande ideia da integração da América Latina para animar a campanha de reeleição do presidente Maurício Macri, no que são correspondidos pelos malucos do governo brasileiro, com destaque para o presidente Jair Bolsonaro e seu Posto Ipiranga, o ministro PaGue. O que emergiu da visita que era para ser de Estado foi um comício financeiro.

De novo, nada de novo. O começo deste século na América Latina foi marcado por governos que preteriram questões de Estado em favor de seus projetos partidários. Macri e Bolsonaro só repetem a formula de Chavez, Lula, Kirchner.

Em tese, a ideia de integração latino-americana é boa e antiga. Vem desde o século 18 com venezuelano Simon Bolívar, passando pelo 19 com o cubano José Martí,  chegando ao 20 com o brasileiro Franco Montoro. Oxalá também seja inexorável, e que as tungas politiqueiras, como a do termo bolivarianismo, entrem para a História em nota de rodapé, destino de toda mesquinharia.

Abro parênteses para sugerir uma enquete: quanto tempo falta para Bolsonaro descobrir que o sobrenome de solteira da mulher de PaGue é Bolívar e concluir, de acordo com sua lógica de que o nazismo é de esquerda porque o partido de Hitler tinha socialista no nome, que o posto Ipiranga é um infiltrado do Foro de São Paulo?

Voltando ao que interessa, o processo de integração da América Latina, para ser exitoso, inclui outras várias frentes, muito além de uma moeda comum ao Brasil e a Argentina – ainda que esta seja importante e venha sendo aventada desde presidentes José Sarney e Raul Afonsin, que a batizariam de Gaúcho, até as presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner.

Como escreveu Franco Montoro em 1987 (original aqui, batido à máquina e rabiscado a lápis em pdf preservado pelo CPDOC da FGV), é antes por medidas concretas e realistas, e com envolvimento de toda a sociedade, que a integração pode ser alcançada. Cultura, turismo, ciência, esporte, mercado devem andar alinhados.

Veja como funciona. Em 1994 Caetano Veloso gravou Fina Estampa, um primor de álbum que reúne clássicos latino-americanos. Dez anos depois, numa reunião tensa do Mercosul, o ministro da Agricultura Roberto Rodrigues resolveu o impasse pedindo a palavra e saudando cada representante com uma canção original de seu país. Todos cantaram juntos e, voltando à tratativas, chegaram a bom termo.

Outro bom exemplo é o filme Diários de Motocicleta, do cineasta Walther Salles, filho de embaixador-banqueiro-mecenas, que mostra o jovem argentino Che Guevara, ainda em fase imaculada, vivido pelo galã argentino Gael Garcia Bernal, rodando o continente com seu amigo “Gordito”. Quem assiste e não sente vontade de viajar, conhecer e abraçar nossos hermanos sofre de algum problema sério.

E ainda temos por afinidade o futebol, a Amazônia, só dois idiomas e bastante parecidos, terras agricultáveis, clima ameno, energia limpa e abundante, interligação física natural que requer pouca infraestrutura considerando as bacias dos rios da Prata, Amazonas e Orenoco.

Até as nossas deficiências, como a instabilidade política e econômica, contam pontos. É menos complicado propor uma saída para o que está bagunçado do que para o que assentou, como a União Europeia cinquenta anos depois da Segunda Guerra.

Mas não dispensemos os nossos êxitos. Para a unificação monetária a melhor experiência pode ser ofertada pelo Brasil. Ou se alguém tiver uma ideia melhor que a do Plano Real em escala continental para a transição que apresente.

Obviamente o Hemisfério Norte, notadamente os Estados Unidos cá no Novo Mundo, receia a harmonia latino-americana – México e Caribe incluídos – que transformaria a região numa potência global. Que receiem. Para eles não seria novidade ceder ao sul, como fizeram intestinamente depois da Guerra Civil, quando os unionistas vencedores resistiam a retomar equilíbrio de forças com os confederados derrotados, em maioria fazendeiros. Naquele então o maior vencedor, Abraham Lincoln, em gesto de estadista, fez a ressalva evidente: o sul tem comida o ano inteiro e assim sobrevive sem o norte, o inverso não é verdadeiro.

Bola pra frente e papa Francisco para presidente do continente!

 
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Imprensa e anunciantes – que fazer?

Gosto de jornais. Desgosto de shoppings. Problema: lendo jornais on-line, me sinto obrigado pelo sistema estabelecido a percorrer caminhos indesejáveis, como num shopping.

Nos dois casos o motivo parece ser o mesmo: promover o comércio, seja de anunciantes ou lojistas. É compreensível, porque ambos dependem do faz-me-rir.

Por outro lado, a razão de ser dos shoppings é vender, e a dos jornais, informar. Shoppings são espaços livres para passeio, e o preço a ser pago é aceitar ser assediado para o consumo. Dos jornais sou assinante, pago pelo acesso, ainda que supostamente um valor menor do que pagaria sem os patrocinadores.

Para assistir TV aberta o trato é aceitar o intervalo comercial. Mas na TV por assinatura eles também existem e duvido que algum assinante da Globo News não adore ouvir o Luciano Huck sugerindo investimentos – exceto todos os que não sofrem de incontinência urinária. De todo jeito, se for este o preço para o bom jornalismo, está barato. (Se não for pedir muito, quem sabe o anunciante possa produzir umas duas ou três versões extra para variar.)

O fato é que um país sem imprensa é inviável, assim como é inviável imprensa sem patrocinadores e assinantes. Quanto mais empresas anunciarem e mais pessoas assinarem, melhor. É um esquema franco onde todos ganham e vai além: imprensa sustentável e independente é um seguro social. Mantém poder público e sociedade sob vigilância, população informada, serve como porto seguro para proteger quem quer que seja de eventuais injustiças causadas pela desinformação.

Isto posto, compartilho um problema pessoal. Mantenho há anos meu blog escrevendo diariamente e oferecendo conteúdo gratuito. Naturalmente, neste momento uma possível freguesa alfineta: e alguém pagaria? Para minha surpresa, sim. É raro, mas há quem doe clicando nesta lousa à direita, na barra dos patrocinadores, estes que também muito me alegram e honram. Porém eu não poderia viver – e manter o BLC – se dependesse exclusivamente deles.

A alternativa que existe hoje em dia, e que todos os grandes jornais e sites adotam, é se pendurar numa plataforma de anúncios impulsionados sobre os quais não se tem controle, o que por um lado é bom, dado que o comercial sequer conhece o editorial, mas por outro obriga a freguesia, que compra credibilidade, a conviver com reclames escandalosos vendendo físico de Hollywood, riqueza saudita, vigores impublicáveis, medicina milagrosa, o clássico “aprenda inglês dormindo” e que tais. Que fazer?

 
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