Facebook YouTube Contato

Notas soltas

F(r)atura à vista

A falta de noção nacional atinge índices nunca antes vistos na história deste país. Criou-se entre nós uma impressão que é a pior de todas, porque favorece o cenário mais tenebroso. O modelo lulopetista destruiu a economia? Fato. Quem esteve junto, notadamente na pior fase, sem dar um pio e ajudando na eleição e na reeleição da Presidenta? Temer, o Presidento, e sua turma do pudim. Agora, com pavor da volta do Lula, condenado em primeira instância, toleramos o primeiro presidente da República denunciado no exercício do cargo. Pior: há gente tida como sensata que apoia. As pesquisas, alarmantes, estão aí. O primeiro colocado tem quase o triplo de rejeição do quem tem em intenção. O segundo é a personificação do atraso. A Nação se faz de surda e ambos, retroalimentando-se da temerária suruba, disparam. A história e a democracia vão cobrar caro.

Fact checking

Outro costume que vai se enraizando é o dos fatos alternativos. Na cidade de São Paulo o orçamento para 2017 foi feito a quatro mãos pelo prefeito que entrava e o que saia. Agora o prefeito atual diz que o antecessor deixou o caixa a mingua. E o antecessor rebate dizendo que fez a melhor gestão financeira da história. O Tribunal de Contas diz que nem oito, nem oitenta. A Câmara cala. E a imprensa fica de lá pra cá vendendo as versões.

Mas eis que surge – por que urge – os canais de fact checking. O nome em língua inglesa acalanta porque lembra que o problema não é exclusividade nossa. Trata-se de checagem de fatos. Uma turminha dedicada que vai lá, fuça e tenta botar as coisas em seus lugares.

Sobre este caso há aqui uma resposta da Agência Lupa. Pode-se dizer, pois, que um setor da imprensa fez o seu papel em conjunto com o TCM. Agora falta uma autoridade superior botar ordem na casa. Isto é: não deixar que os fatos alternativos continuem saindo impunemente da boca de quem deve satisfações à população. A princípio esta competência é da Câmara. Se não fizerem, que a Justiça tome providências. O que não pode é a gente continuar batendo chapa na rede social enquanto eles se abraçam.

Pra boi dormir

Joesley Batista, com toda aquela gaita, poderia ter chamado alguém profissional para ajuda-lo a escrever o artigo publicado pela Folha. Começa mal, usando o aniversário de um dos filhos como escudo. Então cerca daqui, cerca de lá, e entra nos fatos alternativos, tentando comprar carta de seguro para as operações de compra de dólares simultâneas ao toque do berrante que abalou o Jaburu. Diz que não vazou informações sobre o acordo para ganhar na bolsa. Tática manjada. Inventa-se uma mentira sobre si mesmo para se defender com uma verdade que nunca foi pedida. Quer dizer: tanto faz se foi ele quem vazou. O que vai encrenca-lo é a compra de muita moeda estrangeira naqueles dias. Segura, peão.

Encha o tanque

O Presidento aumentou a CIDE. Quem se lembra dela? Velha conhecida do bolso brasileiro, ficou famosa quando o então candidato Garotinho usou o acrônimo numa pegadinha – e pegou – o adversário Luis Inácio Lula da Silva, creio que já em 2002.

A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico veio pelas mãos do FHC para controlar o preço dos combustíveis. Quinze anos depois poderia debutar num baile federativo. Como? Deixando os estados e as cidades combinarem quanto querem arrecadar em suas paróquias, com cálculos baseados em geração de poluição (saúde), mobilidade urbana, produção agrícola (energia renovável), abastecimento (custo de vida na cidade). Só que não.

Lea se vão dezesseis anos e ela continua, igual a tudo, concentrada no gabinete presidencial. Daí um presidente impopular e denunciado “tem que manter isso aí” e mete a caneta.

E a gente ri, porque é o que resta. O meme que circula pelo WhatsApp é ótimo: “Encha o tanque e ajude o Temer comprar mais um deputado”.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments 

Encha o tanque

O Presidento aumentou a CIDE. Quem se lembra dela? Velha conhecida do bolso brasileiro, ficou famosa quando o então candidato Garotinho usou o acrônimo numa pegadinha – e pegou – o adversário Luis Inácio Lula da Silva, creio que já em 2002.

A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico veio pelas mãos do FHC para controlar o preço dos combustíveis. Quinze anos depois poderia debutar num baile federativo. Como? Deixando os estados e as cidades combinarem quanto querem arrecadar em suas paróquias, com cálculos baseados em geração de poluição (saúde), mobilidade urbana, produção agrícola (energia renovável), abastecimento (custo de vida na cidade). Só que não.

Lea se vão dezesseis anos e ela continua, igual a tudo, concentrada no gabinete presidencial. Daí um presidente impopular e denunciado “tem que manter isso aí” e mete a caneta.

E a gente ri, porque é o que resta. O meme que circula pelo WhatsApp é ótimo: “Encha o tanque e ajude o Temer comprar mais um deputado”.  Mas você pode fazer melhor: sair a pé e pedir #foratemer. É bom para o país, para a sua cidade e para você.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments 

Pra boi dormir

Joesley Batista, com toda aquela gaita, poderia ter chamado alguém profissional para ajuda-lo a escrever o artigo publicado pela Folha. Começa mal, usando o aniversário de um dos filhos como escudo. Então cerca daqui, cerca de lá, e entra nos fatos alternativos, tentando comprar carta de seguro para as operações de compra de dólares simultâneas ao toque do berrante que abalou o Jaburu. Diz que não vazou informações sobre o acordo para ganhar na bolsa. Tática manjada. Inventa-se uma mentira sobre si mesmo para se defender com uma verdade que nunca foi pedida. Quer dizer: tanto faz se foi ele quem vazou. O que vai encrenca-lo é a compra de muita moeda estrangeira naqueles dias. Segura, peão.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments 

Fact checking

Outro costume que vai se enraizando é o dos fatos alternativos. Na cidade de São Paulo o orçamento para 2017 foi feito a quatro mãos pelo prefeito que entrava e o que saia. Agora o prefeito atual diz que o antecessor deixou o caixa a mingua. E o antecessor rebate dizendo que fez a melhor gestão financeira da história. O Tribunal de Contas diz que nem oito, nem oitenta. A Câmara cala. E a imprensa fica de lá pra cá vendendo as versões.

Mas eis que surge – por que urge – os canais de fact checking. O nome em língua inglesa acalanta porque lembra que o problema não é exclusividade nossa. Trata-se de checagem de fatos. Uma turminha dedicada que vai lá, fuça e tenta botar as coisas em seus lugares.

Sobre este caso há aqui uma resposta da Agência Lupa *. Pode-se dizer, pois, que um setor da imprensa fez o seu papel em conjunto com o TCM. Agora falta uma autoridade superior botar ordem na casa. Isto é: não deixar que os fatos alternativos continuem saindo impunemente da boca de quem deve satisfações à população. A princípio esta competência é da Câmara. Se não fizerem, que a Justiça tome providências. O que não pode é a gente continuar batendo chapa na rede social enquanto eles se abraçam.

EXAGERADO O relatório de fiscalização das contas de 2016 diz que o caixa bruto da Prefeitura no fim do ano passado realmente era de R$ 5,34 bilhões. Porém, depois de descontadas as despesas que deveriam ser quitadas no curto prazo, o saldo restante era de R$ 3,15 bi. No documento, foi descrito que “as disponibilidades financeiras da Prefeitura em 31.12.16 eram suficientes para saldar as obrigações de curto prazo. Se todas essas obrigações fossem pagas, restaria um saldo da ordem de R$ 3 bilhões”.

Portanto, um superavit. Mas o TCM-SP ressaltou que, desse montante, apenas R$ 305,7 milhões seriam recursos livres, ou seja, aqueles que poderiam ser usados para pagamento de qualquer despesa. Em comparação, Gilberto Kassab deixou a Prefeitura de São Paulo em 2012 com mais verba livre: R$ 494,9 milhões.

Haddad informou por sua assessoria que deixou R$ 5,5 bilhões em caixa e que o dinheiro era mais do que o suficiente para pagar as despesas de curto prazo. Segundo ele, até dentro das verbas vinculadas seria possível fazer investimentos na operação urbana.

 

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments 

F(r)atura à vista

A falta de noção nacional atinge índices nunca antes vistos na história deste país. Criou-se entre nós uma impressão que é a pior de todas, porque favorece o cenário mais tenebroso. O modelo lulopetista destruiu a economia? Fato. Quem esteve junto, notadamente na pior fase, sem dar um pio e ajudando na eleição e na reeleição da Presidenta? Temer, o Presidento, e sua turma do pudim. Agora, com pavor da volta do Lula, condenado em primeira instância, toleramos o primeiro presidente da República denunciado no exercício do cargo. Pior: há gente tida como sensata que apoia. As pesquisas, alarmantes, estão aí. O primeiro colocado tem quase o triplo de rejeição do quem tem em intenção. O segundo é a personificação do atraso. A Nação se faz de surda e ambos, retroalimentando-se da temerária suruba, disparam. A história e a democracia vão cobrar caro.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments 

#TBT A Paz por preguiça

A Sônia Racy acaba de furar os coleguinha e anuncia a criação de um parque municipal no Campo de Marte. Desejo antigo desta página, como esta freguesia deve se lembrar, nesta croniqueta de um feriado datado de 2012. Avante!

 

21/11/2012

A paz por preguiça

Os feriados deixaram a cidade deliciosa. O Ibirapuera poderia estar menos cheio, mas assim mesmo estava um deleite. Três medidas básicas para melhorar a convivência no parque é fazer os ciclistas respeitarem o limite de velocidade de vinte quilômetros por hora e o espaço da ciclovia, estejam eles sobre duas, três, quatro, uma ou quantas rodas a imaginação permitir, isto é, skatistas e patinadores de todas as modalidades não podem brincar no meio dos pedestres. Carrinhos de bebê e cadeiras de roda liberados, é claro. Automóveis proibidos, notadamente o da Guarda-Civil, que também deveria usar bicicleta ou, no máximo, carro elétrico.

Outra medida boa seria a criação de mais parques. O Jockey Club em Cidade Jardim é uma área que deveria ser desapropriada. O clube fica com o espaço e os serviços da sede e o entorno vai para a cidade. Derrubam os muros, inclusive os da Marginal. Na Zona Norte também há muros demais. Passei por lá e fiquei espantado com o tamanho do Parque Aeronáutico na Braz Leme. A freguesia pode conferir pelo satélite do google. É imenso e, melhor, nem precisa ser desapropriado, porque se é da Aeronáutica, é do Brasil e de todos os brasileiros, militares ou civis. É só abrir a porta. Não sei se o comandante da Força Aérea ainda é o brigadeiro Saito mas, se for, tanto melhor, porque de jardim japonês manja muito. O freguês que estiver na rede visite no site novo do Lucas Lenci e confira a foto Domingo no Parque para ver como pode ser bom.

Fui à Zona Norte conhecer a Casa Garabed, um armênio que há cinquenta anos prepara uma esfiha de tirar o chapéu. Comi a de cordeiro com hortelã fresco e snoubar, que são aqueles pinhõezinhos que os italianos dizem pinoles. Que generosidade! E que sabor também. Provei a de carne bovina da minha Neguinha e também gostei muito. Depois experimentamos o quibe assado e o mudjectere, que é o arroz com lentilhas e ainda mais snoubars, e coalhada seca. Tudo feito da hora. Nunca vi coalhada seca tão fresca.

Esse negócio de diferenciar a comida árabe é para especialistas. O Dudu Kalili sabe a diferença entre o tempero sírio e o libanês. O Ronaldo Cury de Cápua também. Diz que sua cozinha predileta na cidade é a do Club Homs – que pelo nome deve ser síria. Uma coisa é certa: parecem todos iguais, mas são muito diferentes. Na véspera da Casa Garabed, que é armênia, almoçamos no Cedro do Líbano, na Pamplona, que também faz esfias na hora, e que no prato parecem iguais, mas na boca e na digestão são completamente distintas. A cozinha armênia é mais leve e perfumada, mas as duas são gostosas.

Se a gente atravessar o Mediterrâneo e for à Itália da na mesma. Outro dia, conversando com um amigo novo chamado Gerardo Landulfo, que sabe tudo de lá, ouvi uma interessante. Alguém lhe serviu uma massa à bolonhesa e enfeitou o prato com um ramo de manjericão, o que bastou para ele recusar: em Bolonha o clima proíbe ervas frescas. Estas, por sinal, só mais ao sul ou no litoral. Pode? Mas para falar a verdade nós também temos as nossas. Uma moqueca capixaba jamais seria servida com dendê. Botou dendê virou baiana. E com o feijão, que confusão? Os cariocas comem o preto e os paulistas o marronzinho, chamado carioquinha.

A humanidade é assim, simples e complexa ao mesmo tempo. Duas fitas ótimas que estão no cinema falam disso. Ontem fui ver Um alguém apaixonado. Saí babando: elenco, diálogos, roteiro, direção, trilha e até a locação. Eu moraria feliz na casa do velhinho. Os japoneses absorveram a influência ocidental sem perder a identidade, e há um diálogo sobre uma tela chamada A garota e o papagaio que é exatamente isto: técnica ocidental com espírito japonês.

O outro filme é o E agora, onde vamos?, da Nadine Labaki, que é a Sophia Coppola franco-libanesa. Lindíssima e com toda a sensualidade que só o pudor constrói ela dirige e atua brilhantemente. Faz um pout pourri onde cabe comédia, drama, romance, musical. E, por que não emendar, documentário, porque me mostrou em duas horas a realidade de uma vila libanesa igual a que os meus amigos Chacra vêm há anos tentando explicar. É um extrato social que na proporção serve à humanidade inteira.

Como diria o José Gregori, as brigas intermináveis às vezes acontecem entre vizinhos ou irmãos. E pelo motivos mais distantes e até insignificantes. Os bolonheses brigam entre si para definir a receita do molho que já foi violada e maltratada no mundo inteiro. Paulistas e cariocas já bateram boca por muita coisa, inclusive por feijão. Mas o clichê política, futebol e religião continua insuperável. E inexplicável, também. A freguesa ou o freguês que chegaram até aqui podem aproveitar para olhar o artigo de ontem no blog do Guga Chacra. Depois de passear por intermináveis tribos, grupos, governos, Estados, territórios, religiões no Oriente Médio, antes de visitar a Líbia e a Tunísia, para não complicar, ele arranja espaço para um cristão marxista que é líder exilado.

Se a paz entre essa turma toda, incluindo os ciclistas, tucanos, petistas, corintianos, palmeirenses, Pires e Camargos não for feita por princípio, que seja por preguiça. Ou por prazer.

 http://leo.coutinho.blog.uol.com.br

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments 

O PIU de cada um

Há mais ou menos um ano o vereador Police Neto abriu o Palácio Anchieta para o 1º Seminário Instrumentos Urbanos Inovadores, proposto e realizado pela FAU-MACK sob organização dos professores Valter Caldana e Carlos Leite.

A estrela da manhã era o PIU – Projetos de Intervenção Urbana. Uma ideia obvia: se a sociedade identifica uma área que pode ser melhor aproveitada, apresenta um projeto à Prefeitura. Provando a viabilidade, a proposta é levada ao Conselho Participativo Municipal (CPM) da Prefeitura Regional, cujos membros são moradores locais eleitos pelo voto facultativo.

Consenso feito, a Prefeitura entra com um “fast-track”, ou acelera os processos administrativos de desapropriação, licenças e todo aqueles carimbos que você detesta. Com um porém: a paróquia deve ser atendida por pelo menos um grande modal de transporte de massa.

Por quê a ideia é obvia? Elementar: a iniciativa privada tem que fechar suas contas e, onde há infraestrutura, o preço da terra é mais alto, as licenças tendem a ficar ainda mais complicadas, eventualmente rola uma oposição popular. Tudo isso custa.  Daí que o mercado vai buscar terra ao longe, onde ninguém amola. E o que sobra para a cidade? Correr atrás com toda infra: transporte público, saneamento, energia, pavimentação, educação, saúde, lazer, coleta de lixo… Banco, padaria, supermercado, farmácia, comércio e serviço em geral.

Na melhor das hipóteses isso demora muito. Muitas das vezes sequer acontece, à exceção de igrejas com seus privilégios, botecos clandestinos, uma boca disso, outra daquilo.

Mas como vivem as pessoas nessas condições? Mal. Muito mal. E são a maioria. Todas enlatadas em ônibus precários, bem diferentes dos que circulam pelos centros. Gastam horas preciosas que poderiam ser investidas em sono, alimentação, tempo com a família e os amigos.

Resultado? Mais custo para saúde, educação, qualidade de vida etc. E para a economia da cidade, que fica mais cara para todos. Quer dizer: a conta, de novo, não fecha.

Essa lógica perversa vem de muito. O exemplo mais conhecido é Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, conhecida mundialmente pelo filme homônimo. Mas apesar do êxito da obra, simultâneos ao desenrolar das fitas Brasil afora esparramaram-se pelas periferias projetos similares como nunca antes na história deste país. O fenômeno tem nome: Minha Casa, Minha Vida. Ao que o urbanista Jaime Lerner emendou – Meu Fim de Mundo.

O PIU veio para romper com isso, conciliando as possibilidades de São Paulo num amplo debate entre governo, sociedade e iniciativa privada. Todos felizes.

Naquele seminário, quando abriram para intervenção da plateia, falei que o terreno onde fica a regional de Pinheiros e onde eu estou conselheiro, dava um belo PIU para habitação social. 50 mil m2 na beira da Marginal, com trem, metrô, ônibus e, quando chegar a hidrovia, o porto será ali.

Na região moram 300 mil pessoas e a população flutuante de trabalhadores e visitantes chega a dois milhões de pessoas por dia.

Por tudo isso o mais feliz entre os felizes era eu quando veio o PL404/17 do prefeito João Doria. Parte do plano de desestatização, ele apresenta diretrizes das áreas públicas que poderão ser privatizadas. E cita nominalmente só uma. A da regional de Pinheiros/CET.

Na quinta-feira 13 de julho a reunião do CPM tratou do tema, com a presença de membros da sociedade representando a Câmara de Vereadores, a iniciativa privada e a academia. Decidimos chamar o Prefeito Regional para esclarecimentos e pedir uma audiência pública na Câmara.

No dia seguinte, furo da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo: a área seria permutada com a do Parque Augusta, que tem metade do tamanho e é das construtoras Cyrela e Setin. A diferença seria coberta por contrapartidas diversas.

Duas vezes seria porque o acordo ainda depende da anuência dos vereadores e cresce a pressão popular. Com o perdão do trocadilho, cada qual vai querer dar um PIU. Exatamente conforme pactuado com o então candidato João Doria, que proclamando descentralização e participação, sagrou-se prefeito num primeiro-turno histórico.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments 

Diálogos urbanos

Algo desorientado ali pela Teodoro, pergunto à uma lojista se a Pedroso fica para cima ou para baixo. Ela não sabia. “Só trabalho aqui, moço.” Porém outra jovem senhora que passava ouviu a conversa e acudiu: “Está vendo aquele prédio ali? É na Pedroso. Mas aonde você vai?” “Regional de Pinheiros.” “Onde é isso?” “Na rua da Cruz Torta.” “A igreja?” “Isso. Obrigado.” “Mas você vai a pé? Que horas é a missa?”

Já na altura do Tomie Ohtake uma roda pita animadamente na calçada. No sentido Rebouças um tipo fitness faz cooper e contesta: “Olha o cigarrinho!” Curioso. Tendo o vasto e arborizado Alto de Pinheiros para suar respirando bom ar, e o Villa Lobos inclusive, o distinto prefere correr entre automóveis, motocicletas e ônibus. Mas o que o incomoda é a nicotina. Deve ser parente do burocrata que proibiu o fumo em garagens.

Abro o celular e confiro as últimas tratativas para um “call”. Duas dúzias delas ainda na tela, fora os vários ok já deletados. Vinham combinando um desses telefonemas coletivos tão em voga. Um só podia às treze da segunda ou às quatorze da terça. Outro às 12h15 da quarta. Impasse. Até que alguém sugeriu 18h30 da quinta. Ok, ok, ok, ok, ok, ok. Pauta, links, referencias. Às 18h15 instalei o fone de ouvido e procurei um banco na rua para a reunião. Não havia. Me arranjei no café de uma livraria. Chocolate. Maravilha. Só que não. Algum telefone esperto ficou sem sinal e começou tudo de novo. Minha geração é um colosso.

O telefone toca e levo um susto. Dentro da orelha não estou acostumado. É um amigo liberal, desencantado com o prefeito, que havia determinado traje específico para os uberistas e afins. “Sapato! Onde já se viu exigir sapato em 2017! O Estado não tem mais o que fazer?” Argumentei que o João é assim mesmo, tem mania de dress code. Jantar de branco, para reunião de secretariado calça azul (sem furo, com vinco) e camisa branca. Apareça com uma listrada e tome guaraná quente. Fora os uniformes mais recentes. Irredutível, meu amigo disse que perdeu uma namorada porque não abriu mão de usar sapatênis. Foi trocado por um hipster que sensualizava em botas de lenhador. “Antes enganado do que submetido! E logo o Doria, que até à TV vai de sapatênis e sem meia. Como pode fazer isso com a gente? E o Estado mínimo?” Insisti dizendo que problema mesmo, coletivo, estava na proibição de placas de outras cidades trabalhares aqui. Somos uma megalópole. Quem vai ou vem de Campinas, Guarulhos, ABC, idealmente poderia ser Uber ou Cabify e tornar as cidades mais inteligentes. Ao que ele, já exaltado, respondeu: “Também tem isso? Impostos! Malditos impostos. Em 2018 vou de Bolsomito!”

Subitamente meu telefone, que estava carregado, qual uma flor que mingua se exposta à energias negativas, secou a bateria. Telefone espertíssimo. Valeu, Steve.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments 

Distritão é a velha capitania hereditária

Se aqui da planície é difícil entender o que será o amanhã, no Planalto não é diferente. São 594 parlamentares, patrões e satélites respectivos procurando uma maneira de sobreviver a 2018. Com as honrosas exceções, a maioria tem um objetivo essencial: manter o foro privilegiado.

Só esta semana duas pérolas vieram. A natimorta emenda Lula, apresentada pelo deputado Vicente do PT, que de Cândido só tem o nome, que ampliaria o habeas corpus eleitoral para oito meses, impedindo que qualquer candidato fosse guardado no período equivalente de véspera da eleição, salvo nos casos de flagrante. Excesso de provas continuaria absolvendo?

Um cínico diria que a medida poderia incentivar a participação de quadros novos, dada a quantidade de brasileiras e sobretudo brasileiros interessados em escapar da lei. E como um gambá cheira o outro, alguém por perto emendaria que muita coisa não mudaria. Tá puxado.

A outra pérola do par de brincos que as orelhas brasileiras receberam sem pedir foi a volta do Distritão. Ou melhor, o Temerão,.

Ambas têm os apelidos merecidos. Fazem justiça aos autores e/ou beneficiários primeiros. Lula e Michel Temer.

A rigor é a consagração das capitanias hereditárias, regra de quase 500 anos, inventada pela Coroa Portuguesa para administrar seus territórios e impedir o surgimento de líderes indesejáveis, isto é, aqueles que não beijavam a mão do imperador. Nativos, estrangeiros, a plebe. Qualquer um com opinião diferente era impedido de participar da vida política.

O fracasso administrativo não impediu o êxito político, histórico cultural no Brasil. As capitanias vigoram até hoje. Se por um lado eles querem se perpetuar hereditariamente, do outro pouca gente de fora do sistema se dispõe a participar.

Com efeito, dois terços dos senadores têm parentes com mandato. É corriqueiro ver famílias com representantes em cada casa legislativa.

O Temerão vem para acabar com a informalidade do esquema. Levou bomba recentemente, veja aqui, mas se passar agora deve tornar oficial as capitanias todas, enfraquecendo os partidos já em frangalhos, afastando ainda mais os representantes dos representados, ampliando o custo de campanha.

A alternativa que não quer calar e lá no Congresso continua sendo a mulher pra trepar, aquela que todos namoram mas ninguém jura? Voto distrital e Parlamentarismo.

 

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments 

Melhor prevenir do que remediar

Eu sou gordo. E se estou magro é graças a um fenômeno da ciência chamado redução de estomago. E de intestino.

Graças também ao meu amigo Nico, o Antonio Penteado Mendonça, advogado especialista em seguros e atual provedor da Santa Casa de Misericórdia.

Ocorre que nos exames preliminares para aprovação da cirurgia exigidos pelo plano eu não passei. Me atrasei entre um compromisso e outro, não almocei e por  gramas a menos levei bomba.

Derrotado como uma Marta Rocha invertida, telefonei ao Nico. No ato ele resolveu a questão, pro bono, tanto para mim quanto para o plano, que se não tivesse me operado teria um paciente com potencial de despesa altíssimo a médio e longo prazo, enfermo dos males inexoráveis da obesidade. A história está no meu livro Gordo Pensando.

Ontem, talvez se lembrando da história, porque gordo sempre acha que pode comer sem custo para a saúde, ele botou na sua coluna do Estadão o artigo Não tem lanche de graça, onde explica o óbvio: alguém sempre paga a conta.

O motivo, porém, era a determinação da Justiça Federal que obriga os planos de saúde à cobertura ilimitada de tratamento psicológico aos seus segurados. E prova que assim a conta deve encarecer. Para todos.

Além de obesidade, que igual dinheiro, amor e tosse é impossível esconder, também tenho depressão, uma doença triste, tão triste que é comum viver escondida do próprio doente. Mas ambas têm uma semelhança: funcionam como causa de efeitos ainda piores para o organismo do que já são.

O Nico tem razão quando afirma que a conta dos planos de saúde vai aumentar com a decisão da Justiça Federal. Mas talvez sob outro cálculo possa fazer sentido. E o cálculo é o da cirurgia de redução de estomago, que os planos (e o SUS) não cobriam e passaram a cobrir há uns dez anos. Quanto eles economizaram com os gordos que entraram na faca? Quanto ainda hão de economizar?

Palpite: só com o tratamento psicológico dos hipocondríacos que correm para o aconchego dos pronto atendimentos por qualquer gastura imaginária, poupariam uma fábula real.

Como diriam os antigos, é melhor prevenir do que remediar.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments