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Notas soltas para abrir fevereiro

Só um cataclismo tira de Renan Calheiros e Rodrigo Maia as presidências do Congresso e da Câmara, respectivamente.

Bolsonaro, em jejum oral, fez questão de telefonar a Renan e dar os parabéns pela eleição prévia no MDB. A voz de Deus diria: “Quem meu filho beija, adoça minha boca”.

A notícia vazou e o presidente teve que telefonar aos tantos candidatos. Praticamente 10% dos senadores resolveram disputar. Não consta que a deferência “republicana” tenha se estendido aos candidatos à Presidência da Câmara.

O Planalto joga perigosamente. David Alocumbre, presidente em exercício do Senado, candidato à Presidência da Casa e preferido do ministro-chefe da Casa Civil Onyx Lorenzoni, revogou pela manhã a norma que o impediria de ser ao mesmo tempo presidente e concorrente. Em seguida demitiu o secretário-geral da Mesa Luiz Fernando Bandeira de Mello, aliado de Renan. Com a caneta na mão, poderá exigir votação aberta, o que atrapalha os planos de Renan. Jogo bruto na Câmara dita alta, que antecipa o clima do período que se inicia.

Eloquente é o silêncio de José Dirceu. Se durante a campanha o galã de 1968 não economizou saliva, tornando ainda mais escorregadio o caminho de Fernando Haddad, desde então está quieto, provavelmente desfrutando mojitos.

General Mourão defendeu que é da mulher o direito de decidir sobre aborto. O bispo Edir Macedo (IURD) segue a mesma linha desde o século passado.

Por falar em silêncio, por falar em Mourão, Bolsonaro só terá alta dentro de uma semana. Então quem vai discursar na sessão mista de instalação do Congresso? Mourão não está no exercício, o líder do governo acabou de chegar à Câmara e nunca falou em público. Será o porta-voz? Será o Onyx? Nos bastidores há quem diga que o ideal seria o PaGue, ministro da Economia e presidente de fato para a turma da cobertura. E de preferencia em inglês.

 
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Bolsonaro acertou no milhar ou palmas para o trio PPP: PaGue, Pedro e Paulo

É de se comemorar a notícia que vem da Caixa. Ontem, o presidente do banco, Pedro Guimarães, anunciou ao jornal Valor Econômico que venderá alguns ativos não essenciais, entre eles as Loterias. Minha alegria mora aqui.

Não faço ideia se é bom ou não para o banco ou para o país administrar loterias. Sei que alguns setores insustentáveis no Brasil mordem lá um quinhão do total de apostas. Se a privatização vai manter issodaí, são outros quinhentos.

Comemoro a ideia porque, vingando, abriremos alas para a legalização do jogo no Brasil, o que será um avanço para nós, inda que tardio.

Aqui na vizinhança a turma pode jogar. Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Colômbia têm cassinos. Proibido só em Cuba, obra do Fidel. Aliás, a proibição, rara no mundo inteiro, só é frequente em teocracias como a Arábia Saudita. Dos 193 países membros da ONU, só 37 proíbem jogos de azar.

No Brasil, igual a tanta coisa, a proibição parece atender a alguns interesses bastante particulares. Porque na verdade o jogo “ilegal” rola solto com o bicho, nos caça-níqueis dos milicianos, on-line e em cassinos clandestinos para o café-soçaite.

À disposição do presidente da Caixa podemos somar a manifestação favorável do presidente Jair Bolsonaro à legalização. Ainda no jornal Valor, consta que em maio do ano passado, em palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro, o então pré-candidato disse ser, “em princípio”, contrário à liberação, mas admitiu que em seu governo a proposta de legalização poderia passar e, assim sendo, que deixaria a decisão a cada unidade federativa.

A equação continua numa multiplicação. No discurso-tuíte em Davos, Bolsonaro destacou a importância que o Presidente dá ao turismo. E os jogos de azar são no mundo inteiro grandes indutores do setor. Criam infraestrutura, formam mão de obra e geram empregos diretos e indiretos. Patrocinam entretenimento, cultura, esportes. Estima-se que pagariam entre vinte e trinta bilhões em impostos de reais por ano.

Literalmente, liberar a jogatina será um jogo de ganha-ganha. Ninguém há de ser contra. Mete ficha, presidente. É preto 17!

Dois outros pontos para a turma do PaGue:

. Militares na Previdência (a ver em que medida).

. CPF como chave universal de identificação do cidadão. Isto é, no INSS não será necessário o número do NIS; na Caixa, será dispensável o número do PIS; benefícios sociais? CPF e só. Parabéns ao secretário de Desburocratização Paulo Uebel.

 
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Escola sem noção

Até “anteontem” a Educação era um tema que não dava enrosco. O país inteiro concordava com a necessidade de melhorar a qualidade do ensino depois de termos sanado a questão quantitativa.

Era tão denso o consenso que chegava a esfriar o debate. O último candidato a presidente que ergueu a Educação como bandeira principal foi o senador Cristovam Buarque, quadro fantástico, a quem elogios seriam tão óbvios quanto falar da importância de investir em Educação.

Então veio a história do kit-gay, a mamadeira de piroca, a famigerada escola sem partido, o sei lá o que da ideologia de gênero, e a coisa descambou para a vala comum, atolada em perdigotos mil.

Para se ter uma ideia do que conseguimos levando o debate sobre educação para o lamaçal do populismo, nada melhor do que acompanhar o ministro Ricardo Velez. Contrariado com uma notícia do colunista Alcelmo Gois, Velez preparou uma nota, assinada pelo MEC, acusando o jornalista de ter relações com a KGB, que lhe teria fornecido documento falso e proteção nos anos 1960. E publicou em seu twitter.

Antes de tal conclusão, sem dizer por que, Velez afirma que sempre se recusou “a adotar métodos de manipulação de informação e desaparecimento de pessoas e objetos”. Vá lá que a nota do Gois fale de vídeos excluídos do site do MEC. Mas donde o ministro tirou “ocultação de pessoas e objetos”?

Em tempo: o Gois estava certo e provou publicando os caches do Google, tipo de arquivo histórico de sites, que mostra até quando um conteúdo esteve no ar.

Sinceramente, não sei o que dizer. Para completar, ainda ontem soubemos que Maria Eduarda Manso Mostaço foi nomeada para coordenação-geral de formação de professores da secretaria de Alfabetização do MEC.

Com 27 anos e graduada em Direito pela UEL (Universidade de Londrina), a jovem nunca deu uma aula ou trabalhou com educação. Mas em seu TCC defendeu o ensino domiciliar como possibilidade constitucional contra o declínio da escola. E o ensino domiciliar é uma das metas prioritárias de Bolsonaro para os primeiros cem dias de governo.

Olha, nem Jânio Quadros, depois de tragar quantidade equivalente a toda vodka consumida na KGB, seria capaz de proezas tais.

 
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Feliz ano novo! 2019 começa amanhã

No Data Coco ou em conversa com amigos, andei apurando o humor do mercado financeiro com Bolsonaro. Pode-se dizer que já estiveram mais contentes sem faltar com a verdade ou acrescentar qualquer novidade. Ora, se a Faria Lima quisesse estar ainda mais contente do que esteve no segundo semestre do ano passado, seria o caso de partir para a desinteligência.

O final de 2018 foi uma barbada para os investidores brasileiros. Lavaram a égua com água Perrier. Os bancos estão divulgando seus lucros e a CVM publicando os vencimentos dos executivos principais. Não sei a quantas anda a censura, mas talvez seja o caso de evitar falar dos números, sob risco de ser acusado de disseminação de pornografia.

Nessa chanchada financeira Paulo Guedes seria Paulo Cesar Pereio. Ídolo. O paletó desajustado do ministro, que circula desabotoado mesmo nos palácios em Brasília, está prestes a entrar na moda. Já tem gente fuçando os guardados em busca de relíquias anos 1980. E tome ombreira. Mas o anfitrião em Davos não desabotoava o jaquetão nem quando sentado, argumentei. Qual anfitrião! De lá só anotaram o inglês fluente com sotaque de Chicago.

PaGue personifica o bom-humor do mercado. Estão todos com ele e por ele desde quando Bolsonaro sofreu o atentado e se consolidou nas pesquisas.

Sobre o primeiro mês do governo eu costumo responder mais do que perguntar. Digo o óbvio, que nunca vimos tal maluquice, que a quantidade e seriedade das crises supera o que seria razoável para um mandato inteiro, e que nessa toada não sei até onde a popularidade, fundamental para passar a Previdência, resistirá.

Para meu espanto, “o mercado” relativiza. Diz que os tropeços são próprios de qualquer começo e que tudo se ajeita. Seguem inabaláveis e confiantes. Pudera. Com a sorte que estão… Ou alguém já viu a maior mineradora do país “quebrar” no dia em que era feriado justo na cidade onde fica a Bolsa?

Fato 1: a Vale não quebrou nem vai quebrar. Fato 2: o mercado fechado por feriado naquele 25 de Janeiro serviu como barreira de contenção para tragédias financeiras. Quem tinha ações amanheceu na segunda-feira pronto para liquidar posição e o fez. Fato 3: o mercado é assim, frio, calculista, crente de conveniência. Seus players sabem do que se trata o governo Bolsonaro tanto quanto sabiam dos riscos da Vale. Se a sirene tocar, sairão em bloco. Mas enquanto estão ganhando, e com tamanha sorte, prevalece o deixa estar.

Se você está lendo no celular, senta que agora vai começar. Não esta crônica, que já vai longe, mas o governo.

A bagunça desses trinta dias iniciais foi só o aquecimento. Todos os problemas causados nasceram dentro do governo, do partido ou da família do presidente.

Amanhã abrem Legislativo e Judiciário. Do Supremo aguarda-se a resposta do ministro Marco Aurélio sobre o caso Flávio Bolsonaro e, nas instâncias inferiores, o Japonês da Federal ou equivalente é pesadelo constante para a turma que ficou sem mandato/foro.

No Legislativo será briga de foice. Se a diplomação dos chamados quadros de renovação acabou em pancadaria, aguardemos cenas fortes dessa turma na posse. Eleição para as mesas, vagas em comissões, lideranças, troca-troca por manutenção de mandato de quem se elegeu por partidos que não superaram a cláusula de barreira. E a demanda das redes sociais por conteúdos lacradores de seus representantes. Beco estreito em noite sem lua.

Na Câmara Rodrigo Maia deve ser reeleito pilotando uma geringonça à moda lusitana. Dadas as circunstâncias, é algo positivo. Caso sério é o do líder do governo, major Vitor Hugo, 41 anos, deputado de primeira viagem. Ou do articulador político Leonardo Quintão, que derrotado nas eleições arranjou guarida na Casa Civil. Conhecido pela liderança do grupo que defende a agenda da mineração, o mineiro terá que escolher entre trabalhar pelo governo e defender os eternos aliados; entre buscar votos para a reforma da Previdência e batalhar contra uma provável CPI da Lama.

No Senado chegaram a falar em nove candidaturas, ou 10% de todos os senadores concorrendo. Mas nem a soma de todas elas teve mais atenção do que a de Renan Calheiros, impulsionada por amor e medo; medo e ódio. Consta que uma senadora experiente, cansada da militância “Fora Renan”, chegou a escrever em um grupo de WhatsApp: Voto Renan e vá pra puta que o pariu!

O Planalto chegou a chuchar um nome para a Presidência do Congresso, mas não rolou. Primeiro porque o articulador era Onyx Lorenzoni, notório pouca-prática. Depois porque não se fala em corda em casa de enforcado e todos sabemos da situação do senador eleito Flávio Bolsonaro. É aí que mora a encrenca. Entre os bem cotados, Simone Tebet e Tasso Jereissati não enfrentariam a opinião pública para salvar o 01. O único capaz de proteger o varão dos Bolso no Salão Azul é Renan. E a alternativa mais alinhada ao bolsonarismo, Álvaro Dias, provavelmente jogaria mais lama sobre Rio das Pedras. Aliás, o senador paranaense está de malas prontas para o PRBT, partido que garantiu a vice ao general Mourão.

ATUALIZAÇÃO – Vale repetir a grande novidade para a próxima legislatura no Senado: o gabinete 82. Líder de todos os governos recentes e relator de 80% das medidas provisórias pós-redemocratização, o senador Romero Jucá não foi reeleito, mas abrirá uma consultoria em Brasília. Continuará sendo tratado por senador, porém, sem as limitações do posto, será ainda mais influente e poderoso.

 
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João Doria e a fruta embalada

O governador de São Paulo marcou um gol. Em vídeo publicado em suas redes sociais, apareceu com um belo e fresco pé de alface em mãos para comunicar o fim da cobrança de 18% de ICMS sobre hortifrútis embalados.

Gol narrativo, que o mais feroz opositor de João Doria há de verificar. Ou não é melhor segurar um pé de alface fresco e colorido do que com um pote pálido de farinata?

Na breve passagem pela prefeitura o ora governador propôs incluir um biscoito processado à base de restos de alimento na merenda da rede municipal de ensino. Baita pênalti. O biscoito logo pegou a alcunha de ração, em entrevista o então secretário responsável engasgou provando um bocadinho, enfim, o caldo entornou e a farinata foi pro saco.

Naquele então o pote de farinata apresentado trazia uma imagem de Nossa Senhora por rótulo, e Doria mastigava sem parar que a Cúria defendia o produto – o que é verdade.

A lei de agora, que impulsiona alimentos frescos, é um gol, mas gol de mão. Digo, falta ao decreto uma linha sobre que tipo de embalagem será merecedora do incentivo.

Católico praticante, João deveria ter se lembrado que a melhor embalagem de todas Deus foi quem criou. Ou alguém na história do setor conseguiu superar a casca da banana? Neste quesito, só conseguimos retrocessos. São comuns em São Paulo bananas reembaladas em bandeja de isopor e filme de PVC.

O excesso de embalagens é um dos principais problemas da atualidade. Muito além do problema dos canudos de plástico que infestam o meio-ambiente. Basta ver na sua casa a quantidade de lixo que um dia gera.

Onde vai parar tudo isso, governador? Nos aterros. Nos rios. No mar. Está em tempo emendar a lei e incentivar exclusivamente embalagens biodegradáveis e com restrições óbvias, como as bananas.

Segunda-feira passada, em entrevista ao Roda Viva, o prefeito Bruno Covas atentou para o problema da cultura de menos lixo e o hábito da separação de embalagens passíveis de reciclagem, ainda incipiente.

Nosso principal avanço na área foi a adoção dos saquinhos de supermercado verde ou cinza, educativos, reutilizáveis e biodegradáveis. Foi difícil convencer indústria, varejo e até consumidores. Começou com o agora demi-Chefe da Casa Civil Kassab e só terminou com Haddad. Meus amigos ambientalistas não gostam dos saquinhos, mas eu reconheço a importância didática na transição cultural. Nasci em São Paulo, mas fui educado na escola de samba e aprendi com Noel que o costume é a força que fala mais alto do que a natureza.

 
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Brumadinho/Atualização

ATUALIZAÇÃO 30/1: A versão mais recente divulgada pelo governo Bolsonaro sobre os equipamentos vindos de Israel diz que câmeras e microfones ultrassensíveis poderão ajudar nas buscas por sobreviventes em meio à lama da Vale. Por exemplo, no caso de alguém estar resistindo dentro de um carro fechado ou um cômodo não violado de uma casa engolida pela enxurrada. Oremos.

É boa notícia, não resta dúvida. Há esperança. Mas é lamentável que a confusão na comunicação do governo atual, esparramada por todas as áreas, chegue a tal ponto, sem considerar a delicadeza do estado de espírito de quem tem entes queridos desaparecidos.

A imprensa, nesse caso, deve ser vista como aliada. Notadamente em consideração a uma população cindida e já esgotada pela aposta na desinformação. Uma coletiva no desembarque teria ajudado. O tenente-coronel Rafael Sadi, que lidera a tropa israelense, tem dado entrevistas atenciosas e até simpáticas. Curiosamente, ele fala português. Esteve no Brasil pela primeira vez há quarenta anos.

 
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Ainda sobre Brumadinho – acréscimos, erratas e curiosidades

Ainda sobre Brumadinho e o desgoverno Romeu Zema, vale acrescentar alguns pontos e corrigir outros. De quebra, algumas curiosidades:
. Os bombeiros paulistas expulsos do local pelo capitão do Corpo de Bombeiros que coordena as buscas eram provavelmente bombeiros civis, gente que se dispôs a ajudar com a mão na massa. Atitude nobre, solidariedade em estado pleno. Se por qualquer motivo não puderam ser aproveitados, também não pecaram por omissão.
Sendo bombeiros civis e não militares, tal oferta de socorro não passou pelo governo do estado de São Paulo. Ainda assim, houve entendimento entre os governos Doria e Zema e há equipes paulistas trabalhando em Brumadinho.
. Outros bombeiros civis de outros estados também se prontificaram em marchar para Brumadinho e oferecer ajuda. Caso de Santa Catarina.
. Curiosidade: Leonardo Rodrigues, também conhecido como Leo Bolsonaro, é roommate de Carlos “Chiqueirinho” Bolsonaro, o 02. Leo foi à Brumadinho como membro da comitiva presidencial, posou de papagaio de pirata do governador Romeu Zema e tirou fotos com bombeiros fardados. O que faz exatamente o distinto por lá, os governos do Brasil e de Minas não explicaram. Será uma exceção de voluntário oficioso bem-vindo?
. A equipe que veio de Israel trazia principalmente a esperança de usar tecnologia de ponta para encontrar sobreviventes. O problema é que o equipamento funciona detectando calor, e depois de 48 horas sob lama, é improvável que ainda haja algum corpo quente, isto é, com vida. Ainda assim, os quase 150 homens serão aproveitados como mão de obra de apoio aos bombeiros militares que trabalham nas buscas.
. O Exército e a FAB estão trabalhando no socorro. Porém há um mal-estar com a falta de sintonia entre os governos de Minas e federal, que pode ser atribuído à tensão do momento. Fato é que, conforme antecipou o blog da repórter Andrea Sadi, o governo Zema não acionou as equipes de prontidão na 4a brigada de infantaria em Juiz de Fora.
. Curiosidade: a 4a brigada em Juiz de Fora é conhecida como Brigada 31 de Março, data em que o general Olímpio Mourão Filho acordou de ovo virado e decidiu marchar para o Rio de Janeiro, deflagrando o golpe militar em 1º de Abril de 1964. Não consta que Olímpio tenha parentesco com Hamilton além da caserna.
. Na manhã de hoje o MPF, MP-MG e a PF prenderam temporariamente engenheiros responsáveis pelo laudo que atestava a segurança da barragem em Brumadinho. Documentos e computadores também foram apreendidos e servirão de base para as investigações.
. Sério Bermudes, um dos advogados contratados pela Vale, disse às reportagens da Folha e do Estadão que a companhia não via responsabilidade pela tragédia. Foi prontamente desmentido pela direção da Vale e ficou proibido de falar.
. Curiosidade: Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, trabalhou por dez anos na banca de Sérgio Bermudes, uma das maiores e mais prestigiadas do país.
. O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, obviamente responde diretamente pelo crime em Brumadinho. A seu favor convém acrescentar que, assumindo a presidência da empresa em maio de 2017, de pronto se prontificou em pedir atestados de segurança sobre barragens diversas e que no papel estes eram positivos. Não melhora sua situação mas talvez piore a dos peritos, engenheiros e autoridades envolvidas no processo de licenciamento.
. Também merece elogio a franqueza da conduta de Schvartsman, que imediatamente após o incidente assumiu o rosto da Vale. Alguém há de dizer, não sem razão, que o presidente da empresa não faz mais do que sua obrigação. Beleza. Mas ultimamente a atitude é tão rara que se torna digna de nota.
 
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O desgovernador Romeu Zema em Brumadinho

É muito bem-vinda a ajuda oferecida por Israel e acatada pelos governos federal e de Minas Gerais no socorro às vítimas do incidente da Vale em Brumadinho. Nas redes sociais da BolsoFamília o desembarque da tropa experiente em resgates vem sendo festejado, bem como pelo governador Romeu Zema, que bota fé na tecnologia israelense a ponto de agora falar em encontrar sobreviventes, depois de ter falado em encontrar “apenas corpos”.

Estranho é o fato da ONU, por meio do secretário-geral Antonio Guterres, ter oferecido suporte e não ter encontrado receptividade em Brasília ou Brumadinho, ou pelo menos não nas redes das respectivas autoridades.

O mesmo aconteceu com o governo do Maranhão. Flávio Dino ofereceu ajuda e aparentemente ficou no vácuo.

São Paulo chegou a enviar equipe de bombeiros, com apoio da transportadora Cometa, e o capitão do Corpo de Bombeiros do governo Romeu Zema não só recusou como “ultimou” a saída dos voluntários no prazo de duas horas. O vídeo com o depoimento frustrado do bombeiro paulista está no twitter do Caio Coppola, baluarte da chamada “nova direita”.

Para mim, insisto, é muito estranho. Espero estar enganado, mas cheira à mais baixa interferência ideológica num momento que deveria ser de união.

Para ficar claro, é impossível escapar ao fato do baixo apreço que os devotos de OakLavo nutrem pela ONU, que o governador Flávio Dino seja membro do Partido Comunista do Brasil, e que o governador de São Paulo seja visto com desconfiança geral, fruto de seu apetite pelo Palácio do Planalto.

Porém, volto a insistir: neste momento, toda questão partidária deve ser marginal.

Tão incompreensível é a coisa que a repórter Andrea Saddi acaba de publicar em seu blog que, ao governo Bolsonaro, soa estranho que o governo Zema até agora não tenha acionado os homens da 4a brigada (Exército), que está de prontidão. Ainda segundo Saddi, o governo mineiro diz que, por ora, 200 bombeiros especializados naquele tipo de solo cuidam do resgate.

Para transformar esse novelo em nó cego vale lembrar que o atual secretario do Meio Ambiente de Minas Gerais é Germano Vieira, funcionário de carreira nomeado em pelo ex-governador petista Fernando Pimentel e o único quadro mantido pelo atual governador Romeu Zema, do partido Novo.

Vieira trabalhou desde 2016 na Deliberação Normativa 217, que em alguns casos permite rebaixar a nota de potencial de risco de barragens e acelerar o processo de licenciamento ambiental.

Ficam as perguntas: se o governador Zema manteve no Meio Ambiente um secretário nomeado por um governo do PT, por quê agora recusa ajuda de outros governadores e mesmo da ONU, além de desprezar o Exército, mas celebra junto com a BolsoFamília a bem-vinda ajuda de Israel?

Não entendo mais nada. Talvez o presidente em exercício, general Mourão pudesse ajudar. Mas acaba de dizer que o caso agora é com Minas Gerais. Isto é, com Romeu Zema.

ERRATA: escrevi que Flávio Dino governa Pernambuco, mas governa o Maranhão. Perdão pelo engano, já corrigido.

 
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Sambuca e laranjais entre a Sicília e Rio das Pedras

“República significa coisa pública e não cosa nostra”

André Franco Montoro

Johnny Ola chega à casa de barcos de Michael Corleone para uma visita. De presente, uma laranja de Miami. Já sentados para a prosa, Mike pergunta o que Johnny vai beber. “Anisette”, responde.

Anisete é o licor de anis que a Europa mediterrânea adora. O mais popular talvez seja o de Sambuca, cidade siciliana que ganhou destaque na imprensa de outra ilha muito próxima da Europa, a Inglaterra. Não, calma, a Inglaterra ainda fica na Europa, assim como a Sícilia.

Aqui no Brasil quem repercutiu foi o Luís Fernando Veríssimo, no Estadão. Lembrando da escala que fez em Sambuca quando viajou de carro entre Palermo e Taormina, sob forte aroma de laranjeiras, ou pelo menos “aromas doces como bailarinas turcas”.

O motivo das atenções sobre Sambuca vem do fato da cidade ter se esvaziado e, para evitar que se torne uma vila fantasma, as autoridades locais estão oferecendo habitação a partir de um dólar com a contrapartida de investimento na reforma dos imóveis.

Um dólar eu tenho e adoro Sambuca. Ao contrário do gaúcho, concordo com sua senhora e não acho nada enjoativo – ou pelo menos não enquanto estou bebendo.

Aqui em São Paulo o melhor serviço de sambuca era o do Paribar, do meu querido Luiz Campliglia. Por onde andará o Silvio Machado, que fazia a mosca voar em chamas até o cálice, deflagrando sua erupção?

Ao Veríssimo parece interessante viver em Sambuca, fazendo footing na praça principal e bebendo sambuca no fim da tarde, “não muito perto do Etna (em erupção permanente) e longe do Bolsonaro”.

A mim também e pelos mesmos motivos, aos quais acrescento ingredientes do primeiro parágrafo. Para viver sob aromas de laranjas e milicianos, que seja algo com charme e já estabelecido há alguns séculos. Que a capital seja Palermo e não Rio das Pedras.

Outro assunto: Lauro Jardim afirma n’O Globo que Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro estão acertados. O ex-PM topa assumir tudo do 01, com uma condição: que sua família seja preservada.

De volta ao Poderoso Chefão, quando Frank Pentangelli se atreve a delatar a famiglia Corleone, passa a viver sob o programa de proteção a testemunhas dos Estados Unidos que, ao contrário do nosso, existe. No dia da audiência, os Corleone trazem da Sicília o irmão varão de Frank, que para calar o caçula não faz nada além de ficar sentado no auditório do tribunal.

No dia seguinte o consigliere Tom Hagen visita “Frankie Cinco Anjos” e leva dois charutos para perfumar a prosa. Apelando ao gosto por história e política do ex-delator, lembra que a máfia adotou o sistema do império romano, com regimes hierárquicos de chefes e soldados, que assim deu certo e que, quando um pobre conspirava contra o imperador, a ele era dada a oportunidade de suicidar-se rasgando as veias dos braços num banho tépido, com a contrapartida de proteção de sua família.

Pode ter funcionado no império romano, funcionou no Poderoso Chefão. Mas lá eles tinham uma regra básica, ignorada em Rio das Pedras: mulheres eram civis, não participavam do esquema mafioso.

Na República brasileira, Nathalia e Evelyn Queiroz e Marcia Aguiar são investigadas pelo MP-RJ, e Michelle Bolsonaro pela Receita Federal.

 
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Inconsequência premiada

A falta de consequências sobre o incidente de Mariana explica o novo incidente em Brumadinho. De novo Minas. De novo a Vale.

Pior do que a inconsequência é o incentivo à prática de negligenciar manutenção para melhorar o bônus no final do ano dos executivos irresponsáveis. A média salarial dos executivos da Vale em 2017 foi de R$ 23,8 milhões.

Somando vencimentos à verba recisória, o ex-presidente da Vale foi o brasileiro mais bem pago daquele então, embolsando R$ 58,8 milhões.

Até agosto de 2017, só 1% dos R$ 552 milhões em multas por Mariana haviam sido pagas pela Samarco/Vale, isto é, 10% dos rendimentos do ex-presidente. A economia de negligência ajudou no cálculo dos bônus?

Qual mensagem é transmitida por uma situação assim? Quiçá a de que compense o crime de flertar com tragédias ambientais, com a morte de 19 pessoas, e garantir milhões para o peru de Natal.

Aqui em São Paulo celebramos hoje 465 anos. O bolo de aniversário é a interdição da alça de acesso entre a Marginal do Tietê e a via Dutra, caminho da roça para milhões de moradores da Zona Leste, ABC, Vale do Paraíba, Litoral Norte e Rio de Janeiro. Alguém há de estimar o quinhão do PIB que passa por ali.

Igual aos incidentes em Minas, a ponte ora interditada tem precedente na Marginal Pinheiros, com um viaduto interditado para chamar de seu, e ambos têm precedente administrativo.

A gestão-suflê de João Doria tinha orçamento de aproximadamente R$ 50 milhões para manutenção de pontes e viadutos, mas realizou menos de 8% do total.

Na volta de Davos, onde aproveitou para estrear a campanha eleitoral de 2022 ao redor dos campeões mundiais de bônus financeiros, o ora governador Doria deve usar helicóptero entre o aeroporto Franco Montoro e o Plaza Iguatemi, jóia neoclássica da cidade de São Paulo, de onde deve ir para sua chácara na rua Itália rolando pela rua Prudente Correa, uma das privilegiadas pelo programa Asfalto Novo, que consumiu R$ 400 milhões do orçamento municipal.

Feliz aniversário.

 
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