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O órgão excretor nas eleições

As eleicões de 2014 tinham oficialmente três meses, mas na prática foram mais curtas. Dois fatores subtraíram pelo menos três semanas da campanha: o acidente aéreo que matou Eduardo Campos e a declaração de Levy Fidélix sobre o órgão excretor de alguém.

Quatro anos depois, a dias do primeiro turno, podemos dizer que Levy e o cu continuam assombrando o espírito do tempo. E mais: podem vencer a disputa já neste domingo.

Como é feio falar cu, a turma diz que votará em Jair Bolsonaro para se vingar do PT, organização criminosa que destruiu a economia. Mas a verdade é que, igual aquela anedota sobre o corpo humano, onde o coração e o cérebro têm que se curvar ao poder do cu, nós brasileiros sucumbimos à supremacia anal.

Fosse verdade que o voto em Bolsonaro é contra a corrupção, o zelo de seus eleitores se estenderia sobre o uso de funcionária fantasma, sobre a acusação de sua ex-mulher ter furtado um cofre com 600 mil reais em joias, trinta mil dólares e duzentos mil reais em espécie.

“É troco perto do aparelhamento estatal e dos bilhões roubados pelo PT”, dirão uns, com razão; “litigância de má-fé é padrão em qualquer divórcio”, dirão outros, inclusive advogados, que também não podem ser acusados de apelarem para argumentos irracionais. Mas nada disso substitui o cerne da questão: há provas e indícios de que Bolsonaro seja proporcionalmente tão corrupto quanto qualquer liderança da “Orcrim”.

No plano econômico Bolsonaro e PT são irmãos gêmeos. O corporativismo, marcado pela defesa intransigente da manutenção e ampliação de privilégios para o funcionalismo público, está no DNA de ambos, assim como o estatismo: PT e Bolsonaro são aliados históricos na luta contra a desestatização ou redução do intervencionismo do Estado.

Aliás, não me lembro de qualquer declaração do Bolsonaro criticando a política econômica do PT. Esse tempo todo, enquanto milhões de pessoas perdiam o emprego, ele seguia focado no cu do Jean Willis.

“Ah, mas o Paulo Guedes corrigiu isso.” Falso. Já abastecendo no Posto Ipiranga, Bolsonaro votou contra o cadastro positivo e se omitiu na votação da pauta bomba de aumento de gastos. E ontem trocou definitivamente o Posto Ipiranga pelo BR. Em vídeo, afirmou que não privatizará Banco do Brasil, Caixa, Petrobrás e Eletrobrás.

Algum eleitor desapontado? Claro que não. Corrupção e economia nunca importaram. O Aerotanque de Levy segue firme na retaguarda do capitão, mirando no cu, garantindo alívio ao eleitorado, até mais confortável com o afastamento do PaGue e aquela conversa de liberar.

ATUALIZAÇÃO: um amigo bolsominion, indignado, disse inbox que eu não falei da insegurança que atinge níveis absurdos. Tem razão. É outro fator importante no discurso do capita. E até seu gesto de campanha são duas pistolinhas, feitas com os dedinhos. Uma graça. Proposta que é bom, zero. A não ser o “compra um fuzil e se vira”. No histórico parlamentar, de deputado pelo Rio de Janeiro desde 1991 e aliado do poderoso Eduardo Cunha do PMDB, partido que governou o estado entregando a situação atual, também não se encontra qualquer esforço para ajudar.

 
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Daciolo é antes Orloff do que Vostok. O cabo de hoje é o capitão amanhã

Faltando uma semana para a eleição, os candidatos à Presidência se reuniram no debate da TV Record, marcado por um vácuo impressionante. A audiência ficou em terceiro lugar na televisão, atrás de Globo e SBT, seguida de perto pela Rede TV. Nas mídias sociais silêncio parecido, salvo pelas buscas por cabo Daciolo, Vostok e óleo de Peroba.

Pudera. Zapeando na noite de domingo, o telespectador que passasse pela TV Record veria o cabo pregando e concluiria que era a programação normal da emissora.

O ponto alto do cabo – e do debate – foi, de novo, sua preocupação com a política internacional, posta de parte por seus pares. Se no primeiro debate (Band), ainda antes do retiro no monte, ele chamou a atenção para a Ursal, ontem, no penúltimo encontro, alertou a Nação sobre o risco Vostok, vultuosa manobra militar russa realizada em meados de setembro último.

A turma do centro-democrático procurou estabelecer alguma convergência, esforço visto pela última vez durante as articulações por alianças, quando todos eram amiguinhos em potencial. Antes tarde do que nunca. Porém em vão: foram engolidos pelo bombeiro incendiário.

Com o capitão Bolsonaro já em casa mas ainda convalescendo (não foi à TV Record mas recebeu apoio do bispo Edir Macedo nas redes sociais), sobrou para o cabo Daciolo encarnar o doido. Porém, como o papel do Messias já está consolidado, a tática adotada foi dobrar a aposta, encarnando o Messias 2.0.

Novidade nenhuma. Além do próprio Bolsonaro com suas duas esferográficas no bolso da camisa, punhos desabotoados e discurso alinhado ao desalinho, Jânio Quadros era craque nisso. Até caspa usava. Fernando Collor em 1989 era o “caçador de marajás”. João Doria em 2017 foi gari, pintor de sarjeta, jardineiro.

E Daciolo, ontem, reeditou a clássica campanha do “tostão contra o milhão” de Jânio, mirando Henrique Meirelles. Já no sábado, em entrevista ao Estadão, antecipou o chiste, dizendo que gastou até agora por volta de R$ 700, enquanto Meirelles pingou R$ 43 milhões e mesmo assim estão tecnicamente empatados, fenômeno que ele atribui ao jejum no monte.

Ainda ao Estadão, merece destaque o trecho em que o cabo fala sobre como conheceu Jesus. Depois de um mês de diarreia sem causa identificada por exames médicos, entregou sua vida a Deus e no dia seguinte seu intestino voltou a funcionar regularmente.

Parece engraçado e é. Mas o perigo é evidente. Daciolo está mais para a Orloff do Ênio Mainardi do que para Vostok. Daciolo é Bolsonaro amanhã.

Para o PT é o ideal. Se hoje quem rivaliza com Lula / Haddad é Bolsonaro, onde estarão os extremos amanha? Jean Willys – Daciolo?

Os demais candidatos estiveram mais para plateia do cabo do que para debatedores. Seus grandes momentos foram as expressões faciais diante das declarações do protagonista inconteste. Salvo, é claro, Geraldo Alckmin, que não altera a expressão jamais.

E para não dizer que não falei dos outros, Álvaro Dias pareceu francamente disposto a superar Neymar em frequência ao cabeleireiro. Marina Silva se destacou por exibir um número de lapela diferente, quiçá feito por ela mesma em resíduo de coco. Ciro, equilibrado, fica com jeito de feijoada light – nutritiva, saudável e sem bossa. Haddad e Boulos, num jogral despudorado, podiam ter levado coalhada, babaganuche e homus para compartir o pão.

 
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Bissurdez

Desconfio que estamos todos surdos. Desconfio da minha própria surdez. A sensação é ruim. Hoje, quem estiver satisfeito, como quem ouve música e não berros tantos, precisa de ajuda.

Bolsonaro finge que ouve Paulo Guedes, o príncipe e o astronauta. E até o general. Haddad finge que ouve Lula, Gleisi Hofman, José Dirceu. E até o Renan.

Nada de novo. Dizia o Otto Bismarck: nunca se mente tanto como antes das eleições, durante as guerras e depois das pescarias.

Quando se deu conta de que precisava de um economista para se tornar viável, Bolsonaro encontrou Paulo Guedes. Era o que sobrou e a recíproca era igual. O candidato nunca tinha se preocupado com o tema. Passou anos implicando com a homossexualidade do Jean Willis sem dar bola para o descalabro econômico do PT. Enquanto isso, Paulo Guedes tratou de ficar rico para então comprar poder. Tentou Luciano Huck e Henrique Meirelles. Água. Sobrou o Bolso e assim nasceu o Posto Ipiranga, que já secou. Nem o candidato o escuta, nem ele pode dizer o que acha.

Com Lula e a cúpula petista presa e impedida, Haddad fez a lição de casa. Virou advogado do Lula, bancou o boneco de ventríloquo, tornou público um plano de governo que não é capaz de defender em privado. Aos poucos, vai se distanciando. Escanteou Márcio Pochman, Gleisi Hofman e Zé Dirceu. Agora flerta com Meirelles e Ciro Gomes.

Os que se percebem enganados, reagem com ameaça de golpe. General Mourão não admite ser enquadrado pelo ex-capitão e sinaliza que continuará desfilando o aerotanque. Zé Dirceu faz o mesmo: em entrevista ao El País disse que tomará o poder – algo além de vencer as eleições democraticamente. Não engole ser um diabo sem tridente, vivendo um inferno particular.

São aliados perfeitos. Um precisa do outro para botar o bloco na rua como historicamente desejaram ou pelo menos sinalizaram.

E o eleitorado segue surdo ou não querendo ouvir. Segundo o Datafolha, 49% não quer Haddad ou Bolsonaro (soma de não-votos com retardatários). A outra metade está firme com ambos, mais de 70% decididos. Mas pelas conversas que tenho, percebo que não estão informados sobre quem é um e outro.

O consultor político Ibsen da Costa Manso destacou um quadro que raramente é publicado. Uma das questões da CNI/Ibope mais fresca, é sobre qual notícia o entrevistado tomou conhecimento nos últimos dias. 71% disseram nenhuma, não souberam ou não responderam. Os que citaram eleições ou candidatos à presidência somam 1%.

Diria um amigo: é uma bissurdez.

 
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Tem pai que é cego

Tem pai que é cego”, dizia o Tavares, personagem do Jô Soares. Bichona enrustida, negava a homossexualidade do filho, depois da filha, para esconder a própria.

Jô é um profeta. Através do humor, fez antropologia social e previu o dia de hoje, estarrecedor.

Eu deveria ter desconfiado da turma que ria não do Tavares, mas dos seus filhos. Não entendiam a piada. Ou não queriam entender. Reflexão pode doer.

A luta contra a corrupção serviu de argamassa para o bolsonarismo. Todo o mais que o ex-capitão representa permaneceu escondido na medida do possível, ou pelo menos até onde pudesse ser negado. Afinal, a turma se envergonhava dos próprios fetiches: misoginia, homofobia, xenofobia, racismo e, sobretudo, a demofobia e o autoritarismo. Mas contra a corrupção, quem há de ser contra?

A receita foi usada repetidas vezes. Quem não se lembra do PT como o partido da ética?

Democracia tem poder civilizatório e encontra seu auge durante uma campanha eleitoral, quando o debate ferve, liberando aromas.

Como os demais exemplos são já bastante explícitos, vou ficar na demofobia para economizar esta freguesia.

Ciro Gomes propõe um plano de emergência para tirar 63 milhões de pessoas do SPC, coisa que os bancos todos fazem amiudemente, assim como os governos, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas, e é duramente criticado. Por quê? Demofobia.

Hamilton Mourão diz que crianças criadas por mães e avós, sem pais e avós (o plural de avô é avós, me perdoa, general), são potenciais desajustados. Advertido, faz a autocorreção: nem todas, só aquelas “sem recursos”. Quer dizer, quem deixa os filhos aos cuidados da babá, está certo. Errada está a babá, obrigada a deixar os filhos aos cuidados de ninguém.

Mas o suprassumo veio hoje, na capa da Veja, que a nove dias da eleição, publicou parte de um processo de separação dos Bolsonaro – que por sinal já era público, só faltando a reportagem.

O conteúdo publicado, restrito ao interesse público, traz a costumeira baixaria dos desenlaces matrimoniais litigiosos. Ocorre que as partes envolvidas são pessoas públicas, e a renda e os bens citados no processo não combinam com a renda e os bens declarados por lei à Justiça Eleitoral. Dólares e reais em espécie, joias, imóveis ocultados.

É óbvio que Jair Bolsonaro deve explicações. Mas seu seguidores não querem saber. Ouvi de um: “homem bom é assim, que presenteia a mulher. E se tinha renda três vezes superior à declarada, sorte dele.” (Juro que disseram isso. Está nos comentários de um post que fiz no Facebook, com a capa da Veja.

Outra grande parte diz que a editora Abril está em recuperação judicial e que por isso aceitou dinheiro de alguém para fazer a matéria. A cifra, aplicada como vídeo-vacina por uma correligionária de Bolsonaro, chega a ser cômica, R$ 600 mi, e a turma acredita. Mas pergunto: Por qual régua tomam os outros? Quem está sem grana topa qualquer rolo?

Enfim, hoje os bolsonaristas saíram do armário. Retroalimentados pelo petismo, seu antagonista e provável adversário no segundo turno, incapaz de fazer autocrítica por tantos males causados ao Brasil, mesmo depois de não ter mais nada a perder, abandonaram o pudor e mostraram que estão dispostos a defender seu candidato sob qualquer circunstância. E isto indica que quando ele mandar prender e arrebentar, terá apoio.

Só posso concluir que a revolta central dos movimentos anticorrupção brasileiros é aquela definida por outro humorista genial, Millor Fernandes: “Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.”

Estão todos crentes que podem “jair” esperando o convite. Solta o aerotanque.

 
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Meu candidato a deputado federal e por que

Saneamento básico talvez seja o nosso maior problema estrutural. A sociedade pede Saúde e Educação, mas o organismo de uma criança que sofre duas diarreias na primeira infância faz tamanho esforço para sobreviver que compromete para sempre a formação do cérebro. Depois disso não há Sírio Libanês e Harvard que resolvam.

Metade dos domicílios do Brasil não estão ligados a rede de esgoto, aumentando muito a chance desse cenário se perpetuar.

No orçamento há dinheiro para saneamento. Ocorre que, muitas das vezes, deputados federais bem intencionados chegam à Brasília despreparados. Querem fazer mas não sabem como trabalhar as emendas que ajudariam seus estados e municípios.

O meu deputado federal, que foi prefeito de Santos e é referência nacional em saneamento básico, sabe. Chama-se João Paulo Papa 4522.

E faz um trabalho abnegado. Reconhece os bons pares, explica como buscar as verbas, traz os colegas a São Paulo e consegue da Sabesp transferência de tecnologia para outros estados e cidades. Abnegado porque, sendo em outros estados, não rende sequer um voto para ele – que persevera.

Para além disso, Papa cuida muito bem do seu quadrado. Quando assumiu a prefeitura de Santos, encontrou um déficit altíssimo em creches. O dinheiro disponível para resolver o problema só daria para o investimento em construção de novas unidades ou custeio. Para ambos, não daria. Cobertor curto.

Papa usou da criatividade. Notou que diversas entidades não governamentais já tinham a estrutura necessária, mas não conseguiam se sustentar. Firmou as parcerias e zerou a fila de creches.

Também lutou muito pelo turismo. Seu projeto da Marina Porto de Santos, que transformaria o nosso maior porto ao modelo do que foi feito em Puerto Madero, na Argentina, contou com a colaboração de gente da melhor qualidade, como o navegador Amyr Klink. Desnecessário dizer como seria bom para Santos e para todo o Brasil esta realização.

Infelizmente até hoje não saiu do papel. Por quê? Brasília, que é dona do porto, não deixa. E as investigações em curso mostram bem por que.

#SaneamentoBásico e #Turismo = #EMPREGO

Ter um ex-prefeito como deputado federal é essencial para fortalecer os municípios, trazer as decisões para perto da sociedade, que sabe do que precisa e pode fiscalizar muito melhor.

Mais recentemente, Papa conseguiu outra vitória importante. Em 1908, com a primeira imigração japonesa, a colônia construiu uma escola para suas crianças. Por conta do idioma, teriam dificuldade em se adaptar às escolas disponíveis.

Foram bem até a segunda guerra. Com o Japão derrotado, suas colônias foram perseguidas no mundo inteiro. Em Santos, os descendentes de japoneses foram expulsos e tiveram bens confiscados, incluindo a escola, que virou centro de alistamento do Exército.

Anos depois, diplomacia concluída, Brasil e Japão voltaram a ser nações amigas e a parte da colônia japonesa retornou a Santos. Conseguiram reaver seus bens, exceto a escola. (O Exército, quando entra num lugar, cria tamanho apego que não quer mais sair.)

Procurado pela comunidade japonesa, Papa elaborou o projeto de lei que devolveria a escola aos seus criadores. Não foi fácil. Sendo oposição a Eduardo Cunha e Michel Temer, não conseguia que o texto entrasse na pauta. Chegou a levar o embaixador japonês ao Plenário, e Cunha resistia.

Então veio outro lance de criatividade e senso de oportunidade fundamentais a um parlamentar. O presidente Temer voltava de missão oficial ao Japão, onde fora muito bem tratado. Papa foi à chefia de gabinete e disse o óbvio: recebido como um príncipe pelas crianças de uma escola em Tóquio, o presidente tem uma chance ímpar para retribuir. O projeto passou e foi sancionado. A escola é de novo da comunidade.

Por tudo isso e muito mais, voto e recomendo João Paulo Papa para deputado federal: 4522.

 
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Mimados

Bolsonaro é coerente na incoerência e parte da sociedade aplaude. É compreensível. Conheço muita gente que usa acostamento em estrada congestionada, para sobre a faixa de pedestres, estaciona em vaga de deficiente e acha um absurdo as autoridades permitirem um desabrigado dormir nos raros bancos das raras praças ou sob as raras marquises brasileiras.

O espírito da criança mimada está entre nós. Pior face do individualismo. O suprassumo veio na entrevista do Bolso concedida à Jovem Pan no leito do hospital. Insatisfeito com o resultado da investigação da Polícia Federal, a qual pertence um de seus filhos, o convalescente diz que estão tentando abafar o caso do atentado.

Sobre pesquisas de intenção de voto, segue a mesma linha: saindo bem, comemora. Saindo mal, duvida. Eleito por vários mandatos consecutivos, usa o mesmo esquema para urnas eletrônicas: se ganhar, “táoquei”. Se perder, é fraude.

No Supremo, dá no mesmo. Gosta de dizer que foi citado no mensalão como o único membro do PP fora do rolo. Se esquece de acrescentar que o autor da declaração foi indicado por Lula e condenou a cúpula petista à cadeia.

Pior: promete, ao modelo bolivariano da Venezuela de Hugo Chavez, que tanto elogiou e pretendeu importar para o Brasil, aumentar o número de cadeiras da corte a ponto de controlar suas decisões.

A relação com o Poder Legislativo pode ser prevista pela performance do ex-capitão durante os últimos 28 anos. Dizer que foi medíocre, ou de acordo com a média, talvez seja exagerar para cima.

E também dá para prever como seria verificando as declarações dos seus subordinados.

O homem do agro, Frederico D’Ávila, sintetiza como seria a conversa entre o Executivo e o Legislativo:  “O próximo presidente da República terá um desafio enorme: lidar com a Câmara e o Senado. Saber como conversar, o que cada um pensa, quem é sério, quem dá para confiar, são características essenciais a partir de 2019. Um comandante que não sabe falar com seus comandados vai aprofundar a crise, agigantar cizânias e destruir o país.

Em caso de insubordinação, General Mourão tem a solução: mexe na Constituição sem perguntar nada a quem recebeu os votos da população. Dá-lhe Aerotanque.

E o mercado? Pelo menos tem o Pulo Guedes, o imPosto Ipiranga, para conversar. É o Henry Ford do liberalismo. Acha que todo mundo pode escolher a cor do próprio carro, desde que seja preto.

 

 

 
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O enterro dos partidos – análise TUEL | Consultoria Política

Tanto falaram, não sem razão, da quantidade exagerada de partidos no Brasil, que passadas as eleições de 2018 boa parte deles será enterrada e outros entrarão em coma assistido. Sobreviverão os velhos bravos e os zumbis.
PT: O que restou foi o lulismo, com popularidade em torno de 40% contra 60% de rejeição. A simpatia popular ao PT, na casa dos 20%, liderança isolada entre as legendas, vem da associação a Lula. Fernando Haddad sobe, mas como disse um eleitor do Nordeste, indicado pelo Lula poderia ser uma galinha ou um jumento no Planalto.
Em São Paulo, o candidato Luiz Marinho, líder do ABC e portanto petista da gema, tem 6% (Datafolha 6/9). Já Eduardo Suplicy, que goza de eutonomia, lidera para o Senado com 31%.
PSDB: Pode fechar o caixão. Há tempos distante do programa original, apelou para o pragmatismo radical e não resistiu. No plano nacional, Geraldo Alckmin segue atolado com um dígito em intenções de voto, em que pese o motor que tem à disposição. Caso saia do atoleiro, encontrará uma estrada asfaltada na porta das terras de familiares. Não chega a ser escandaloso nos dias de hoje, mas nas hostes adversárias terá medida igual a do aeroporto do tio do Aécio em 2014, suficiente para interromper a viagem.
Em São Paulo, a trincheira primeira, as lanças caíram. Depois de tantos mandatos Geraldo amarga um terceiro lugar nas pesquisas (Paraná 24/9), em empate técnico com Fernando Haddad. E na corrida para o governo do estado, com um pé e cada canoa, o tucano acabou como sempre acaba quem se posiciona assim.
E para os tucanos e seus simpatizantes raiz, a melhor definição para o candidato João Doria é a da repórter Malu Gaspar, da revista Piauí: um javaporco político. Quer dizer, se superar a rejeição e for eleito, não representará o tucano no Bandeirantes. Sobre Minas e Paraná é desnecessário acrescentar comentário.
REDE: Mais para uma ONG de madame do que para um partido, nasceu e morreu na primeira eleição. Perdeu quadros importantes antes da primeira eleição. Marina Silva tem uma história pessoal quase beatificável e manterá alguns fiéis. Mas sem os resultados que alcançou quando disputou integrada a partidos de verdade, não será mais uma liderança.
NOVO: Bom de discurso e de propaganda, já sofre as dificuldades de não compreender o Brasil além da Faria Lima. Emociona neoliberais nas redes sociais, caras-pintada de laranja, mas não consegue formar quadros políticos reais e ainda cede absorvendo “o que tem para hoje”, com prejuízo de bons filiados.
Elegeu três vereadores em 2016, em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. A representante paulistana é cria do velho Campos Machado, do PTB, um dos donos da Assembleia Legislativa paulista, e tem atuação festiva na Câmara Municipal. O do Rio, descumprindo a regra partidária, que proíbe abandonar mandato na metade para disputar outro cargo, conseguiu na Justiça legenda para concorrer à Câmara Federal. E o NOVO, que nasceu para ser programático “contra tudo o que está aí”, responde com cara de donzela sodomizada pelo noivo para manter o aval do bispo.
Em 2020 terá que se responsabilizar pelos que cativou e sonham em prefeitar suas cidades. Como sabemos, tarefa difícil para qualquer legenda, qualquer empresa, qualquer família, como prova o caso do vereador carioca e repete o dilema da noiva.
PSDB, REDE e NOVO têm ainda uma escolha de Sofia comum que vai impactar o eleitorado: o provável segundo turno entre contra ou a favor do PT.
PSL: Sabemos que o que existe é Jair Bolsonaro e sua prole. São uma grife antipetista de discurso que, com o perdão do trocadilho, funciona como pólvora: se abafar explode, se soltar vira fumaça. Com êxito nesta eleição, terá que conviver com o bafo do canhão do aerotanque de General Mourão e Levy Fidelix do PRTB no cangote. Situação bastante desconfortável para um guarda de paiol de pólvora.
Nanicos em geral: a sopa de letrinhas deve minguar, tropeçando a médio e longo prazo nas seguidas reforminhas políticas, com barreiras cada vez mais difíceis, como cláusulas de barreira e voto distrital misto.
MDB, PSD, PP, PR, PTB: O Centrão seguirá prosperando como o mato que cresce até em terra arrasada. São os zumbis.
PDT, PSB, DEM, PV: Os velhos bravos seguirão e tendem a sobreviver em função das profundas raízes getulista-brizolista, de Miguel Arraes e da ARENA, respectivamente. O PV é o internacional da sustentabilidade, vigora no mundo todo com índices semelhantes desde a queda do Muro de Berlim.
Curiosidade: a contar pelas pesquisas mais frescas, FSB/BTG e Ibope, o próximo presidente será herdeiro dos dois principais líderes políticos deste século. Fernando Haddad já é conhecido como “o filho do Lula”. Mas num segundo olhar reparamos que o galã da USP, professor, intelectual, internacional, tem mais de Fernando Henrique do que apreço, amizade e as iniciais.
ATUALIZAÇÃO 01/10/18: Me esquecia do PPS, que virou lata velha. A expectativa corrente é que a legenda acabe adotada e reciclada por Luciano Huck, com parte do seu plano para chegar à Presidência da República. A Rede pode entrar no pacote.
 
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Entre os favoritos, incógnita e certeza na Economia

Fazendo uma projeção sobre a pesquisa mais fresca (FSB/BTG-Pactual 24.09.18), Fernando Haddad estará no segundo turno, provavelmente com Jair Bolsonaro. Note: é uma projeção sobre a tendência, considerando intenções de voto espontâneas e estimuladas, mais o voto consolidado e as rejeições, não o retrato capturado nos últimos dias durante a tomada da pesquisa.

No chamado “mercado”, Haddad já é precificado como o próximo presidente. Ainda que publicamente siga a estratégia de bancar o boneco do ventríloquo de Curitiba, em conversas privadas com as elites econômica, acadêmica e política, se mostra moderado e reformista, chegando a se afastar dos representantes da ala radical do PT, notadamente o economista Marcio Pochman. Ainda assim é uma incógnita, e gente de finanças não gosta de charadas.

Coisa parecida aconteceu com Paulo Guedes, economista de Bolsonaro. O melhor resumo é do Celso Rocha de Barros. Depois de defender reservadamente a volta da CPMF, foi descoberto pela Folha e mereceu o apelido de Imposto Ipiranga do tuiteiro @oobservadorbr. Causou escândalo e foi desautorizado. Se explicou como quis, mas ao se esconder da imprensa e fugir dos debates, sinalizou mal. Em finanças e política, confiança é essencial.

Mais: Guedes propõe IR igual para todos os não isentos na casa dos 22%, o que, segundo disse o economista Sergio Gobetti em entrevista ao Estadão, concentraria ainda mais renda nos 11% mais ricos do país. E o economista Carlos Góes, do site liberal Mercado Popular, notou que a proposta do PaGue prevê, entre outras, o fim dos descontos de gastos em educação e saúde do IR. Classe média, tremei. Ordinários, sentido!

 
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As seis alças do caixão

Caixão geralmente tem seis alças, quantidade que combina com o número de candidatos à Presidência dispostos a levar uma alternativa moderada de Brasil para a cova.

Invés da geringonça portuguesa que poderia nos ajudar, um fusquinha que fosse (que aqui entra como homenagem ao Itamar), onde essa meia-dúzia, com jeito, caberia, os infelizes seguem patinando no atoleiro do egoísmo.

Caso se trombassem num uber pool, conversariam assim: “você vai atrás e eu volto na frente”. (Obrigado, Zé do Pé.)

Não faz tempo, a turma se intitulava “centro reformista”, em alusão às reformas urgentes. Charla brava. Cada qual tinha e segue tendo uma ideia individual.

Pior: suas assessorias, ainda mais delirantes que os próprios candidatos, apostam na impermeabilização dos chefes, alimentando a confusão com fatos alternativos sobre a chance de uma virada.

Não por acaso, são essas assessorias que não deixaram passar a reforma da Previdência. Explico: a primeira base eleitoral de qualquer candidato ao Executivo é composta por candidatos ao Parlamento, e a primeira base de cada parlamentar é formada por funcionários públicos de sua confiança. Ficam lá, nas sinecuras, acumulando privilégios, para bianualmente entrarem nas campanhas.

Quando chega uma proposta de interesse público que ameace seus privilégios, os barnabés cercam os chefes e tratam de enterra-las. Daí que a reforma da Previdência não passa. Nem passará uma composição entre as candidaturas, posto que o voto em legenda, que depende do número do partido ser votado na cabeça de chapa, é o que reforça a reeleição de cada um deles, e garante a manutenção dos cargos e privilégios.

 
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Frustração evidente

Políticos são as melhores pessoas numa sociedade. Entendo o desencanto generalizado e até a revolta contra quem escolheu a vida pública, mas isso não muda o fato: se temos maus políticos, somos ainda piores do que eles.

Digo isto com enorme pesar, porque a geração atual, notadamente os que disputam a Presidência, está de doer. E antes pelas qualidades de vários deles do que pelos defeitos.

Ciro Gomes, Marina Silva, Geraldo Alckmin, João Amoedo, Henrique Meirelles, Álvaro Dias são todos razoáveis. Não são perfeitos, ninguém é, mas são pessoas admiráveis. E isto para mim não ameniza, mas agrava a situação atual. Como podem não se entender em torno de um programa comum de interesse nacional?

A quinze dias da eleição, cada hora conta para a conversa que urge. No segundo turno não haverá qualquer possibilidade de composição ou sequer de diálogo. Os candidatos que hoje passariam para a segunda fase vão se retroalimentar da negação e do ódio recíproco, prescindindo de qualquer apoio e, com efeito, de ceder ou incorporar boas ideias, aumentando a negação e o ódio.

Isso até o dia da posse, porque o eleito terá que governar, o que implica em conversar e ceder. E então como fará para lidar com o radicalismo espalhado na sociedade? A frustração social que virá é evidente e será proporcional à expectativa formada por quem prefere odiar a conversar.

 
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