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Minha casa da luz vermelha, minha vida

Uma menina de Santa Catarina está leiloando a virgindade num site australiano. Aparentemente, para ela as questões morais estão superadas. Acertou-se com a família, diz que é maior de idade, vacinada e faz o que quiser com o próprio corpo. Muito bonito. Digo, tanto o gesto quanto o corpo – aos vinte anos, pouca coisa não presta. Mas o importante é criar exemplos diferentes para ajudar a sociedade na reflexão sobre temas fundamentais, como, de pronto, prostituição, virgindade, aborto e até doação de órgãos.

As questões legais também mereceram cuidados especiais: o defloramento será realizado a bordo de um avião em pleno voo, pare evitar a dura das leis daqui ou de acolá, medida inteligente e simbólica, porque universaliza o ato, levando o tema a países onde o debate continua ainda mais atrasado do que por aqui.

Mas voltando às questões morais, que envolvem a família como instituição, achei pra lá de bacana a postura da mãe da moça, que pessoalmente está contrariada, mas deixou claro seus princípios: não pode nem quer proibir a filha maior de idade a fazer o que quiser do próprio corpo.

No caso ela vai pegar a grana – os lanços já passam dos trezentos mil reais – e criar uma ONG, que deverá trabalhar no sentido de dar as pessoas um lar. É fantástica a noção artística dessa menina. Através dos contrastes está provocando um esclarecimento social imensurável: dar um teto às famílias fazendo aquilo que historicamente tem levado tantas meninas a serem expulsas do próprio lar. É um golpe e tanto no preconceito, na cretinice, na intolerância. A ONG deveria se chamar Minha Casa da Luz Vermelha, Minha Vida.

Os pelo menos quatro temas relacionados, repetindo, prostituição, virgindade, aborto e doação de órgãos, têm muito a ganhar. Ela está fazendo o que quer do próprio corpo, exatamente como deveria ser direito universal de qualquer mulher, inclusive em relação ao aborto e à prostituição continuada– se uma pessoa ser empresaria, empregada ou profissional liberal de massagem, por exemplo, que nada mais é do que troca entre dois corpos que geram prazer, por que raios a mesma coisa não vale para o sexo? –, e se uma menina vai trocar o hímen por dinheiro – enquanto tantas dão de graça – por que alguém que precisa mais de dinheiro do que de um dos rins não pode fazer o mesmo, enquanto tantos dão também de graça? Só vale e só é bonito se existir amor? Amor direto? Indireto não vale? E sem amor? Quem disse?

 
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A primavera da participação

Há quem viva fora de sintonia com a própria época. Pode ser para frente e pode ser para trás. Digo, os saudosistas, que vivem morrendo de saudades do passado – inclusive os que eles não conheceram, ao que chamam nostalgia – e os progressistas, que enxergam e por vezes até vivenciam uma situação que só vai se confirmar depois de muitos anos. É verdade que também temos há os que misturam as coisas e se acham na vanguarda do que já caducou. Mas aqui vamos falar de gente séria. Notadamente de alguém que poderia servir à sociedade e ao mundo em qualquer época, corrigindo erros do passado e apontando caminhos para o futuro sem descuidar de realizar o presente. O meu tio-avô André Franco Montoro foi um desses caras. É, por assim dizer, um clássico, adequado a qualquer época, mas com períodos de maior ou menor evidência.

Vou tentar usar apenas os exemplos das coisas que ele falou e repetiu, e repetiu, e repetiu e que estão ultimamente todo dia no noticiário, na academia, nos governos, nos fóruns locais, regionais, nacionais, internacionais: hidrovias, hortas comunitárias, meio-ambiente, democracia – além da primavera árabe, não se pode deixar de considerar o mensalão, que foi a compra de votos no parlamento, como um golpe contra a democracia.

Mas o principal talvez seja a participação popular. Isto é, a internet botou a interação entre as pessoas, sejam cidadãos, marcas ou governos na ordem do dia. Está no artigo de ontem do Luiz Alberto Ferla no Estadão. Ele afirma que “interagir é o mais importante, porque na web não é permitido falar como se estivesse num comício tradicional (no que o Montoro também era ótimo, por sinal). Vale lembrar que nesse espaço democrático, antes de falar, é melhor escutar, compartilhar, trocar experiências, dividir e discutir pontos de vista.”

Isso o bom Ferla recomenda a quem queira ganhar simpatia e reverte-la em votos. Mas para o Montoro era antes o jeito de viver e governar. Descentralização e participação eram as chaves. E a razão é mais prática do que filosófica: quem sabe dos problemas dos lugares são as pessoas que moram neles, e as pessoas moram nas cidades, não na União. Daí que quem tem que decidir é o prefeito, ou o subprefeito, não o presidente da República.

Mas o artigo é basicamente sobre como a internet vem sendo desprezada pelas campanhas eleitorais no Brasil – e como se não bastasse deixar de ganhar o eleitor que está na rede, os candidatos estão bancando um custo financeiro absurdo de produção para televisão, sendo as mais ricas produzidas com qualidade técnica de cinema; e custo político para garantir mais tempo para exibir a obra, entregando a vice-candidatura e apodrecendo as coligações nas candidaturas proporcionais.

O caso que mais me aborreceu foi o do meu candidato, José Serra, já alcunhado Zé Gotinha, no qual votarei (votaremos) feito criança em campanha de vacinação: chorando, mas sabendo que é o melhor remédio para evitar a paralisia do PT ou a doença do Russomanno. Pelo tempo de TV do PSD, aquele partido que não é de centro, nem de direita, nem de esquerda, e que tem como líder (provisório) o Kassab, que vem contaminar a campanha com metade da cidade rejeitando a gestão realizada nos últimos quatro anos. Mas o Haddad fez ainda pior: foi com o Lula à casa do Maluf tirar retrato. Quer dizer: fez o que quis o doutor Paulo, embora considere degradante ser associado à sua figura, bem como a dos seus líderes petistas, os josés mensaleiros, Dirceu e Genoíno.

O caso mais triste, porém, jaz no passado recente, mas será eternamente constrangedor: Geraldo e Serra gravaram em 2010 mensagens reconhecendo o legado do famigerado Orestes Quércia em troca de uns minutinhos a mais na televisão. Lamentável. Só não digo mais porque sei que deve doer mais neles do que em mim.

A esperança de dias melhores vem na mensagem do Ferla, que deve acabar dobrando os coordenadores das campanhas. Fala o Ferla:

“O número de pessoas com acesso à internet no Brasil já soma mais de 82 milhões e essas pessoas passam cerca de cinco horas por dia nas mídias sociais.”

“Uma pesquisa mostrou que em 2010 mais da metade dos norte-americanos (mais ou menos 127 milhões de pessoas ou 73% dos adultos navegantes) obtiveram na internet informações sobre eleições.”

“32% dos usuários de internet adultos tiveram nela seu principal meio de informação ou de envolvimento com a campanha eleitoral. E 22% usaram as redes sociais para fins políticos.” No Brasil, 50% das pessoas ainda não assistiram pela televisão sequer um instante político.

“Obama começou a corrida com 17 milhões de seguidores. A grande inteligência da campanha foi usar as redes sociais para direcionar mensagens a grupos específicos, como hispânicos, mulheres e jovens.”

E antes de encerrar dizendo que mais de 40% do eleitorado brasileiro têm menos de 34 anos e que essa turma vive plugada nos telefones espertos, tabletes e computadores, notadamente quando começa o horário eleitoral gratuito, ele lembra que toda ação na internet pode e deve ser medida antes, durante e depois de realizada, com fidelidade e instantaneamente.

A partir disso podemos presumir o porque da televisão continuar tão importante na cabeça dos reacionários: envolve mais dinheiro e menos trabalho e dedicação. Mas eles estão com os dias contados. O jeito Montoro de fazer política está renascendo. É a primavera da participação.

 
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Forte é quem protege

Na semana que passou o BOPE ganhou um brinquedo novo. Desta vez um quadriciclo veio se somar à frota que já conta com jipes, motos, tratorzinhos, caminhões, caminhonetes e o célebre Caveirão – tanto o que vai no chão quanto um que voa igual a helicóptero, só que à prova de bala e com mil canhões assim,  tipo o zepelim da Geni.

E é tudo muito bonitinho, lúdico até, apesar da cor preferida: pretinho básico (o Léo Pinto Silva diria teflonado), como se a Coco Chanel estivesse desenhando para o Playmobil. E desenhando em parceria com o Alexandre Herchcovitch, já que eles não dispensam a caveira.

Fico olhando e imaginando a grana que vai nessa guerra às drogas. Nos Estados Unidos, onde tem mais grana, o gasto é proporcional: no Golfo do México, que os separa dos cucarachos, a patrulha fica por conta dos Marines, tropa que se não me engano inclui os Fuzileiros Navais, que são aqueles caras brabos que a gente vê nos filmes, mais machos que os nossos gaúchos. Lá tem navio, avião, satélite e milhares de soldados.

Uma coisa é igual: tanto lá como cá quando prendem alguém é sempre um pobre diabo, malnutrido e não raro bixiguento. Aqueles traficantes bonitos, em ternos de linho branco fumando charuto num solar tropical eles não pegam. E se não pegam, das duas uma: ou não querem ou esses tipos não existem.

A pergunta que deve ser feita sempre que alguma coisa não faz sentido é: Que vantagem Maria leva? Isto é: a quem interessa a insistência na proibição e na guerra contra as drogas? Dizem que a primeira interessada foi a aristocracia do algodão dos Estados Unidos, porque a fibra do cânhamo é superior à do algodão para fazer roupas. Mas isso tem jeito de ser teoria de maconheiro desenvolvida entre um e outro brownie. Vá saber. A mesma coisa falam dos laboratórios farmacêuticos e das fábricas de cigarro. Duvido. Com a legalização eles só acrescentariam mais drogas e fumo ao cardápio que já oferecem regularmente.

Mas tem um pessoal muito poderoso que evidentemente fatura com a guerra contra as drogas ou qualquer outra: o mercado bélico. Quando mais repressão, para eles, melhor. Vendem para os dois lados. E depois para o terceiro, que é o cidadão que não fuma nem cheira ou governa, mas tem medo da violência e procura se proteger como pode, seja com armas, blindagens, segurança particular, sistemas de vigilância.

O que eles mais fazem é alimentar a nossa paranoia para evitar que a gente perceba o óbvio: a sensação de força vem muito mais de quem protege do que de quem ataca. Quer dizer: um Estado forte é o que protege seus cidadãos, com educação e saúde, prevenção e tratamento no combate às drogas, e não repressão e guerra.

Quantas escolas poderiam ser construídas com o dinheiro do caveirão helicóptero? E quantos professores não poderiam ser bem pagos só com o que ele bebe de gasolina? No Golfo do México, os Marines fariam melhor serviço arranjando um jeito de vigiar o fundo do mar onde estão as bombas de puxar petróleo e evitar vazamento.

Hoje passei diante do Museu da Casa Brasileira, que finalmente trocou os muros por gradis que permitem a visão do quintal, lindíssimo, poético, muito mais lúdico e ao mesmo tempo eficiente para uma vida melhor do que exércitos armados.

Nós precisamos de soldados, é claro. Mas a vida boa não pode depender deles. Desse jeito nunca vai dar certo. Batalhões de professores, médicos e jardineiros é do que precisamos.

 
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Intimidade é cheiro

O elevador estava subindo, ou quem sabe descendo, não me lembro, até porque o que me marcou foi quando ele parou e um homem saltou, aparentemente porque tinha chegado em casa. Neste átimo pude sentir o cheiro da sua casa. Não era bom nem ruim. Era simplesmente outro, diferente. Era o cheiro da casa alheia.

Não era de sopa de mandioquinha nem de xixi de cachorro, lírios brancos ou incenso. Era o cheiro da casa alheia. Da outra casa. A casa do outro. Que eu não conheço e muito menos conheço. Por isso percebo.

Desci – ou subi – com a noção definitiva: intimidade é cheiro. Quando o homem deixa de perceber o cheiro de um lugar é porque já faz parte dele. O melhor cheiro da própria casa o homem só conhece na saudade, no retorno. Por outro lado, o pior dos fedores, se íntimo, sequer existe. Há sobre a flatulência um dito popular: cada um suporta a sua.

Nisso somos completamente animais. O bebê reconhece a mãe pelo cheiro. Quando cresce e aprende outros cheiros e outras coisas tantas ele acha que se esquece do cheiro da mãe, mas na verdade só não consegue descreve-lo ou racionaliza-lo, como se fosse alecrim. O cheiro da mãe fica no sub-consciente, aquela parte do cérebro que ninguém vai de propósito ou penetra – só entra convidado.

Os lugares coletivos não têm cheiro. Não tem personalidade. Aeroporto, por exemplo, ou loja do Mac Donalds: no mundo todo é igual. Mas a rodoviária mais erma e distante, aonde chega e sai pouca gente, guarda características próprias. Depois de trinta anos o homem volta e o café do bar, passado na hora do dia em que o ônibus estaciona, encontra uma festa na janela para saudar o filho que a casa torna.

Quando um cheiro muito íntimo passa a chamar atenção é sinal de que algo vai mal. Pode conferir que não falha. O próprio suor, a urina, se disserem alguma coisa, convém buscar interpretação especializada. É o famoso cheiro de queimado, que vem lembrar a torrada esquecida no fogo.

O cheiro da mulher é o mais delicado de todos, tanto nas características, quanto no trato. Não se pode acostumar com o cheiro da mulher. É muito mais gostoso e saudável encontra-la sempre cheirosa. O costume, neste caso, pode ser fatal. E é raro, mas se o cheiro da mulher chegar a incomodar, convém o tratamento drástico da comparação e, em último caso, da saudade. Se a falta do cheiro da mulher não te matar é porque para você ela já morreu.

 
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A Cesar o que é de Cesar

Na sexta-feira saí para jantar fora e reconheci o senador Delcídio Amaral, do PT do Mato Grosso do Sul. Comentei com a minha Neguinha que a gente deveria ir lá cumprimenta-lo, porque sempre que festejamos os votos do ministro Joaquim Barbosa e de seus pares, que vêm condenando os mensaleiros, um quinhão dos aplausos deveria ser dedicado ao senador, pela isenção e firmeza com que conduziu a CPI dos Correios, que serviu de base ao processo.

E a Nega, que ao contrário de mim é serena e reservada, me pediu encarecidamente para desistir da ideia. Poderia, segundo ela, parecer antes provocação do que justa homenagem. Mas o Neguinho aqui, que já vinha da espera com dois Manhatans devidamente tragados e a convicção de que a Cesar se entrega o que é de Cesar, pediu licença para ir ao banheiro e se dirigiu à mesa onde o bom Delcídio jantava. Pedi licença e desculpas por interromper e perguntei se ele era o senador Delcídio Amaral, que respondendo afirmativamente se levantou para ouvir mais ou menos o que propus no primeiro parágrafo – e ficou muito agradecido.

Cada brasileiro pode imaginar a pressão que esse homem sofreu dos correligionários, alguns companheiros de toda a vida, para transformar a CPI numa pizza fantástica. Para se ter uma ideia, basta pegar o que o senador Osmar Serraglio, do PMDB do Paraná, que foi o relator da CPI, sofre até hoje com retaliações. Mas o Delcídio não cedeu. Foi firme, garantiu convocações, depoimentos, acareações. E ao cabo de alguns meses a investigação estava concluída, produzindo provas suficientes para garantir o trabalho da Polícia Federal, da Procuradoria Geral da República e outras instituições envolvidas.

A verdade é que da mesma maneira que toda a sociedade brasileira, exausta de tanta bandalheira, os mensaleiros e a turma que, sabendo ou não do esquema, se beneficiou dele enquanto foi governo, como os presidentes Lula e Dilma, todos acreditavam na impunidade. Os primeiros com desolação, os demais com aparente esperança. Primeiro a gente pensava que a CPI daria em pizza. Então que o processo ia caducar antes de chegar a ser julgado. Depois que alguma manobra melaria tudo. E até que o voto dos ministros seria parcial e obediente ao presidente que os nomeou. Mas a medida do bem que o funcionamento da Justiça está fazendo ao Brasil está no brilho dos olhos de cada cidadão que quer ver enfim esses gafanhotos na cadeia, e a mesma medida é o desespero de alguns deles, como o atual aspone José Genoíno, o acusado de ser o líder da quadrilha, Zé Dirceu, e até o Lula, que depois de ter sido apontado como chefe do mensalão pela matéria da Veja sobre os segredos do Marcos Valério não processou a revista nem o publicitário.

Ninguém poderia imaginar que a história corrigisse tão rápido o legado do Lula. De salvador da pátria o sujeito vai pra baixo de Maluf em coisa de dois ou três anos. E como não poderia ser diferente isso desnorteia qualquer um. Se disse decepcionado com os ministros do Supremo que fez o favor de nomear, espalhou que vai recorrer da decisão do STF aos organismos internacionais e consta que já fala até que o julgamento seria um golpe das elites. Pode ser tão patético?

Golpista é a turma dele. Digo e repito que quem pegou em armas para derrubar a ditadura no Brasil não queria a democracia, mas o próprio modelo totalitário – no caso de Dirceu e companhia, a la Fidel Castro. Mas democracia se faz com ideias, não chumbo. E assim foi feito pelo Montoro, pelo Tancredo, pelo Ulysses. E com o Fernando Henrique avançamos muito, tanto com o Plano Real, que simboliza a democracia econômica, quanto com o respeito, por exemplo, à liberdade de imprensa – lembrem-se que o Collor mandou invadir a Folha e o Lula queria expulsar o correspondente do New York Times e o “controle social da mídia”.

Como não deu certo com chumbo eles voltaram com a grana, e invés de fechar o parlamento, compraram os parlamentares com o mensalão, o que é golpe da mesma maneira. O dinheiro é capaz de subverter até a paixão, quanto mais a ideologia.

O último jogo do Brasil contra a Argentina assisti numa pizzaria, e aos poucos os garçons, manobristas e pizzaiolos foram se juntando no salão para acompanhar a partida na televisão. É impressionante como ficam apáticos. Por obediência ao salario, sublimam a paixão que têm pela Seleção. E isso é muito triste. Eu olhava para eles, olhava para a pizza, e pensava nos deputados comprados pelo PT em dia de votação. De um lado, trabalhadores honestos, querendo a alegria de um gol. De outro, políticos corruptos, apodrecidos, castrados da opinião própria. No meio, a pizza, que graças a Deus, ao Delcídio, ao Osmar, aos delegados, procuradores, ministros e a cada brasileiro vigilante me parece cada vez mais distante.

 
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A vida vai melhorar

Sobre os incêndios nas favelas de São Paulo,  além das hipóteses de acidente e de problemas criados pela seca, pairam ainda pelo menos mais três, todas criminosas: especulação imobiliária, negligência pública e terrorismo eleitoral. Ou tudo junto e horrorosamente misturado.

O de ontem, na favela do Moinho, segundo o Reinaldo Azevedo, foi crime passional: um rapaz brigou com o namorado e ateou fogo não às próprias vestes, como faziam os personagens do Nelson, mas às do “objeto de seu desejo e rancor”.

Que está muito seco todo mundo sabe e só fala disso. A garoa de ontem mal serviu para baixar a poeira. Pude notar os carros hoje pelas ruas imundos do ar sujo que grudou sobre a pouca água que caiu do céu. Que venha mais, muito mais, para lavar. Mas em períodos assim de estiagem o fogo pega mesmo. Por sinal li ontem no Estadão digital que no morro entre o Juquehy e a Barra do Una, em São Sebastião, houve uma queimada braba, mas não tenho outras noticias.

Se os incêndios foram acidentais, alguém há de argumentar que está acidental de mais para ser verdade, mas os números oficiais que o Reinaldo botou na página dele desfazem a nossa impressão de que agora tem mais do que antes: na gestão da dona Marta, entre 2001 e 2004 foram 778 incêndios; durante o Serra, que ficou entre 2005 e 2006, 307; e de então até agora, nesses seis anos sob o Kassab, são 558.

É pouco? Claro que não. É um absurdo, mesmo tendo caído tanto. Um só já é uma desgraça. As favelas, aliás, em paz já são uma desgraça. E canalha é o que não falta para faturar com a desgraça humana. A hipótese de terrorismo eleitoral surge daí. Um terrorista desses é capaz de meter fogo numa favela para sapatear sobre as cinzas e o governo atual, como se este não tivesse na figura do prefeito seu maior adversário. Ninguém pode ser mais prejudicial à gestão atual do que o próprio Kassab. De qualquer maneira, convém lembrar que tudo pode ficar pior, e as pesquisas de intenção de voto estão aí para anunciar como.

Em especulação imobiliária eu sinceramente não acredito, e vou dizer por que: mais do que terror, seria uma burrice tremenda. As maiores possibilidades para as construtoras estão justamente na legalização das favelas. São milhões de pessoas vivendo na ilegalidade, sem posse do terreno onde construíram, sem escritura da casa onde moram, sem endereço certo para receber uma carta sequer e sem direito a serviços públicos básicos, como água, esgoto, luz e asfalto; posto de saúde, creche e escola próximos, uma pracinha mais ou menos então, nem pensar. A esculhambação é tão grande que acaba tendo, mas tudo meia boca, e por interesse dos canalhas de sempre que faturam sobre a miséria. Vontade de resolver pouca gente tem.

Um que sei que tem vontade e meios para fazer eu conheço e aponto com prazer e sem medo de ser repetitivo: Andrea Matarazzo. É o meu candidato e do Reinaldo Azevedo também.  Quer ser vereador para desfazer os nós que impedem as pessoas de viverem melhor nesses lugares e explica como, lembrando que no ano que vem o novo Plano Diretor da cidade vai estar na pauta da Câmara.

Na Zona Leste são três milhões e meio de pessoas, e na Zona Sul mais dois milhões e meio, das quais a maior parte vivendo em áreas de ocupação irregular, portanto impedidas dos serviços e equipamentos essenciais, e inclusive de trabalhar perto de casa, porque salvo um ou outro comércio pequeno as empresas não topam mais a clandestinidade, o que as impede de migrar para onde está a mão de obra – o que seria muito melhor e mais inteligente.

Para isso acontecer, ao contrário do que diz certo candidato a prefeito, o Estado não precisa ajudar – basta que não atrapalhe. A iniciativa privada não precisa de incentivo fiscal ou qualquer outro, basta legalizar e facilitar a vida de quem quer investir, diminuindo a burocracia e modernizando leis ultrapassadas.

Na Zona Sul, por exemplo, as áreas invadidas são mananciais, ou beiras de represa. O ideal seria que ninguém morasse ali. A realidade é que são milhões de pessoas. Fotografando, congelando, anistiando e legalizando, o Estado pode entrar enfim com o saneamento básico e estancar o esgoto de toda essa população que diariamente acaba nas represas. Com a escritura definitiva em mãos, os proprietários vão tratar de não deixar ninguém mais invadir, exatamente igual alguém aqui do centro expandido fará se erguerem um barraco na porta da sua casa, e o que resta será preservado.

Feito isso muitas empresas poderão ir para lá, onde há tanta gente para trabalhar, melhorando a qualidade de vida na cidade toda só com a diminuição que isso representaria para o trânsito. Só em São Paulo mais de cinco milhões de pessoas perdem pelo menos quatro horas do dia no caminho da roça – no caso da Zona Sul, literalmente. É muito mais do que a população de todo o Uruguai.

Para o mercado imobiliário este cenário seria um deleite. Áreas mais baratas, com possibilidade de urbanizar e com a freguesia já morando no local, só esperando uma oportunidade para melhorar. Crédito para tanto não falta. Até automóvel, que estraga antes do carnê chegar ao meio, os bancos estão financiando pra todo lado. O problema é que, achacados por políticos e burocratas que mamam na tragédia, eles seguem fazendo o possível, que é construir onde já não cabe mais ninguém.

Depois disso, notícias como as que estamos vendo, de gente morrendo queimada ou atropelada por um trem em favelas vão parecer tão antigas, absurdas e distantes quanto as tragédias humanas que já superamos, como escravidão ou o holocausto.

Crônica publicada no www.cesargiobbi.com.br

 
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Utopia e pão

A obsessão tem uma versão benigna chamada utopia. Cada um tem a sua, inclusive quando não tem nenhuma. A não utopia já é uma busca infinita. A não utopia é a perfeição, e esta só no Paraíso, que o Homem recusou. Dom Helder Câmara disse que “a utopia partilhada é a mola da história”, naquela linha do “sonho que se sonha junto é realidade”. É basicamente isso. A existência é a nossa realidade, que vamos temperando com o passar do tempo, das gerações, buscando viver melhor, ou simplesmente viver.

Um mundo melhor é o que todos queremos. O pepino é que cada um gosta de um jeito – para não falar daqueles que nem de pepino gostam. Pátria, religião, cultura e, em alguns – muitos – casos, o futebol, estão entre os livros de receita. Política é a mão do cozinheiro. E por “sal e pimenta a gosto” é que a guerra, a solidão, a peste, a miséria, a paz, o amor, a saúde e a riqueza acontecem.

Na vida todos somos cozinheiros. Tem sempre alguém tomando as decisões na cozinha, é claro, mas todo mundo influencia o resultado do prato, inclusive aqueles que, por uma ou outra razão, não vão comer, até porque ninguém pode jantar satisfeito diante de um olhar faminto. Quem percebe e avisa que o pão está queimando pode desagradar o chefe, mas além de comer bem ainda será lembrado pela coragem e sabedoria. Aquele que nota o fogo alto demais e silencia vai comer queimado. São escolhas, cada qual tem seu preço.

A primeira utopia é fazer o pão chegar a todos. Pode ser em porções diferentes, desde que não falte. Quando isso acontecer as pessoas vão se acostumar e então, com a barriga cheia, a utopia será fazer um pão melhor, mais gostoso. É quando a turma pode se confundir e pensar que esse pão existe, transformando em utopia uma receita comum de pão. Bobagem. Nossa utopia tem que ser pelo pão para todos, seja preto, branco, doce, salgado, denso, fofo, quente, frio, redondo, comprido, chato, alto, puro, recheado e até recusado.

O pão, igual a utopia do Dom Helder, tem que ser partilhado. Só assim vira mola, bela viola, não enferruja, nem embolora. O pão individual é obsessão.

Crônica publicada no fanzine Amarello #9 – Obsessão

 
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Frescura urgente

Ontem, no Rio de Janeiro, os termômetros de rua iguais ao que a Fernandinha Abreu usou no clipe Rio 40 graus, marcavam “só” 28º. Em São Sebastião não tem termômetro público, mas conferi pelo iPhone que a máxima era a mesma: 28º. Quer dizer, aquilo que aqui de São Paulo a gente define como “a praia” e associa com sol e calor agora está a setecentos metros e seis graus abaixo de nós, porque 34º foi a nossa máxima.

Hoje as coisas já voltaram ao normal, com o Rio a 37º, São Sebastião a 39º e São Paulo a 34º. Quer dizer, normal na proporção, porque esse calor em pleno inverno de normal não tem nada. Aliás, nem no verão. Qualquer temperatura acima de 22º para mim é exótica. Normal é Porto Alegre, que ao meio dia marcava civilizados vinte graus à sombra.

Não digo que São Paulo está esquentando. Minha impressão é que já não esfria. Não tem por onde. É pedra pra todo lado, e não tem brisa, as árvores são poucas, assim como os lagos e as fontes – que por sinal seguem desligadas. E tem os motores dos carros, cada qual um forno, funcionando regularmente. O estado é de calamidade mesmo.

A gente precisa sair dessa olhando adiante. Não vale a pena apontar os culpados pelo caminho errado. O século vinte produziu desastres urbanísticos e ambientais no mundo inteiro: em nome do desenvolvimento desmatamos, poluímos, endireitamos, cobrimos e matamos rios e córregos, construímos avenidas, viadutos e outras aberrações para atender nãos aos carros, mas as pessoas que vão neles, e só recentemente percebemos que estávamos indo contra elas. Temos que arranjar uma maneira de sair dessa.

A notícia boa é que a natureza se recupera. Igual a gente quando volta a fazer exercício físico depois de anos de sedentarismo, ou para de fumar mesmo depois que a luz amarela já piscou, a natureza é um organismo que se regenera e responde positivamente. As fazendas que restauram a mata ciliar, por exemplo, voltam a ter as nascentes de rios nos mesmos lugares que elas vertiam originalmente.

Numa cidade igual São Paulo é difícil refazer a mata nas beiras dos rios, até porque as margens foram destruídas. Assim como de pouca coisa adiantaria botarmos no chão o Minhocão – como eu já defendi aqui. Quem me fez ver o melhor caminho foi o Andrea Matarazzo, que aponta o modelo novaiorquino: criar um parque suspenso para atender a população que já mora e está voltando a morar no entorno.

É um projeto premiado aqui e, onde foi realizado, como em Nova Iorque, levou qualidade de vida e desenvolvimento. O High Line, como eles chamam a antiga linha de trem transformada em parque linear suspenso, agrada tanto que já é tão falada quanto o icônico Central Park. Aqueles apartamentos pobres onde a garçonete, o estagiário e outros tipos de grana curta moravam nos filmes do século passado, e tinham a vida pontualmente infernizada pela passagem do trem, agora são valorizadíssimos vizinhos de bares, galerias, hotéis e até um albergue da juventude.

Não é o cenário perfeito para as margens do Minhocão? Há um projeto vencedor do prêmio Prestes Maia de urbanismo que propõe criar uma passarela acústica onde hoje passam os carros e sobre ela o parque. Eu acho mais bacana criar o parque direto, com prejuízo do trânsito de carros – sou um radical, reconheço – mantendo a ideia das passarelas ligando o elevado aos andares equivalentes dos prédios por onde ele passa, desde que se mostrem adequados para instalação de bares, galerias, hotéis e até um albergue para a juventude.

A vida de volta à região seria o equivalente a um olho d’água que volta a verter com a restauração da mata ciliar. Vida, aliás, já há: no período noturno, enquanto o Minhocão fecha para os carros e abre para as pessoas, não é de hoje que se vê muita gente malhando, crianças brincando, velhinhos passeando. O parque só tornaria o passeio atraente e mais gostoso e fresco, e aqui em amplo sentido: delicado, refinado, sensível, ventilado e com temperatura civilizada. É de frescura que precisamos.

 
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Aparências

Igual a mulher de Cesar em relação à honestidade, a aparência conta para todo mundo e em diversos aspectos, desde que na mesma ordem. Quer dizer, quando o ser vem antes do parecer. O inverso não adianta, digo, parecer honesto sem ser de fato. A verdade sempre acaba emergindo e o PT está sendo julgado como quadrilha no Supremo para confirmar.

Eu diria que a Soninha, candidata a prefeita aqui em São Paulo, é honesta tanto quanto parece. Mas lembrei dela por outra causa, relacionada à aparência. Quando ela era vereadora, propôs que a exigência de terno e gravata fosse abolida das sessões plenárias da Câmara Municipal. Segundo ela, o importante não é o que vai por dentro, não por fora do parlamentar. Não deixa de ter razão, mas para alguém que vem da televisão, onde a mensagem visual é tanto ou mais forte do que a falada, o conceito chega a espantar.

Lembro que na época perguntei a alguém que concordava com ela, provavelmente uma dessas pessoas que detesta gravata, se tudo bem o vereador é a plenário vestindo uma sunga, e a resposta foi que eu era radical. (O Suplicy ainda não tinha nos brindado com a performance de Super-Homem no Senado, encerrando a discussão para sempre).

A gravata está com o uso em baixa, mas continua emprestando alguma solenidade a quem usa. Tanto que para os momentos solenes da vida a turma ainda faz questão dela e usa de propósito e com prazer. Onde ela continua obrigatória, como mos parlamentos, creio que é mais pelo receio do que seria sem ela do que pela solenidade que traz. Devem olhar as roupas das mulheres, como a própria Soninha ou mais ainda a Heloisa Helena, e temer pelo festival que o fim da regra clara provocaria na indumentária.

Sou a favor de solenizar as coisas e creio no auxílio das roupas para tanto. Quando nasce alguém deve haver festa. E quando morre deve haver velório. É importante para pontuar, marcar, ajudar na compreensão, escrever os capítulos da vida. Digo mais: é importante que alguém discurse, ou minimamente diga algumas palavras. E não dá para ir colorido a velório, nem à praia de gravata.

Há de haver solenidades, com roupas, modos e palavras adequadas ao momento e ao ambiente. A solenidade pode não fazer ninguém mais inteligente, mas pelo menos nos protege da burrice. Diante de todos e falando, fica difícil parecer diferente do que se é de fato. Em mil conversas ao pé d’ouvido o imbecil pode se passar por inteligente, o ignorante simula sabedoria, o corrupto finge ser honesto. Na berlinda é diferente. E coincidência ou não, quanto mais a gravata cai de moda, mais os idiotas se sentem tranquilos para dar opinião.

 
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Salto alto em Paraty

Na época do acidente que vitimou o Andrea Carta a imprensa toda trouxe homenagens ao colega editor da Vogue Brasil. Uma delas, se não me engano do Ignácio de Loyola Brandão, falava do olho clínico do amigo. Naquele tempo em que era caro fazer revista, porque havia filme, papel fotográfico, fotolito, e não havia internet, corretor de texto, photoshop, o fator humano contava muito. Como não dava para revelar todas as fotos até escolher a melhor para botar na capa, o jeito era conferi-las pequeninas e arriscar a boa. A equipe eficiente fazia a triagem e levava para ele, que de bater o olho descartava as que não serviam, apesar de terem passado por diversos outros olhares competentes. De vez em quando, de birra, alguém bancava uma revelação ampliada para tirar a prova e invariavelmente ele tinha razão.

E as razões dele moravam nos detalhes. A deselegância na postura de uma modelo em plano secundário era suficiente para condenar uma foto à condição de prova definitivamente. O olhar hesitante de um rapaz que deveria parecer alguém decidido também ficava na peneira dele, e de lá ia para o lixo. Tudo muito delicado, subjetivo, mas que o leitor percebe quando diante do resultado final, mesmo sem saber dizer por que.

Hoje, em plena era digital, com a possibilidade de fazer mil testes, tratar e corrigir sem grande despesa qualquer imagem, a turma segue errando de maneira tosca. Para não citar os mais óbvios, que metem modelo de salto alto na areia, falo dos perfeccionistas, que em sua busca pelo 100% artificializam tudo, afastando o conceito ou o produto da realidade. Dentes brancos imaculados, por exemplo, sugerem alguém sem história ou personalidade, e este alguém não pode ser modelo, aqui no sentido original da palavra.

Essas meninas blogueiras são um colosso. O cenário deste mercado que cresce junto, com estilistas, modelistas, costureiras, blogueiras criando e produzindo tanto, enquanto a geração anterior era absolutamente tacanha e submetida ao que vinha do hemisfério norte. Até por uma questão histórica é natural que elas continuem influenciadas, mas hoje há uma troca, que se não é e nem será franca jamais, incontestavelmente existe, e dá vazão à criatividade, sem qual ninguém tem identidade.

Se elas ainda erram muito? Claro. Só não erra quem não faz. Mas alguns erros, por evidentes, já poderiam estar corrigidos e continuam acontecendo muito e amiúde. O que mais vejo é a bolsa cara em destaque, ostensivamente exibida. Ora, coisa boa é igual piada: quem entende se diverte, mas se tiver que explicar perde toda a graça. Provoca risadas fingidas. Mas a turba insiste e faz questão de que a marca apareça. São as meninas carregando as bolsas feito estandartes e a rapaziada com uns bichos gigantes bordados no peito. Tem cavalo, pinguim, jacaré, pato. Quem adotar o elefante como marca vai ficar rico.

O clássico do bacana que fica horrível fora de lugar é o salto alto. Em cima de um salto alto a mulher fica muito melhor. Melhora a postura, melhora o olhar. Creio que até as ideias melhorem. Mas o freguês desta página sabe que a melhor sandalinha no pezinho mais lindo da menina mais bonita convidada para festa mais animada de Paraty será um desastre.

Outro que surge com intensidade brutal é a bicicleta como alternativa para o transporte individual nas cidades grandes. Mais ou menos como as coisas da moda e outras tantas, é influência européia. E de fato é algo fantástico: leve, limpo, saudável, silencioso, bonito, prático, sem custo fixo. Mas em São Paulo não dá. Nem falo dos maus ciclistas, que vão pelas calçadas, na contra-mão, ou das hordas que andam varando farol vermelho em ladeira como se fossem os donos do trânsito. Aqueles impecáveis, que usam capacete, luz e só andam na linha também estão fora de lugar. E da mesma maneira que a menina linda do salto alto que torce o pé em Paraty, os ciclistas já são a segunda causa de internação na Santa Casa. Só ficam atrás dos motoboys.

O ideal seria que São Paulo fosse equipada com cliclovias, mas não é. Digo e repito que por mim na Rebouças, Augusta, Nove de Julho e Brigadeiro só teríamos trólebus, calçadas e ciclovias, mas até lá a turma das magrelas estará tão deslocada quanto a menina do salto alto em Paraty. E o Andrea Carta não aprovaria.

 
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