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Boiada passando e terra arrasada

O bolsonarismo trabalha com um curral de apoiadores com dupla função tática: de um lado, inflamam a base ensandecida, repetindo e publicando as barbaridades que o próprio Bolsonaro sempre disse e continua dizendo, contra instituições, adversários, nações amigas, líderes estrangeiros, demais poderes, saúde pública.

Como tais apoiadores se destacam repetindo o comportamento do Messias, do outro lado servem para arrefecer os ânimos quando alguma autoridade ou instituição se sente ofendida ou diretamente ameaçada.

Já aconteceu com o ex-ministro da Educação, com uma ativista que acampou na Praça dos Três Poderes, com meia dúzia de blogueiros. O boi de piranha da vez é o ex-PM e deputado federal Daniel Silveira. Sangrará em público para fazer crer que as instituições estão funcionando. Enquanto isso, a boiada seguirá passando.

No curral bolsonarista há muitos outros bois de piranha para caso de necessidade. No Executivo, o ChanCelerado Araújo é vaca premiada. Quando sangrar, provocará um alívio tremendo. No Legislativo preparam outras, como a deputada Bia Kicis, enfeitada com postos estratégicos para valorizar o abate.

O curioso é que o boi gordo pra valer continua intocado. General Heleno ameaçou o Supremo com “consequências imprevisíveis” quando se aventou a possibilidade de apreender para perícia os celulares do presidente da República e de seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro. Outro filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, já falou em fechar o Supremo com um cabo e um soldado. O ministro Paulo Guedes falou em AI-5. Em nenhum dos casos houve consequências.

Vale lembrar que o rolo com o deputado Silveira começou com a admissão, em livro, pelo general Villas Boas, da articulação para ameaça pública ao STF há três anos. O general confessou que o Alto-Comando do Exército elaborou nota, às vésperas de um julgamento que teria consequências diretas nas eleições que acabariam resultando na vitória do governo que vários coautores daquele então agora servem. Nenhum dos generais foi pelo menos chamado a se explicar para o Supremo. Mas um ex-soldado da PM fluminense e deputado tido como idiota por seus pares, foi preso.

Quem quiser crer no funcionamento das instituições, esteja à vontade. Eu só vejo a boiada passando e um grande rastro de terra arrasada.

 
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